Gigante francesa do açúcar identifica mais de 500 tipos de solo em canaviais paulistas e redefine estratégia de produção

Cooperativa agrícola francesa Tereos mapeou 162 mil hectares em São Paulo, classificou 501 tipos de solo e aposta em manejo de precisão para elevar produtividade, sustentabilidade e eficiência na principal região canavieira do país

A Tereos, uma das maiores cooperativas agrícolas da França e uma das gigantes globais da produção de açúcar, etanol, energia e amidos, concluiu um dos mais abrangentes levantamentos de solos já realizados em áreas de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. A companhia identificou 501 tipos distintos de solo em seus canaviais paulistas, criando uma nova base técnica para ampliar a produtividade e tornar o manejo agrícola ainda mais preciso.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com a consultoria Athenas e envolveu o mapeamento de 162 mil hectares de áreas próprias da empresa, distribuídas no interior de São Paulo. Para chegar ao resultado, foram realizadas 7.750 tradagens e abertas 561 trincheiras, permitindo uma caracterização detalhada dos diferentes ambientes produtivos.

A iniciativa ganha ainda mais relevância por estar concentrada em São Paulo, estado responsável pela maior produção de cana-de-açúcar do Brasil e considerado o coração da indústria sucroenergética nacional. Além de liderar a fabricação de açúcar e etanol, o estado reúne algumas das lavouras mais tecnificadas do mundo, tornando a gestão eficiente dos solos um fator decisivo para manter a competitividade do setor.

Com base nas informações obtidas, os 501 tipos de solo foram agrupados em 15 categorias de manejo, permitindo que cada área receba práticas específicas de preparo, plantio e colheita. O objetivo é adequar as operações às características de cada ambiente produtivo, aumentando o potencial das lavouras e reduzindo perdas operacionais.

O levantamento também passa a orientar o planejamento varietal da companhia. Com maior conhecimento sobre cada perfil de solo, a Tereos poderá definir quais variedades de cana apresentam melhor desempenho em cada área e em diferentes épocas de colheita, integrando decisões agronômicas e logísticas para elevar a eficiência do sistema produtivo.

Além do ganho em produtividade, o projeto fortalece práticas de agricultura regenerativa. O conhecimento detalhado dos solos permite reduzir riscos relacionados à erosão e à compactação, melhorar o aproveitamento dos recursos naturais e tornar mais assertivo todo o planejamento agrícola ao longo da safra.

Segundo José Olavo Vendramini, superintendente de Excelência Agronômica e Negócios Agrícolas da Tereos, o conhecimento aprofundado do solo representa um diferencial estratégico para a agricultura moderna. “Ao entender melhor o solo, conseguimos planejar cada operação com mais precisão, do preparo ao plantio e à colheita, reduzindo desperdícios, minimizando riscos e aproveitando melhor o potencial de cada área” – disse o superintendente.

A iniciativa faz parte da estratégia da companhia de ampliar a adoção de práticas sustentáveis e de agricultura regenerativa, transformando dados técnicos em decisões de campo capazes de aumentar continuamente a produtividade, a eficiência operacional e a sustentabilidade dos canaviais.

Nos próximos anos, a Tereos pretende incorporar esse banco de informações à rotina de suas operações agrícolas, consolidando um modelo de produção cada vez mais orientado por dados e adaptado às particularidades de cada ambiente produtivo. O projeto reforça como a ciência do solo tem se tornado uma das principais ferramentas para elevar a competitividade da cadeia sucroenergética brasileira, especialmente em São Paulo, onde a cana-de-açúcar desempenha papel estratégico na economia, na geração de empregos e na produção de açúcar e biocombustíveis.

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