Foco de gripe aviária é encerrado após inspeção em 70 propriedades no RS

Fiscalização em Selbach não identificou novas suspeitas da doença no entorno da criação atingida; uma granja comercial localizada no raio de dez quilômetros estava sem aves alojadas

O foco de gripe aviária em Selbach, na região do Alto Jacuí, no Rio Grande do Sul, foi considerado encerrado após uma operação do Serviço Veterinário Oficial inspecionar 70 propriedades localizadas no raio de três quilômetros da criação onde a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) havia sido confirmada. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado (Seapi), nenhuma nova suspeita da doença foi encontrada durante as vistorias realizadas até quarta-feira, 7 de outubro.

A ação também alcançou uma granja comercial situada no raio de dez quilômetros do foco. O estabelecimento, entretanto, estava sem aves alojadas no momento da fiscalização. O resultado encerra a resposta emergencial relacionada diretamente à ocorrência, mas não significa o fim do monitoramento sanitário na região, que seguirá sob acompanhamento das equipes estaduais. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Foco de gripe aviária em Selbach terminou sem novas suspeitas

As equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal visitaram as criações localizadas no entorno da propriedade afetada, avaliaram as condições sanitárias das aves e levantaram informações epidemiológicas junto aos responsáveis pelos estabelecimentos.

Ao final do trabalho, não foram identificados animais com sinais que levassem à abertura de uma nova suspeita de influenza aviária entre as propriedades verificadas. Foi esse resultado que levou a diretora do DDA, Rosane Collares, a informar oficialmente que o foco poderia ser considerado encerrado.

A conclusão atualiza o cenário divulgado um dia antes. Quando a ocorrência foi anunciada, o planejamento previa visitas a 68 propriedades, informação registrada também na matéria sobre o novo foco de gripe aviária em Selbach e o início da vigilância sanitária. O balanço final da Secretaria apontou duas propriedades a mais na operação, chegando às 70 inspeções.

Caso foi confirmado após mortalidade de aves

A ocorrência começou a ser investigada após uma notificação de mortalidade recebida pelo serviço veterinário estadual em 1º de outubro de 2026. Técnicos foram até a propriedade, coletaram material e encaminharam as amostras para diagnóstico laboratorial.

O resultado positivo foi confirmado em 5 de outubro pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade da rede oficial de diagnóstico do Ministério da Agricultura e Pecuária.

O vírus foi identificado em aves de subsistência, ou seja, animais mantidos em criação doméstica e fora do sistema industrial de produção avícola. Não houve confirmação da enfermidade em granja comercial relacionada ao episódio de Selbach.

O Rio Grande do Sul já havia registrado, em julho, outro foco de IAAP em aves de subsistência, desta vez em Coqueiros do Sul, na região Noroeste. Na ocasião, a Secretaria estadual informou que a ocorrência não alterava a condição sanitária da produção comercial. O episódio foi detalhado na reportagem sobre a confirmação de gripe aviária em aves de criação doméstica no Rio Grande do Sul.

Vistorias foram concluídas em menos de 24 horas

Segundo a Seapi, o Serviço Veterinário Oficial conseguiu concluir em menos de 24 horas as inspeções dentro do perímetro de três quilômetros estabelecido ao redor do foco.

Além das avaliações diretamente nas propriedades, houve orientação à comunidade e atuação em estabelecimentos agropecuários da região. O objetivo foi identificar rapidamente qualquer possível sinal de disseminação do vírus e reforçar a comunicação de ocorrências suspeitas.

A resposta rápida é relevante porque a influenza aviária pode se disseminar entre aves e exige investigação imediata diante de mortalidade elevada e repentina ou alterações respiratórias e neurológicas. A orientação oficial é que situações desse tipo sejam comunicadas ao serviço veterinário, evitando que pessoas manipulem aves doentes ou encontradas mortas.

Por que um foco em aves de subsistência exige vigilância

Embora o episódio de Selbach não tenha atingido um plantel comercial, focos em aves domésticas mantidas fora de granjas industriais também demandam ações de contenção e acompanhamento.

O contato entre pequenas criações e aves silvestres pode representar uma via de introdução do vírus. Por isso, a identificação de uma ocorrência leva à investigação das criações próximas, especialmente para verificar se houve disseminação para outras propriedades.

A proteção das granjas comerciais tem peso sanitário e econômico para o Brasil. Em maio de 2025, o país registrou em Montenegro (RS) seu primeiro e, até então, único foco de IAAP em uma granja comercial, um matrizeiro. O episódio provocou restrições temporárias de diferentes mercados à carne de aves brasileira. Após as medidas de limpeza, desinfecção e o cumprimento do período sanitário previsto, o Brasil voltou a se autodeclarar livre da doença em granjas comerciais em junho daquele ano.

Essa diferença entre produção comercial e outras populações de aves ajuda a explicar por que ocorrências como a de Selbach exigem resposta rápida, mesmo sem representar automaticamente um novo problema sanitário para a avicultura industrial.

Vigilância contra a doença continua no Rio Grande do Sul

O encerramento anunciado pela Seapi se refere especificamente ao foco identificado em Selbach. A Secretaria deixou claro que as equipes locais continuarão acompanhando propriedades e mantendo atenção para eventuais novas notificações.

Para produtores, a recomendação é observar mudanças repentinas no comportamento ou na saúde das aves, principalmente aumento incomum de mortalidade, alterações respiratórias, problemas neurológicos e queda abrupta de indicadores produtivos.

A estratégia de monitoramento não está restrita ao Rio Grande do Sul. Programas de vigilância de influenza aviária e doença de Newcastle são realizados em diferentes regiões do país para ampliar a capacidade de detecção precoce. Em 2026, por exemplo, o Paraná concluiu mais um ciclo de vigilância ativa para influenza aviária e doença de Newcastle.

Também permanece relevante o acompanhamento de aves silvestres, que fazem parte da vigilância epidemiológica da doença. No próprio Rio Grande do Sul, focos identificados anteriormente em aves silvestres na região da Reserva do Taim levaram à adoção de ações sanitárias específicas, como mostra o registro sobre a presença de gripe aviária em aves silvestres no estado.

Carne de aves e ovos não transmitem gripe aviária pelo consumo

A ocorrência também não altera a orientação aos consumidores. Tanto o Ministério da Agricultura quanto a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul esclarecem que não há evidência de transmissão da influenza aviária por meio do consumo de carne de aves ou ovos.

O risco para seres humanos está relacionado principalmente à exposição direta ou indireta a aves infectadas, suas secreções ou ambientes contaminados. Casos de transmissão para pessoas são considerados raros, mas autoridades sanitárias recomendam que aves doentes ou mortas não sejam recolhidas ou manipuladas sem orientação oficial.

No Rio Grande do Sul, qualquer ocorrência suspeita pode ser comunicada à Inspetoria de Defesa Agropecuária responsável pela região ou pelos canais disponibilizados pela Seapi.

Com as 70 propriedades vistoriadas sem novos registros, o episódio de Selbach encerra sua fase emergencial sem evidências de avanço para outras criações do perímetro inspecionado. A continuidade da vigilância, no entanto, permanece necessária para identificar rapidamente qualquer nova circulação do vírus e reduzir o risco de chegada às granjas comerciais.

VEJA MAIS:

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
RESUMIR COM:
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.