Quem é Jerônimo Muzetti, o ex-bancário que transformou Barretos na maior Festa do Peão da América Latina

Presidente de Os Independentes há três décadas, Jerônimo Muzetti levou conceitos de gestão empresarial para a Festa do Peão de Barretos, impulsionando um evento que hoje recebe quase 1 milhão de visitantes, movimenta cerca de R$ 600 milhões e se tornou referência mundial no universo do rodeio.

Pouca gente conhece o nome de Jerônimo Muzetti, mas milhões de brasileiros já participaram ou acompanharam a Festa do Peão de Barretos. Por trás do maior evento sertanejo e de rodeio da América Latina está um gestor que trocou a gravata pelo chapéu e ajudou a transformar uma tradicional festa do interior paulista em uma das maiores plataformas de entretenimento, turismo e cultura agropecuária do país.

À frente da Associação Os Independentes desde 1995, Muzetti liderou um amplo processo de profissionalização da festa, adotando planejamento estratégico, investimentos permanentes em infraestrutura e uma visão empresarial que mudou a dimensão do evento. O resultado é um complexo que, durante 11 dias, recebe quase 1 milhão de visitantes, mobiliza aproximadamente 5 mil profissionais, mantém cinco portarias funcionando 24 horas por dia, abriga até 20 mil pessoas em seu camping e movimenta cerca de R$ 600 milhões dentro do Parque do Peão.

Da carreira bancária à presidência de Barretos

Antes de se tornar uma das figuras mais influentes do universo do rodeio brasileiro, Jerônimo Muzetti construiu sua carreira longe das arenas.

Sua trajetória profissional começou no Frigorífico Anglo, passando posteriormente pelo Unibanco e por empresas do setor de engenharia. Foi justamente a experiência no mercado financeiro que moldou a forma como passou a administrar a Festa do Peão.

Segundo o próprio Muzetti, foi no banco que aprendeu uma das lições que mais influenciaram sua gestão.

“Banco ensina disciplina. Você aprende que receita, despesa e investimento precisam caminhar juntos.”

Esse conceito passou a orientar todas as decisões da Associação Os Independentes quando assumiu inicialmente a diretoria financeira e, posteriormente, a presidência da entidade.

O homem que pensou Barretos dez anos à frente

Ao assumir a presidência, Muzetti percebeu que a Festa do Peão já havia ultrapassado as fronteiras do estado de São Paulo.

O evento deixava de ser uma celebração regional para se tornar uma atração nacional, exigindo planejamento de longo prazo e investimentos constantes.

Sua filosofia sempre foi simples: a festa nunca poderia estar pronta.

“Quem vinha uma vez precisava voltar no ano seguinte e encontrar alguma novidade.”

Essa mentalidade fez com que os investimentos deixassem de ocorrer apenas às vésperas da festa. Durante todo o ano, o Parque do Peão passou a receber obras, ampliações, melhorias viárias, novas áreas, reformas, pavimentação, drenagem, redes elétricas e modernizações constantes.

Festa do Peão de Barretos encerra edição histórica com disputa acirrada no rodeio e arrecadação recorde para o Hospital de Amor
Crédito: Alisson Demetrio

Uma gestão baseada em investimentos permanentes

Uma das primeiras iniciativas da gestão foi ampliar a infraestrutura do complexo.

Quando Muzetti assumiu a presidência, o parque ocupava cerca de 100 hectares. Ao longo das décadas seguintes, novas áreas foram incorporadas, acessos foram duplicados e o espaço ganhou camarotes, palcos, estacionamentos e estruturas capazes de receber um público cada vez maior.

Segundo ele, a lógica sempre foi investir pensando no futuro.

“Nunca compramos terra pensando na festa daquele ano. Sempre pensamos na festa que aconteceria dez anos depois.”

A estratégia permitiu que Barretos acompanhasse o crescimento do público sem perder capacidade operacional.

Muito além do rodeio

Embora o rodeio continue sendo a essência da Festa do Peão, a administração de Muzetti ampliou significativamente o alcance do evento.

Hoje, a programação reúne aproximadamente:

  • 130 shows distribuídos em cinco palcos;
  • cerca de 200 atrações culturais;
  • nove modalidades esportivas;
  • mais de 3,5 mil competidores;
  • atividades durante praticamente 24 horas ao longo dos 11 dias de programação.

O objetivo foi transformar Barretos em uma experiência completa, capaz de manter os visitantes por vários dias dentro do parque.

Yuri Teodoro Silva é campeão do 32º Barretos International Rodeo, na modalidade Cutiano
(André Monteiro)

O rodeio continua sendo o protagonista

Apesar da expansão dos shows e do entretenimento, Muzetti faz questão de reforçar que a identidade da festa permanece ligada ao esporte.

Todos os anos, Barretos recebe etapas e finais das principais competições nacionais e internacionais de montaria, incluindo a Professional Bull Riders (PBR), além das finais da Liga Nacional de Rodeio e da Confederação Nacional de Rodeio.

A premiação das competições supera R$ 1,5 milhão, reunindo atletas brasileiros e internacionais.

Para o presidente, manter o rodeio como protagonista é uma questão de identidade.

“Se um dia o rodeio deixar de ser protagonista, a festa perde sua identidade.”

Gestão que também gera impacto social

Outro aspecto frequentemente destacado por Muzetti é o caráter beneficente da Associação Os Independentes.

Criada originalmente para arrecadar recursos destinados a instituições assistenciais de Barretos, a entidade mantém essa missão até hoje.

Na edição de 2025, a Festa do Peão destinou mais de R$ 8 milhões ao Hospital de Amor, além de arrecadar 30 toneladas de alimentos durante a Noite Beneficente com Frei Gilson e recolher 20 toneladas de alumínio por meio do projeto Universo Eco.

O gestor que mudou a história de Barretos

Ao longo de três décadas, Jerônimo Muzetti consolidou um modelo de administração baseado em planejamento de longo prazo, disciplina financeira e melhoria contínua.

Sua atuação fez da Festa do Peão de Barretos muito mais do que um grande rodeio. Hoje, o evento é uma referência internacional em entretenimento, turismo, cultura sertaneja e esporte, movimentando centenas de milhões de reais e projetando a imagem do agronegócio brasileiro para milhões de pessoas.

Mais do que organizar uma festa, Muzetti ajudou a construir um legado que transformou Barretos em sinônimo de rodeio no Brasil e no mundo.

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