Costelada da Integração, realizada em Sidrolândia, chegou à 14ª edição em 2026, recebeu mais de 1,5 mil pessoas e agora integra o Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul
Uma festa construída em torno da costela no fogo de chão, da cultura gaúcha e da integração entre famílias e produtores rurais ganhou reconhecimento estadual em Mato Grosso do Sul. A Costelada da Integração, promovida pelo CTG Campos da Vacaria, em Sidrolândia, passou a integrar o Calendário Oficial de Eventos do Estado após a sanção da Lei nº 6.638, de 5 de outubro de 2026.
A medida chega depois de mais de uma década de realização do encontro. Em 2025, a 13ª edição reuniu mais de 1,2 mil participantes. Já em 2026, a festa chegou à 14ª edição e ultrapassou 1,5 mil pessoas, segundo cobertura realizada durante o evento. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Costelada da Integração entra no calendário oficial de Mato Grosso do Sul
A Lei nº 6.638 foi sancionada pelo governador Eduardo Riedel e publicada no Diário Oficial do Estado em 6 de outubro. A norma inclui formalmente a Costelada da Integração no calendário instituído pela Lei estadual nº 3.945, de 2010.
O texto estabelece que o evento seja comemorado anualmente no segundo domingo de julho, em Sidrolândia, sob promoção do Centro de Tradições Gaúchas Campos da Vacaria.
A proposta que originou a nova legislação foi apresentada em junho pelo deputado estadual Gerson Claro (PP), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
Na justificativa do projeto, a festa foi apresentada como uma iniciativa de relevância cultural, social, turística e econômica para a região, especialmente por aproximar famílias, tradicionalistas, produtores rurais e moradores de diferentes municípios.
O reconhecimento estadual não significa que a Costelada tenha sido declarada patrimônio cultural. A legislação aprovada é específica: inclui o evento no calendário oficial de Mato Grosso do Sul.
Festa chegou à 14ª edição com 1,8 tonelada de costela
A dimensão alcançada pelo encontro aparece nos números das últimas edições. Em 2025, quando chegou à 13ª realização, a Costelada reuniu mais de 1,2 mil participantes, de acordo com informações divulgadas pela Assembleia Legislativa.
Em 2026, o encontro cresceu. A 14ª edição foi realizada em 5 de julho, no CTG Campos da Vacaria, e ultrapassou a marca de 1,5 mil pessoas, conforme registro do Região News feito durante a programação.
Para atender ao público, foram preparados 1.800 quilos de costela. O assado começou ainda na noite anterior e atravessou a madrugada, mobilizando voluntários responsáveis pelo preparo da carne.
Além da gastronomia, a programação contou com música e apresentações tradicionalistas. A estrutura também recebeu uma pequena exposição de veículos, tratores e implementos agrícolas, reforçando a ligação do encontro com uma comunidade fortemente inserida no meio rural.
A costela preparada lentamente junto ao fogo é uma das referências da culinária tradicionalista. O preparo também aparece em outras celebrações da cultura do churrasco e do fogo de chão, preservada por CTGs e comunidades de diferentes regiões do país.
De festa local a evento reconhecido pelo município e pelo Estado
O reconhecimento estadual não foi o primeiro conquistado pela Costelada em 2026.
Em 1º de julho, a Lei Municipal nº 2.374 incluiu o encontro no Calendário Oficial de Eventos Turísticos de Sidrolândia. A norma municipal teve origem no Projeto de Lei nº 35/2026, de autoria do vereador Otacir Figueredo, o Gringo (PP), aprovado pela Câmara Municipal em junho.
Pouco mais de três meses depois, veio a inclusão no calendário estadual.
A legislação cria uma referência permanente para a realização da festa. Há, entretanto, uma diferença entre a data estabelecida nas normas e a utilizada na última edição: em 2026, a Costelada aconteceu no primeiro domingo do mês, 5 de julho, enquanto a legislação determina o segundo domingo de julho.
Não foi localizada, nas fontes consultadas, uma explicação oficial para essa diferença.
Produtores e visitantes ajudam a ampliar o alcance regional
Embora tenha origem em Sidrolândia, a Costelada passou a atrair participantes de outras partes de Mato Grosso do Sul.
Na justificativa apresentada durante a tramitação estadual, foram mencionados visitantes de Bonito, Nioaque, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Rio Brilhante e Dourados, além do público do próprio município.
Essa circulação ajuda a explicar por que turismo e atividade econômica aparecem entre os argumentos usados para a inclusão da festa no calendário estadual. Um evento com mais de mil participantes pode ampliar temporariamente a procura por alimentação, transporte, comércio e serviços.
Não foi encontrado, porém, levantamento público que quantifique em reais o impacto econômico da Costelada sobre Sidrolândia. Por isso, não é possível afirmar quanto o encontro efetivamente movimenta no município.
A relação com o campo também é significativa em uma cidade fortemente ligada à agropecuária. Sidrolândia tem presença relevante de atividades como agricultura e pecuária e recentemente esteve no centro de discussões envolvendo a valorização das terras rurais e seus reflexos para produtores.
Na Costelada, essa ligação aparece não apenas pela participação de produtores, mas também pela presença de máquinas e implementos agrícolas na programação de 2026.
Gastronomia mantém viva a identidade tradicionalista
O crescimento da Costelada ocorre em torno de um elemento simples: reunir pessoas à mesa.
Na edição de 2026, além da costela, foram servidos acompanhamentos tradicionais como mandioca, arroz, salada e cuca. Apresentações das invernadas juvenil e mirim do CTG ajudaram a completar a programação cultural.
A gastronomia exerce papel importante na preservação dessas tradições. Práticas como o preparo da costela e o consumo do chimarrão como elemento da cultura gaúcha atravessaram gerações e se espalharam para além do Sul do Brasil, acompanhando movimentos migratórios e a formação de comunidades tradicionalistas em outras regiões.
É justamente essa combinação entre alimentação, convivência e memória cultural que ajuda a explicar a permanência de encontros promovidos por CTGs.
No caso de Sidrolândia, a continuidade por 14 edições transformou uma iniciativa da comunidade tradicionalista em um evento capaz de receber mais de 1,5 mil pessoas.
Próxima Costelada já mira público maior
Com a inclusão no calendário estadual, a organização já projeta a próxima edição. Em declaração publicada pelo Sidrolândia Agora, o patrão do CTG Campos da Vacaria, Hannibal de Abreu, afirmou que a entidade pretende trabalhar para que a 15ª edição, em 2027, alcance 2 mil participantes.
Trata-se de uma meta anunciada pela organização, e não de uma projeção oficial de público.
A inclusão no calendário de Mato Grosso do Sul oferece reconhecimento institucional a uma festa que cresceu principalmente pela continuidade. O próximo passo será observar se essa condição se traduzirá em aumento de público e maior alcance regional.
Por enquanto, os dados mostram uma trajetória consistente: mais de uma década de realização, 14 edições concluídas, público superior a 1,5 mil pessoas em 2026 e uma celebração rural que saiu do calendário de Sidrolândia para conquistar também um lugar permanente no calendário estadual.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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