El Niño exige planejamento e manejo antecipado para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo das lavouras 

Aplicações no momento correto e uso de tecnologias biológicas e nutricionais serão decisivos para enfrentar o excesso de chuvas no Sul do Brasil.

A previsão de um período de chuvas acima da média no Sul do Brasil em função do El Niño reforça a necessidade de planejamento e de decisões assertivas no campo. Embora o cenário possa favorecer tetos produtivos para culturas como trigo, milho e soja, o excesso de umidade também aumenta a pressão de plantas daninhas, doenças e pragas, além de reduzir as janelas disponíveis para a realização dos manejos.

Por isso, antecipar as estratégias de manejo e aproveitar corretamente cada oportunidade de aplicação será fundamental para preservar o potencial produtivo das lavouras. Para o engenheiro agrônomo e especialista em nutrição de plantas da Satis, Airton Borin, o momento é decisivo principalmente para o trigo, que no Rio Grande do Sul já está praticamente todo semeado e se encontra nas fases de emergência e início do perfilhamento. “O produtor precisa acertar o timing das aplicações, especialmente dos herbicidas e da adubação nitrogenada. Fazer o controle precoce de plantas daninhas, como azevém e nabo, evita competição com a cultura e aumenta a eficiência dos herbicidas”, afirma.

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Borin destaca que a tecnologia de aplicação é uma aliada importante para garantir a eficiência dos produtos utilizados e realizar misturas sem perda de desempenho. Além disso, melhora a ação dos herbicidas sobre as plantas daninhas e contribui para que os produtos expressem todo o seu potencial. Na adubação nitrogenada, especialmente nas culturas de trigo e milho, ele recomenda o uso de molibdênio para aumentar a eficiência do nitrogênio, favorecendo seu aproveitamento e assimilação pelas plantas. A associação com zinco também é indicada por estimular o desenvolvimento radicular em um ambiente onde esse nutriente normalmente apresenta baixos níveis nos solos gaúchos.

“Quando usa fontes específicas como Vitaphol Molibdênio e Vitaphol Zinco 21”, o resultado é bom, mas a eficiência é melhor ainda com a utilização de micronutrientes complexados com aminoácidos como na solução  Soymax”, observa. No manejo fitossanitário do trigo, Borin recomenda integrar ferramentas biológicas desde o início do ciclo. Ele orienta a utilização do Tribalance como assepsia de palhada, manejo da microbiota do solo e do sistema de cultivo como um todo. Já nas aplicações foliares, destaca o uso do Multivex como complemento ao manejo, agregando efeito protetor e auxiliando no controle das doenças iniciais da cultura.

Para a cultura do milho, cujo período de plantio se intensifica entre agosto e meados de setembro no Rio Grande do Sul, Borin reforça que os cuidados começam antes mesmo da semeadura. Ele explica que uma dessecação eficiente é essencial para controlar principalmente plantas daninhas de folhas estreitas, como azevém e aveia, garantindo melhores condições de plantio. Outro ponto de atenção é o controle preventivo de insetos, especialmente percevejos, que vêm sendo observados em plantas tigueras (remanescentes de safras anteriores) e áreas de bordadura.

O ideal é iniciar esse manejo antes do plantio. A utilização do BeaVex, inseticida microbiológico da Satis, nessa fase melhora a performance do controle biológico dos insetos e reduz a pressão inicial sobre a cultura. O especialista também recomenda investir na sanidade do solo, especialmente em um ano com maior volume de chuvas, quando doenças como fusariose tendem a aumentar. A aplicação de Trichoderma reduz a pressão inicial de fungos de solo, favorecendo o estabelecimento das plantas e contribuindo para manter essa população até o final do ciclo. Conforme Borin, o preparo adequado da área, aliado à dessecação correta da cobertura vegetal e ao manejo preventivo de pragas e doenças, cria melhores condições para o desenvolvimento inicial da lavoura.

Chuvas reduzem a janela de manejo 

O engenheiro agrônomo e representante técnico de vendas da Satis, Alécio Radons, destaca que um dos principais desafios impostos pelo El Niño será a redução das janelas de operação no campo. “No trigo, que já está implantado e em desenvolvimento, teremos períodos muito curtos para entrar nas áreas e realizar os manejos necessários. Por isso, o planejamento será determinante.”

De acordo com Radons, o excesso de chuvas, principalmente durante o florescimento do trigo, cria condições altamente favoráveis para doenças como a giberela e brusone. “A associação de ferramentas como Multivex e Fulland durante o ciclo da cultura, bem como a aplicação de fungicidas específicos principalmente no estágio de florescimento, quando as anteras estão expostas, são essenciais para proteger as plantas e diminuir a taxa de infecção dessas doenças. Se houver chuva nesse período, o risco de infecção aumenta significativamente,” alerta. Ele ressalta que essas doenças comprometem não apenas a produtividade, mas também a qualidade dos grãos, reduzindo seu valor comercial.

Em relação à soja e milho, Radons afirma que o excesso de umidade favorece doenças de solo como Phytophthora, Pythium, Fusarium e Rhizoctonia, responsáveis por importantes perdas nas lavouras. “Nesses casos, o manejo começa no solo. A recomendação é trabalhar com aplicações de Trichoderma, preferencialmente já no inverno ou diretamente no sulco de semeadura, para que o biológico atue sobre esses fungos e reduza sua intensidade,” complementa.

Na soja, ele chama a atenção também para o aumento de casos de mofo-branco e ferrugem asiática em anos de El Niño. “O Trichoderma também atua sobre os escleródios do mofo-branco presentes no solo. Já para a ferrugem e demais doenças foliares, o manejo deve considerar a associação de bons fungicidas e Multivex nas primeiras aplicações e ao Fulland a partir da segunda aplicação, aumentando a eficiência do programa fitossanitário,” orienta.

Segundo Radons, a integração entre fungicidas, produtos biológicos e protetores multissítios é uma estratégia essencial, principalmente em anos de elevada pressão de doenças. São combinações importantes para reduzir a severidade das doenças e preservar o potencial produtivo. Ele considera que em anos de El Niño, essa integração é fundamental para aumentar as chances de uma safra de alta produtividade. Para os especialistas da Satis, o sucesso da safra dependerá da capacidade de antecipar decisões e executar cada operação no momento correto. Em um cenário de maior pressão de doenças e menor janela operacional, integrar manejo nutricional, biológico e fitossanitário é uma das principais estratégias para transformar o potencial produtivo proporcionado pelas chuvas em produtividade efetiva no campo.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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