Segundo o comunicado estadual, o decreto considera prejuízos à agropecuária e riscos de queimadas e incêndios florestais.
O governo do Tocantins decretou situação de emergência em todo o Estado, por 180 dias, em razão da estiagem prolongada. Segundo o governo, os levantamentos feitos pelos órgãos estaduais poderão servir de base para que produtores atingidos peçam apoio financeiro, mais prazo para cumprir obrigações ou renegociação de dívidas, desde que atendidas as exigências legais. O Decreto nº 7.251 foi divulgado nesta terça-feira (20) e tem publicação prevista no Diário Oficial do Estado (DOE) do dia.
As informações divulgadas pelo governo não detalham valores nem linhas de crédito que poderão ser acionadas. Segundo o comunicado estadual, o decreto considera prejuízos à agropecuária e riscos de queimadas e incêndios florestais. O governo cita dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), segundo os quais, em agosto, cerca de 95% do território tocantinense tinha algum grau de seca. A área classificada como seca moderada passou de 33,57% em julho para 57,44% em agosto.
A coordenação da resposta ficará com o Corpo de Bombeiros Militar, por meio da Defesa Civil, que articulará o atendimento a municípios e famílias afetadas, inclusive com abastecimento emergencial de água. A Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), vai contabilizar as perdas no campo e orientar o produtor sobre os instrumentos de apoio disponíveis.
No campo, a semeadura da soja 2026/27 está liberada desde 1º de outubro, mas ainda era pontual, na avaliação divulgada em 14 de outubro pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Tocantins (Aprosoja-TO). Na publicação, o vice-presidente da entidade, Thiago Facco, disse que houve chuva suficiente para plantar em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia. “Os produtores seguem aguardando mais chuvas”, afirmou. Segundo Facco, o período considerado ideal começa em 15 de outubro. A janela de plantio em áreas de sequeiro segue até 15 de janeiro de 2027.
Segundo a Aprosoja-TO, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares no Estado. A entidade espera pequeno aumento de área nesta temporada. Facco citou as condições de financiamento como fator de cautela: “Temos uma taxa de juros muito elevada, dificuldade de crédito e um nível de endividamento grande entre os produtores”. Ele também apontou incerteza sobre os efeitos do El Niño. Na avaliação divulgada em 14 de outubro, a associação considerava cedo para estimar a produção, porque grande parte das áreas ainda aguardava condições adequadas para semear.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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