Filé mignon custa 38% mais no Brasil que na Argentina, aponta estudo

Levantamento da Fundación Mediterránea mostra que a carne brasileira é mais barata no conjunto de cortes comparáveis, mas filé mignon e carne moída seguem na direção contrária.

O filé mignon vendido no Brasil custa 38% mais que o comercializado na Argentina, segundo levantamento do economista Juan Manuel Garzón, da Fundación Mediterránea. A diferença contrasta com o resultado geral da pesquisa: considerando cortes equivalentes disponíveis nos dois mercados, os preços brasileiros ficaram 10% abaixo dos argentinos, informa reportagem do jornal Clarín.

Realizado em outubro de 2026, o trabalho comparou preços em lojas online de supermercados e estabelecimentos especializados de nove países. Os valores foram expressos em dólares por quilo, com impostos incluídos, e complementados por informações oficiais e setoriais.

Carne moída também custa mais no Brasil

Além do filé mignon, as duas categorias de carne moída apresentaram preços superiores aos argentinos. Na versão comum, a diferença chegou a 73%; na especial, foi de 10%.

O resultado mostra que a vantagem brasileira no conjunto pesquisado não se repete em todos os produtos. Há cortes mais baratos no varejo nacional, enquanto outros apresentam diferença expressiva em favor do consumidor argentino.

No mercado brasileiro, a formação desses valores envolve diferentes etapas. Como já detalhou o Compre Rural ao analisar a pressão da inflação da carne sobre o bolso dos brasileiros, o preço final incorpora custos industriais, transporte, distribuição, tributos e margens comerciais.

Brasil e Paraguai têm os menores preços na comparação

Entre os países analisados, apenas Brasil e Paraguai ficaram abaixo da Argentina no índice de cortes equivalentes. Os preços paraguaios foram 19% menores.

Na outra ponta, os valores ficaram aproximadamente 10% maiores no Uruguai, 17% no Chile, entre 48% e 50% na Austrália e na Nova Zelândia, 59% no Canadá e 82% nos Estados Unidos.

As diferenças internacionais convivem com movimentos próprios de cada mercado. No Brasil, o Compre Rural também mostrou como a oferta limitada e a demanda externa sustentam a valorização da carne bovina no atacado.

Preço menor não significa maior poder de compra

O levantamento exige uma ressalva: a comparação não representa o gasto efetivo de uma família, pois os indicadores não são ponderados pelo consumo. Para calcular as diferenças internacionais, o estudo considera os produtos comuns entre cada mercado e a Argentina.

Assim, os resultados ajudam a comparar os preços dos cortes, mas não permitem concluir onde a população compra carne com mais facilidade. Essa avaliação também depende da renda dos consumidores.

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