Famosa empresa de plant-based já perdeu mais de 90% de seu valor

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empresa Beyond Meat - plant-based
Foto: Divulgação

A empresa americana de proteínas vegetais Beyond Meat continua a enfrentar problemas com a recessão global e o baixo nível de consumo de seus produtos

A Beyond Meat – uma das pioneiras das carnes plant-based – quando surgiu para o mundo e abriu capital na bolsa de valores de Nasdaq, em Nova York, recebeu inúmeros adjetivos: “food tech”, “revolucionária”, “vai resolver a fome no mundo”, “comida mais gostosa e saudável”, “sem maus-tratos aos animais”, “ambientalmente correta” e muitos outras qualidades que faziam da empresa o melhor investimento do mundo. Isso lá em 2019, logo antes da pandemia causada pelo coronavírus.

O gráfico abaixo mostra o valor das ações da empresa na bolsa. Pra quem acreditou na empresa revolucionária, perdeu praticamente 90% do seu dinheiro investido, em julho de 2019 ela chegou a valer US$D 234,90/ação e hoje vale míseros USD 15,69 uma queda de 93,5%.

acoes da beyond meat
Foto: Divulgação

A queda acachapante não deve-se aos consumidores cruéis e sem coração, mas sim de uma empresa que nunca deu lucro, demitiu dezenas de funcionários, e vem queimando os estoques com promoções bem generosas. Os investidores estão preocupados com a queda nas vendas da empresa e o aumento do ceticismo em relação às proteínas alternativas, segundo o Financial Times.

Em agosto a empresa comunicou que continua a enfrentar problemas com a recessão global e o baixo nível de consumo de seus produtos. A companhia divulgou ter tido um prejuízo de US$ 97,1 milhões no segundo trimestre, em comparação com um resultado também negativo de US$ 19,7 milhões no mesmo período do ano passado. No semestre o prejuízo chegou a US$ 197,6 milhões, na comparação com US$ 46,9 milhões um ano antes.

A Beyond Meat também reduziu sua previsão de vendas para o ano inteiro para algo entre US$ 470 milhões e US$ 520 milhões, abaixo da previsão anterior de US$ 560 milhões para US$ 620 milhões.

O presidente-executivo da companhia, Ethan Brown, disse que a inflação vai impedir o alcance da meta anterior. Brown lembrou que a carne moída à base de plantas da empresa estava sendo vendida recentemente a US$ 8 o quilo nos EUA, enquanto a carne moída real custava cerca de US$ 5 o quilo. Brown também disse que a empresa se concentrará na redução de despesas operacionais e custos de fabricação durante o resto do ano.

O médico-veterinário, Mestre e Doutor em Tecnologia de Alimentos pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e Idealizador do “Falando de Carne”, Sérgio Bertelli Pflanzer, comentou sobre a empresa em suas redes sociais. “Não fico feliz por ver uma empresa quebrando. Mas também não fico triste, pois isso nunca passou de uma ilusão carregada de mentiras. Cada um escolhe o que produzir e o que comer (quando tem condições). Mas tem que ser honesto e transparente com as informações. Chega de ilusão. A verdade tarda mas não falha. Plant-based (que imitam algo) sempre foi, é, e sempre será algo que poucos vão comer.”

Proteína animal é 90% diferente de plant-based, diz Nature

A prestigiosa revista científica Nature publicou, recentemente, um estudo que mostra uma diferença de 90% entre os plant based e as proteínas de origem animal no metabolismo nutricional de humanos. A pesquisa, assinada por sete cientistas da Universidade de Duke, visou comparar os produtos em face à nova onda de “carnes vegetais”, que tem atraído consumidores, a fim de, efetivamente, avaliar se tais produtos são substitutos nutricionais à carne.

CARNE BOVINA APRESENTOU 22 ELEMENTOS NUTRICIONAIS A MAIS QUE A “CARNE VEGETAL”.

Para isso, os pesquisadores fizeram uma comparação metabólica entre 18 amostras de um produto plant based e carne moída convencional de gado angus criado a pasto. Apesar das semelhanças nos rótulos nutricionais, a análise metabólica apontou diferença de 90% em metabólitos entre os produtos.

Os metabólitos são compostos intermediários que são gerados ou sintetizados a partir do início da digestão dos alimentos, ou seja, quando os ingredientes começam a ser digeridos por enzimas. Na comparação do estudo laboratorial, os resultados foram bastante diferentes.

Entre os nutrientes em comum, a carne convencional de gado permitiu a digestão de 190 metabólitos, enquanto os plant based não sintetizou 171 deles. Além disso, 22 elementos nutricionais estavam presentes apenas na carne bovina e outros 51 tiveram níveis menores nos plant-based.

O artigo contou com a colaboração do Prof. Sérgio Bertelli Pflanzer

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