Responsável por cerca de 75% das exportações mexicanas de carne bovina, a SuKarne avalia alternativas estratégicas que podem culminar em uma operação superior a US$ 2 bilhões. O processo, revelado pela Reuters, ainda está em análise e não há garantia de que a venda seja concluída.
O controlador da SuKarne, maior exportadora de carne bovina do México, avalia a venda da companhia em uma operação que pode superar US$ 2 bilhões, segundo informações da Reuters obtidas com fontes familiarizadas com as negociações. Se concretizada, a operação poderá figurar entre as maiores transações recentes da indústria de proteína animal na América Latina.
A possível venda da SuKarne reforça a crescente consolidação da indústria global da carne, movimento semelhante ao observado em outras cadeias do agronegócio e que amplia o interesse de investidores internacionais em grandes empresas do setor. Esse processo tem sido uma das marcas da transformação do agro nas últimas décadas.
Em resposta à Reuters, a empresa não confirmou a intenção de venda, mas afirmou que avalia continuamente alternativas estratégicas para gerar valor, apoiar seu crescimento e fortalecer sua expansão de longo prazo.
A SuKarne ocupa posição de destaque na indústria mexicana de proteína animal, sendo responsável por cerca de 75% das exportações de carne bovina do país. A companhia atua em mais de 13 países, distribuídos por quatro continentes, e abastece as principais redes de supermercados mexicanas, além de comercializar seus produtos nos Estados Unidos.
Segundo a Reuters, a indústria de proteína animal da América do Norte já é altamente concentrada, tendo como principais grupos Tyson Foods, Cargill, JBS e National Beef Packing Co. Nesse cenário, uma eventual aquisição da SuKarne daria ao comprador acesso a uma operação verticalizada que reúne criação de gado, confinamento, processamento industrial e distribuição de carne em praticamente toda a cadeia produtiva mexicana.
Em comunicado, a companhia afirma ser a terceira maior confinadora de bovinos do mundo e a quinta maior fornecedora de carne bovina da América do Norte. Suas operações envolvem mais de 60 mil produtores rurais e representam a principal fonte de renda para aproximadamente 165 mil famílias mexicanas, de acordo com dados da própria empresa.
Ainda conforme a Reuters, a SuKarne conduz a avaliação da operação com o apoio dos bancos de investimento Rabobank e BBVA. As duas instituições foram procuradas pela agência, mas não comentaram o processo.
O que a possível venda representa para o mercado
Embora envolva uma empresa mexicana, a movimentação é acompanhada com atenção pelo mercado internacional de proteína animal. O México figura entre os principais exportadores de carne bovina das Américas e compete com o Brasil em diversos mercados importadores. Uma eventual mudança no controle da SuKarne pode alterar estratégias comerciais, acelerar investimentos, ampliar a presença internacional da companhia ou até redefinir a dinâmica competitiva do setor.
Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, movimentos dessa magnitude costumam ser acompanhados de perto por frigoríficos, pecuaristas e investidores, já que podem influenciar estratégias comerciais, fluxos de investimento e a competitividade internacional da proteína bovina nos próximos anos.
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