Produção maior pode beneficiar atividades como armazenagem e transporte, enquanto preços das commodities e riscos de crédito exigem atenção dos investidores
A expectativa de uma safra recorde de grãos no Brasil pode criar oportunidades para os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio, os Fiagros. Os efeitos sobre cada fundo, porém, dependerão dos ativos que compõem sua carteira e da forma como a gestão conduz os investimentos, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentada no material aponta uma produção de 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume 2,4% superior ao da temporada anterior.
Uma colheita maior pode movimentar empresas de armazenamento, transporte e comercialização. Por outro lado, o aumento da oferta também pode pressionar os preços das commodities, afetando a receita de produtores e a capacidade de pagamento em operações de crédito.
Como uma safra maior pode afetar os Fiagros?
Os Fiagros permitem que investidores tenham exposição a diferentes atividades do agronegócio. Conforme a estratégia, esses fundos podem investir em imóveis rurais, empresas, títulos de crédito, direitos creditórios e certificados de recebíveis ligados à cadeia agroindustrial.
Por isso, o efeito de uma safra recorde não será necessariamente igual para todos. Um fundo com exposição a uma empresa de armazenagem, por exemplo, pode ser influenciado pelo aumento da demanda por espaço. Já uma carteira concentrada em operações de crédito rural precisa acompanhar a situação financeira dos devedores, além dos preços recebidos pelos produtores.
O resultado também depende de fatores que vão além do volume colhido, como custos de produção, câmbio, preços internacionais, condições climáticas e logística.
“Uma safra maior é uma informação relevante para entender o cenário do agronegócio e pode criar oportunidades em diferentes segmentos. O investidor deve observar como o fundo está posicionado para aproveitar esse momento, conhecer sua estratégia e acompanhar o trabalho realizado pela gestão”, explica Soraia Barros, gerente de Fundos de Investimento da Anbima.
Qual é o papel da gestão profissional?
Os Fiagros contam com gestores profissionais responsáveis por selecionar ativos, avaliar oportunidades e acompanhar os riscos da carteira.
No caso de operações de crédito, esse trabalho envolve, entre outros pontos, a análise da capacidade de pagamento dos tomadores, das garantias e das condições dos setores financiados. Em fundos com imóveis ou participação em empresas, a avaliação depende das características de cada investimento.
Para o investidor, entender essas escolhas ajuda a perceber como o fundo busca gerar resultados e quais riscos podem afetar seus rendimentos.
Cinco pontos para analisar antes de investir em Fiagros
Embora a seleção dos ativos seja atribuição da gestão, o investidor também precisa conhecer o produto e verificar se ele está alinhado aos seus objetivos e ao seu perfil de risco.
1. O que existe na carteira?
O primeiro passo é identificar se o Fiagro está mais exposto a crédito, imóveis rurais, empresas ou a uma combinação desses ativos.
Essa informação ajuda a entender de onde vêm as receitas do fundo e quais fatores podem influenciar seus resultados. Uma carteira de crédito, por exemplo, tem riscos diferentes dos encontrados em uma estratégia voltada à exploração de imóveis rurais.
2. Quem está por trás dos investimentos?
Nos fundos que investem em títulos e direitos creditórios, vale observar quem são os devedores, o tamanho das operações e as garantias existentes.
Quando há maior exposição a imóveis rurais, o investidor pode analisar a localização das propriedades, os contratos de arrendamento e as condições de ocupação. Já nos investimentos em empresas, é importante acompanhar a capacidade desses negócios de gerar resultados e enfrentar mudanças no mercado.
3. A carteira é diversificada?
A concentração em uma única empresa, cultura, região ou atividade pode deixar o fundo mais vulnerável a problemas específicos.
Uma adversidade climática em determinada região ou a dificuldade financeira de um devedor relevante, por exemplo, pode ter impacto maior em uma carteira concentrada. Por isso, conhecer a distribuição dos investimentos ajuda a entender os riscos assumidos.
4. Os rendimentos são consistentes?
O histórico de distribuições ajuda a compreender como o fundo se comportou em diferentes períodos. Ainda assim, resultados passados não garantem rentabilidade futura.
Também é importante investigar a origem dos valores pagos. Um rendimento elevado em determinado mês pode decorrer de um evento pontual e, portanto, não se repetir nos períodos seguintes.
5. O que dizem os documentos do fundo?
Relatórios gerenciais, lâminas e demais documentos divulgados pelo Fiagro trazem informações sobre a composição da carteira, as decisões da gestão, a concentração dos ativos e os riscos.
Acompanhar as notícias do agronegócio também ajuda a entender o cenário dos setores nos quais o fundo investe. Uma safra recorde é um dado relevante para essa análise, mas não garante, por si só, ganhos para o investidor.
Para avaliar as oportunidades, a recomendação é observar como cada carteira está posicionada e combinar essa análise com os objetivos, o prazo e a tolerância a riscos de quem investe.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.