Newcastle em SC pode afetar exportações de aves e pressionar preços, alerta Safras

Foco em granja de perus coloca compradores internacionais no radar; segundo a consultoria, eventuais restrições podem aumentar pontualmente a oferta de frango e peru no mercado interno

A confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, acendeu um alerta para as exportações brasileiras de aves. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (19), a Safras Consultoria avalia que o episódio pode provocar restrições temporárias às vendas internacionais, com abrangência definida pelos protocolos sanitários de cada país comprador.

O principal risco econômico está no alcance dessas possíveis medidas: uma ocorrência localizada pode afetar embarques estaduais ou até nacionais, dependendo do destino. A consultoria ressalta, entretanto, que, até o fechamento do documento, o Ministério da Agricultura ainda não havia divulgado a lista oficial de suspensões relacionadas ao caso catarinense. Os cenários apresentados utilizam como referência o foco registrado no Rio Grande do Sul em 2024.

China é o principal ponto de atenção

“China é a variável-chave”, afirma a Safras. A preocupação envolve tanto uma eventual interrupção das compras quanto as condições estabelecidas para a retomada dos embarques.

A relevância desse mercado já foi abordada pelo Compre Rural ao mostrar como a demanda chinesa por carne de frango influencia as exportações brasileiras.

Segundo o comunicado, o precedente de 2024 mostra que a reabertura das compras do Brasil pode ocorrer com a manutenção de restrições ao estado onde o foco foi identificado.

“O risco relevante é a reabertura ao Brasil com exclusão de SC”, destaca a consultoria.

Para frigoríficos e produtores integrados, isso significa que a normalização das exportações nacionais não garantiria a recuperação imediata dos embarques catarinenses. A duração das barreiras e sua abrangência serão decisivas para dimensionar o impacto econômico.

Santa Catarina amplia a exposição comercial

A Safras destaca que Santa Catarina é o segundo maior exportador brasileiro de carne de frango, atrás do Paraná, além de concentrar uma parcela importante da cadeia de perus.

“Uma restrição estadual agora atinge um polo exportador de maior peso e o núcleo da cadeia de perus”, afirma o documento.

Na prática, eventuais suspensões podem exigir mudanças no destino das cargas e na programação dos frigoríficos. O efeito dependerá dos produtos alcançados, dos compradores envolvidos e do tempo necessário para restabelecer a certificação sanitária.

O episódio também coloca sob atenção as expectativas de expansão comercial. O Compre Rural já havia destacado a projeção de exportação de 600 mil toneladas de carne de frango à China em 2026 após a reabertura do mercado.

Possíveis restrições podem refletir nos preços internos

No mercado doméstico, a avaliação da Safras é condicionada à evolução comercial: se as restrições forem confirmadas e se prolongarem, parte dos produtos destinados à exportação poderá permanecer no país.

Isso pode aumentar pontualmente a oferta em Santa Catarina e provocar reflexos nos preços de frango e peru no atacado regional. A consultoria considera, porém, que o efeito tende a ser limitado e temporário, conforme as empresas encontrem outros compradores.

“Redirecionamento amortece o choque”, resume o comunicado. Segundo a Safras, essa alternativa ajudou a reduzir os impactos comerciais em 2024. Paraná e outros estados também podem absorver parte da demanda internacional.

Para a cadeia produtiva, os próximos pontos de atenção são as decisões oficiais dos importadores, a delimitação das áreas sujeitas a restrições e a evolução do controle sanitário. Até a posição de cada comprador ser conhecida, os possíveis embargos permanecem como cenários de risco apresentados pela consultoria.

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