EUA vai boicotar carne brasileira após “vaca louca”

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Montagem: Compre Rural

Senador dos EUA quer impedir importações de carne brasileira após notícias sobre “vaca louca”; Os Estados Unidos importaram 62,3 milhões de dólares de carne bovina brasileira.

Segundo as informações divulgadas pela Reuters, o senador dos EUA, Jon Tester, apresentou um projeto de lei nesta quinta-feira para suspender as importações de carne bovina brasileira para os Estados Unidos e pediu que especialistas revisassem “a segurança de commodities” após relatos na imprensa sobre o Brasil ter atrasado a comunicação de dois casos da doença da vaca louca.

Depois de os chineses imporem um boicote à carne bovina produzida no Brasil, os norte-americanos agora querem impedir a entrada destes produtos. Em setembro, os EUA importaram 49% a mais carne bovina do Brasil do que em igual período do ano passado. A participação da proteína brasileira nas importações totais norte-americanas subiu para 9,7% até setembro, bem acima dos 5,6% de igual período do ano passado.

O projeto de testador, que é democrata de Montana, segue pressões políticas de produtores de gado dos EUA que exigem a suspensão de importações de carne bovina brasileira devido a questões sobre quais processos o Brasil utiliza para detectar doenças animais e outras possíveis possíveis anteriores de alimentos para consumidores.

O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, suspendeu as exportações para seu parceiro principal, a China, após a confirmação, no início de setembro, de dois casos “atípicos” da doença da vaca louca – ou encefalopatia espongiforme bovina (EEB) – em duas unidades distintas domésticas.

Mas os casos foram detectados em junho, bem antes de serem relatados para parceiros comerciais na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), de acordo com uma carta enviada no dia 12 de novembro pela Associação Nacional de Produtores de Carne para o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

O USDA, que regula importações de carne para os Estados Unidos, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Os Estados Unidos importaram 62,3 milhões de dólares de carne bovina e produtos de carne bovina do Brasil nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 36% em relação ao mesmo período um ano antes, de acordo com dados comerciais norte-americanos. Em volume total, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de importações de carne bovina e produtos para os EUA no período, atrás apenas do México.

Foto Divulgação

MAPA falhou e o prejuízo poderia ter sido menor

Infelizmente, o que foi dito pelos pecuaristas americanos e pela carta/projeto do Senador, não estão erradas. Comentado logo no final de setembro pela mídia e vários pecuaristas brasileiros, o MAPA falhou na comunicação e investigação dos casos atípicos de vaca louca.

Detectado no final de junho, os casos foram “escondidos” pelo Governo brasileiro em um momento crucial para o pecuarista da terminação, o momento de decidir entre confinar ou não. Com o avanço das exportações e projeções de compras da China, os pecuaristas se sentiram motivados e a intenção de confinamento cresceu.

Infelizmente, muitos pecuaristas deixaram de ganhar cerca de R$ 1300,00 por boi gordo que foi para o confinamento. Se o mercado tivesse sido informado, ainda em junho, provavelmente o valor da arroba hoje seria de R$ 350,00/@, e a China já teria quebrado a suspensão com o prazo de 10 a 15 dias, assim como no passado.

Situações como essas, devem ser informadas seguindo os protocolos dos acordos comerciais que, neste caso, previa a informação ainda em junho. Além disso, situações como essas, acabam descreditando o produto de qualidade que os pecuaristas estão produzindo, trazendo prejuízo para o setor!

Cenários para 2022

As primeiras avaliações são de que 2022 poderá ser um período mais normal do que foi este ano, deteriorado pela pandemia, trava chinesa nas importações e redução na oferta de animais para abate. O cenário para os produtores, porém, será de custos mais elevados no próximo ano e de necessidade de melhor gestão. Para os consumidores, as notícias também não são boas. Os preços podem estabilizar, mas não voltam aos patamares de há dois anos, quando eram menores.

Para Ronaldo Carneiro Teixeira, coordenador-geral de planejamento e avaliação zoossanitária do Ministério da Agricultura, o rebanho será maior, mas terá um crescimento lento. Tecnologia no manejo, genética melhor, cuidados na alimentação e melhorias nas pastagens vão provocar esse crescimento.

Angela Lordão, gerente de pecuária do IBGE, acrescenta que a oferta ainda será reduzida nos próximos meses, mas que a retenção de matrizes feita pelos pecuaristas deverá melhorar a oferta. O próximo ano será um período de mais bezerros, devido a essa retenção de fêmeas.

Para Rafael Ribeiro de Lima Filho, assessor técnico da CNA, o mercado interno de carne bovina ainda perde competitividade no próximo ano, em relação às demais carnes, devido aos preços elevados. A necessidade de importações da China, porém, deverá garantir mercado para o produto do Brasil.

Sergio de Zen, diretor da Conab, afirma que a redução dos preços internacionais, principalmente devido à interrupção de compras pela China no Brasil nestes meses, deu fôlego a outros países para entrar nesse mercado. Embora os custos vão aumentar, ele acredita que todos os setores agropecuários terão margens no próximo ano, embora mais acomodadas.

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