
Nessa semana, algumas indústrias frigoríficas estão fora das compras, trabalhando com escalas de abate alongadas e buscando “boi barato” no mercado; Preços seguem pressionados mesmo diante da menor oferta de animais para abate.
O mercado físico do boi gordo registrou preços de mais baixos a estáveis, a depender da praça pecuária avaliada, nesta quarta-feira, 19. O mês de julho é marcado pela entressafra e, apesar da baixa e ajustada disponibilidade de animais prontos para o abate, as cotações do boi gordo seguem recuando neste meio de semana em algumas praças brasileiras, estimuladas principalmente pela saída de muitas unidades frigoríficas dos negócios.
Algumas indústrias frigoríficas estão fora das compras, trabalhando com escalas de abate alongadas. Cenário esse que deixa o mercado truncado e sem fatores que possibilitem um movimento alta nas cotações, pelo contrário, há ofertas de compra abaixo da referência de preço praticada, informou a Scot Consultoria. “Algumas regiões do País registraram efetivações de novas negociações abaixo das mínimas vigentes, fortalecendo o viés de queda no mercado físico do boi gordo”, ressaltam os analistas.
As cotações de todas as categorias estão estáveis na comparação feita dia a dia, nas praças pecuárias paulistas. Com isso, a arroba do boi gordo está sendo negociada em R$240,00, a da vaca gorda em R$212,00 e a da novilha gorda em R$230,00, preços brutos e a prazo, informou a Scot em seu relatório diário.
A cotação do “boi China” – animal abatido jovem com até 30 meses de idade – segue com maior demanda diante, principalmente, do bom apetite da China, maior comprador de carne bovina brasileira, está em R$250,00/@, preço bruto e a prazo. Ágio de R$10,00/@ em relação ao boi comum.
Ainda em relação ao preço do boi gordo no país, o INDICADOR DO BOI GORDO CEPEA/B3, fechou o dia de ontem com uma variação negativa, novamente, e já acumula queda de 3,17% na comparação mensal. Dessa forma, os preços médios ficaram cotados em R$ 246,15/@, ou seja, o valor é mais de R$ 8,00/@ mais barato do que o valor no último dia útil de junho. Confira o gráfico abaixo.
Na avaliação da S&P Global, o enfraquecimento nos preços no mercado futuro do boi gordo desestimulam muitos produtores em lançar mão da engorda nos confinamentos para o segundo semestre. Na B3, os contratos futuros para este ano permanecem abaixo dos R$ 250/@, informa a consultoria. No mercado futuro, o contrato com vencimento para dez/23 foi o único com reajuste diário positivo (0,55%), ficando em R$ 254,30/@.

Mesmo com a falta de conforto nas escalas em grande parte do país, os fatores de demanda impedem qualquer possível aumento nos preços.
A situação da carne bovina é bastante complicada, com um escoamento lento e indústrias enfrentando estoques elevados, de acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da SAFRAS & Mercado.
Iglesias destaca que grande parte das dificuldades enfrentadas pelos frigoríficos pode ser atribuída à carne de frango, que continua com uma oferta excessiva, resultando em quedas intensas nos preços tanto no atacado quanto no varejo. Isso tem aumentado significativamente a competitividade em relação à carne bovina.
Giro do boi gordo pelo Brasil
- Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 245.
- Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 236.
- Já em Cuiabá, o valor indicado foi de R$ 213.
- Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 225 por arroba do boi gordo.
- Em Uberaba (MG), o preço da arroba ficou em R$ 242.
O que segurou a alta do boi gordo em MT?
O diferencial de base entre MT e SP fechou a 1ª quinzena de jul/23 em 16,51%, alargamento de 0,82 p.p. ante ao mesmo período de jun/23, o que reforça o maior distanciamento entre as praças. Esse movimento foi reflexo da maior valorização do boi gordo em SP, que esteve em R$ 258,12/@ na parcial de jul/23 (alta de 4,28% no mesmo comparativo), segundo o CEPEA/USP. Já MT apresentou recuperação mais tímida, e ficou cotado em R$ 215,50/@ no período — aumento de 3,27% — (cotações a prazo e livre de impostos).

O que segurou a alta do boi gordo em MT foi o alongamento nas escalas de abates, uma vez que as indústrias reduzem o apetite por novos negócios, visto os estoques bem abastecidos. Por fim, a oferta de fêmeas acima da média nesse ano tende a ser um fator negativo para a recuperação sazonal nos preços do boi gordo que costuma ser vista no 2º semestre do ano.
Atacado
Segundo a Agrifatto, o atacado e no varejo, todas as mercadorias perderam a demanda e apresentam baixa liquidez. O acúmulo de produtos já é observado em diversos pontos de vendas, o que faz com que a descarga de novas mercadorias seja adiada em diversas localidades. Em São Paulo, a carcaça casada do boi castrado segue perdendo valor e a última cotação ficou em R$ 15,00/kg, no menor patamar desde meados de ago/20, apontou seu relatório diário.
- O preço do quarto traseiro foi cotado a R$ 18,00 por quilo, representando uma queda de R$ 0,10.
- Já o quarto dianteiro teve seu preço fixado em R$ 14,00 por quilo, uma queda de R$ 0,05.
- A ponta de agulha foi precificada em R$ 13,90 por quilo, também com uma redução de R$ 0,05.
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