Novo foco de gripe aviária é confirmado no RS e 68 propriedades entram em vigilância

Influenza Aviária de Alta Patogenicidade foi detectada em aves de subsistência em Selbach, no Alto Jacuí; equipes sanitárias vão percorrer propriedades em um raio de três quilômetros do foco

Um novo foco de gripe aviária em Selbach, na região do Alto Jacuí, no Rio Grande do Sul, mobilizou o Serviço Veterinário Oficial do Estado. A ocorrência de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) foi identificada em aves de subsistência, e o diagnóstico foi confirmado em 5 de outubro de 2026 pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP).

O caso não ocorreu em uma granja comercial. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) informou que uma equipe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) atendeu, em 1º de outubro, uma notificação de mortalidade de aves. Amostras foram coletadas e encaminhadas para diagnóstico laboratorial.

Gripe aviária em Selbach leva equipes a 68 propriedades

Com a confirmação, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul programou visitas a 68 propriedades localizadas em um raio de três quilômetros do foco. Também estão previstas ações de educação sanitária e orientação à população.

O número exige uma distinção importante: não existem 68 propriedades com casos confirmados de gripe aviária. Elas estão dentro da área delimitada para o trabalho de vigilância epidemiológica e serão visitadas pelas equipes responsáveis.

O objetivo é verificar a existência de outras aves com sinais compatíveis com a doença e identificar rapidamente qualquer possível circulação adicional do vírus.

A estratégia faz parte da vigilância oficial contra a influenza aviária no país. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), notificações suspeitas são investigadas pelo Serviço Veterinário Oficial e, quando os critérios epidemiológicos indicam uma suspeita provável, são realizadas coleta de material, investigação e adoção de medidas para proteger os plantéis da região.

Caso ocorreu em criação de subsistência, não na avicultura comercial

A classificação da propriedade onde ocorreu o foco é especialmente relevante para avaliar seus possíveis impactos. As aves eram de subsistência, portanto o episódio não deve ser tratado como um novo foco dentro de uma granja comercial brasileira.

O Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) informa que o Brasil permanece livre de influenza aviária na avicultura comercial e registra como único foco comercial da doença aquele identificado em maio de 2025.

Na ocasião, a IAAP foi confirmada em uma granja de aves reprodutoras no município de Montenegro, também no Rio Grande do Sul. Depois das medidas de erradicação, desinfecção e cumprimento do período sanitário estabelecido, o Brasil recuperou sua condição de livre da doença na produção comercial.

A diferenciação entre aves comerciais, de subsistência e silvestres é relevante também para o comércio internacional. A detecção do vírus fora da produção comercial não significa, por si só, perda da condição sanitária da avicultura industrial brasileira.

Em julho de 2026, o Rio Grande do Sul já havia registrado outro episódio envolvendo aves de subsistência em Coqueiros do Sul, na região Noroeste. Naquela ocorrência, o diagnóstico também foi confirmado pelo LFDA de Campinas e não houve registro associado em granjas comerciais.

Por que um foco em aves domésticas exige atenção

Embora o caso de Selbach não tenha ocorrido na produção industrial, a presença do vírus em aves domésticas exige resposta sanitária rápida. A influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e silvestres e, em determinadas circunstâncias, também pode infectar mamíferos.

A IAAP recebe essa classificação devido à capacidade de determinadas variantes do vírus provocarem quadros graves e elevada mortalidade em aves suscetíveis.

O risco para a cadeia produtiva está na possibilidade de introdução do agente em plantéis comerciais. Por isso, propriedades próximas a uma ocorrência confirmada passam a receber atenção das autoridades veterinárias, especialmente quando existe possibilidade de contato entre aves domésticas, aves silvestres, pessoas, veículos ou equipamentos que circulam entre diferentes locais.

O próprio sistema brasileiro de vigilância inclui monitoramento tanto na avicultura industrial quanto em aves de subsistência localizadas em áreas consideradas de maior risco para introdução da influenza aviária.

Biosseguridade ganha importância nas propriedades

Para produtores e criadores de aves, a ocorrência reforça a necessidade de manter medidas de biosseguridade mesmo em propriedades pequenas. Reduzir o contato de aves domésticas com aves silvestres é uma das medidas que ajudam a diminuir as possibilidades de introdução do vírus.

Água e alimentos destinados aos animais também devem permanecer protegidos de contaminação por aves externas. Equipamentos, calçados e outros materiais utilizados nas instalações merecem atenção, assim como a circulação desnecessária de pessoas nos locais onde os animais são mantidos.

Outro ponto fundamental é a notificação precoce. No Rio Grande do Sul, a Seapi orienta comunicar suspeitas que envolvam mortalidade alta e súbita ou sinais respiratórios e neurológicos.

Pessoas que encontrarem aves doentes, feridas ou mortas não devem tentar recolhê-las ou prestar atendimento por conta própria. A recomendação oficial é evitar a aproximação e comunicar a ocorrência aos órgãos responsáveis.

As medidas de prevenção permanecem relevantes em todo o país. Em 2026, o Ministério da Agricultura prorrogou o estado de emergência zoossanitária relacionado à gripe aviária, mantendo instrumentos destinados à prevenção e à resposta diante da circulação do vírus.

Carne e ovos não transmitem a doença pelo consumo

A confirmação do foco também não significa que carne de frango e ovos tenham se tornado fontes de transmissão da influenza aviária para consumidores.

A Seapi esclareceu, ao anunciar a ocorrência de Selbach, que não há risco relacionado à ingestão de carne e ovos, pois a doença não é transmitida pelo consumo desses alimentos.

Os cuidados sanitários estão relacionados principalmente à exposição direta a animais infectados, suas secreções, excreções e ambientes contaminados. Casos de infecção humana são raros, mas justificam a recomendação de não manipular animais suspeitos.

Vigilância busca impedir avanço do vírus

A experiência brasileira com o foco comercial registrado em 2025 demonstrou a importância econômica de impedir que a influenza aviária alcance estabelecimentos comerciais. Naquele episódio, diferentes mercados adotaram restrições temporárias aos produtos avícolas brasileiros até que as medidas sanitárias fossem concluídas e a condição sanitária do país fosse restabelecida.

Por isso, mesmo uma ocorrência restrita a aves de subsistência demanda investigação epidemiológica e acompanhamento das propriedades próximas.

Em Selbach, o principal ponto a acompanhar agora será o resultado das visitas às 68 propriedades situadas no raio de três quilômetros. Até o momento da publicação desta reportagem, a confirmação oficial divulgada pela Seapi se refere ao foco identificado nas aves de subsistência que originaram a investigação.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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