Inmet emite alerta de frio mais intenso de 2026 derruba temperaturas no Sul, enquanto chuvas de até 100 mm e ventos de 100 km/h preocupam produtores rurais, Defesa Civil e moradores em diferentes regiões do país
O Brasil entra em um dos períodos meteorológicos mais delicados deste outono com a combinação de dois fenômenos que devem impactar diretamente o campo e as cidades nos próximos dias: a chegada da massa de ar polar mais intensa de 2026 – frio intenso – e uma nova rodada de temporais acompanhados de ventos fortes e alto volume de chuva em diversas regiões do país.
Os alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam cenário de atenção para áreas do Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, com riscos que vão desde alagamentos e queda de energia até prejuízos em lavouras, dificuldades logísticas e possibilidade de geada nas áreas mais frias do Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, meteorologistas acompanham com atenção o avanço de uma forte incursão polar que deve provocar o frio mais intenso do ano até agora, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo previsão da Climatempo, os efeitos mais severos serão sentidos entre segunda (25) e terça-feira (26), com temperaturas próximas de 0°C em regiões serranas.
Temporais avançam sobre diferentes regiões do Brasil
Os avisos de “Perigo” emitidos pelo INMET apontam possibilidade de chuvas entre 50 e 100 mm por dia, além de rajadas de vento entre 60 e 100 km/h em partes do Norte e do litoral baiano.
Na Bahia, as áreas mais afetadas incluem municípios do Sul Baiano e da Região Metropolitana de Salvador, com destaque para cidades como Ilhéus, Itacaré, Camamu e Cairu. O órgão alerta para risco de:
- corte de energia elétrica;
- queda de árvores;
- alagamentos;
- descargas elétricas;
- transtornos urbanos e rodoviários.
Já no Norte do país, o alerta cobre uma extensa faixa da Amazônia Legal, incluindo áreas do Pará, Amazonas, Maranhão, Amapá e Roraima.
Além das regiões em alerta máximo, o INMET também emitiu aviso de “Perigo Potencial” para uma ampla área do Centro-Sul brasileiro, incluindo partes de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Goiás. Nesses locais, os acumulados podem chegar a 50 mm por dia, com ventos de até 60 km/h.
Frio mais intenso do ano preocupa produtores rurais
Enquanto os temporais avançam em algumas regiões, o Sul do Brasil se prepara para uma brusca mudança de temperatura.
De acordo com a previsão da Climatempo, a nova massa de ar polar começa a ingressar pelo Rio Grande do Sul no domingo (24), mas ganha força entre segunda e terça-feira.
A expectativa é de mínimas próximas de 0°C em áreas de maior altitude:
- entre 0°C e 2°C nos Campos de Cima da Serra e Planalto Sul Catarinense;
- entre 3°C e 5°C na fronteira com o Uruguai e áreas de planalto gaúcho;
- entre 5°C e 7°C na região central do Rio Grande do Sul;
- entre 8°C e 10°C na Grande Porto Alegre.
Meteorologistas também não descartam ocorrência de geada isolada em regiões da Campanha Gaúcha, Serra Gaúcha e Serra Catarinense.
Para o agronegócio, o avanço desse ar frio acende um sinal de alerta principalmente em áreas de:
- hortifrúti;
- cafeicultura de altitude;
- milho safrinha em fase sensível;
- pecuária leiteira;
- pastagens recém-recuperadas.
Embora o inverno ainda não tenha começado oficialmente, o comportamento atmosférico observado em maio já lembra episódios típicos dos meses mais frios do ano.
Impactos podem atingir logística, energia e produção no campo
No setor agropecuário, eventos climáticos extremos têm provocado impactos cada vez mais frequentes sobre produtividade e custos operacionais.
As chuvas intensas previstas para os próximos dias podem dificultar:
- escoamento da produção;
- transporte de grãos e insumos;
- operações em áreas de colheita;
- manejo do gado;
- acesso a propriedades rurais.
Em regiões de solo já encharcado, novos acumulados aumentam o risco de erosão, perdas de nutrientes e comprometimento de estradas vicinais.
No caso da pecuária, a combinação entre frio intenso, vento e alta umidade também exige atenção redobrada com bezerras, animais confinados e manejo sanitário, principalmente em sistemas menos protegidos.
Além disso, especialistas vêm observando um comportamento climático mais irregular em 2026, marcado por alternância rápida entre calor intenso, temporais severos e incursões de ar polar mais agressivas — um cenário que reforça a necessidade de planejamento climático cada vez mais estratégico dentro das propriedades rurais.
Mudança brusca de temperatura deve derrubar sensação térmica
Outro ponto que chama atenção dos meteorologistas é a velocidade da mudança climática prevista para os próximos dias.
Após semanas marcadas por calor acima da média em várias regiões do Sul, a chegada da massa polar deve provocar uma queda acentuada nas temperaturas em poucas horas. Segundo a Climatempo, mesmo com presença de sol durante parte do dia, o ar frio continuará predominando e manterá a sensação térmica baixa.
Os ventos associados ao avanço da frente fria também devem intensificar a sensação de frio, especialmente nas madrugadas e no início das manhãs.
Defesa Civil orienta população a evitar áreas de risco
O INMET recomenda atenção especial durante os períodos de rajadas de vento e tempestades. Entre as orientações estão:
- evitar abrigo debaixo de árvores;
- não estacionar veículos próximos a placas e torres;
- desligar aparelhos eletrônicos em caso de tempestade;
- acompanhar atualizações meteorológicas oficiais;
- acionar Defesa Civil (199) em situações de emergência.
A tendência é que os próximos dias mantenham o clima instável em boa parte do país, exigindo monitoramento constante tanto das autoridades quanto do setor produtivo. Para o agro, o momento reforça uma realidade cada vez mais evidente: o clima deixou de ser apenas uma variável da produção e passou a ser um fator central na gestão de risco dentro da porteira.
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