Por que as abóboras se tornaram um dos principais símbolos do Halloween?

Tradição tem origem no folclore irlandês, atravessou o Atlântico com imigrantes e transformou um costume antigo em um dos ícones mais conhecidos do Dia das Bruxas.

Todo dia 31 de outubro, abóboras esculpidas com rostos assustadores tomam conta de casas, vitrines e festas de Halloween ao redor do mundo. Conhecidas como jack-o’-lanterns, essas lanternas se tornaram um dos símbolos mais tradicionais da data. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, a tradição não começou com abóboras, e sim com outros vegetais utilizados em antigos costumes europeus.

A história remonta à Irlanda, onde nabos eram esculpidos e recebiam velas em seu interior. A prática estava associada a lendas populares e a tradições do período do Samhain, celebração de origem celta relacionada ao fim do verão e à chegada do inverno. Com a migração de irlandeses para os Estados Unidos, o costume ganhou uma nova matéria-prima: a abóbora, mais abundante na América do Norte e mais fácil de esculpir.

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A lenda de Jack e a origem das lanternas assustadoras

Por que as abóboras se tornaram um dos principais símbolos do Halloween?
Foto: National Museum of Ireland / Coleção F1943.350.

Uma das principais explicações para a tradição está ligada à lenda irlandesa de Stingy Jack, conhecido também como Jack da Lanterna. Existem diferentes versões da história, mas a mais conhecida conta que Jack era um homem astuto que conseguiu enganar o Diabo em mais de uma ocasião.

Segundo o folclore, depois de morrer, ele não teria sido aceito nem no céu nem no inferno. Condenado a vagar pelo mundo, recebeu uma brasa para iluminar seu caminho e a colocou dentro de um nabo esculpido, que passou a funcionar como uma lanterna.

A história ajudou a popularizar a expressão jack-o’-lantern, utilizada para designar as lanternas com rostos entalhados. Com o passar do tempo, o costume de esculpir vegetais e colocar luzes em seu interior foi incorporado às celebrações de Halloween, especialmente na Irlanda e na Escócia. Em algumas tradições populares, as lanternas também eram utilizadas para afastar espíritos e assustar quem passasse pelas casas.

Embora a lenda seja uma das explicações mais conhecidas para o costume, sua origem exata envolve diferentes tradições folclóricas que se desenvolveram ao longo dos séculos.

Por que os nabos foram substituídos pelas abóboras?

Por que as abóboras se tornaram um dos principais símbolos do Halloween?
Foto: Nicole Gordine / Wikimedia Commons / CC BY 3.0

A mudança aconteceu quando imigrantes irlandeses levaram suas tradições para os Estados Unidos, principalmente durante o século XIX. No novo continente, encontraram uma alternativa que se adaptava melhor à confecção das lanternas: as abóboras.

Além de serem encontradas com facilidade, elas apresentam tamanho maior, casca adequada para a escultura e interior relativamente simples de retirar. Essas características tornavam o trabalho mais prático do que utilizar nabos, geralmente menores e mais difíceis de esculpir.

A tradição ganhou força nos Estados Unidos durante o século XIX e passou a integrar de maneira cada vez mais marcante as comemorações do Halloween. A imagem da abóbora alaranjada, com olhos triangulares e um sorriso assustador iluminado por uma vela, acabou se consolidando como um dos elementos visuais mais característicos da data.

Com a expansão da cultura popular norte-americana, por meio de filmes, séries, desenhos animados e campanhas comerciais, o símbolo ultrapassou as fronteiras do país e se tornou conhecido internacionalmente.

A abóbora tem uma história muito mais antiga nas Américas

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Foto: Erik Charlton / Wikimedia Commons / CC BY 2.0.

Muito antes de se tornar um símbolo do Halloween, a abóbora já fazia parte da alimentação e da agricultura de povos originários do continente americano.

Espécies do gênero Cucurbita, que inclui abóboras e outras variedades de cucurbitáceas, foram domesticadas nas Américas há milhares de anos. Evidências reunidas pelo Smithsonian indicam que uma linhagem de abóbora associada à espécie Cucurbita pepo foi domesticada no México há aproximadamente 10 mil anos.

Esses vegetais tinham importância alimentar e integravam sistemas agrícolas desenvolvidos muito antes da chegada dos europeus ao continente. Ao longo dos séculos, diferentes variedades foram cultivadas e selecionadas, apresentando diferenças de tamanho, formato, cor, textura e utilização.

A associação entre abóbora e Halloween, portanto, é relativamente recente quando comparada à história agrícola da planta. O vegetal já era cultivado e consumido havia milênios antes de ser incorporado às tradições europeias levadas para a América do Norte.

Do campo à decoração: um símbolo que atravessou gerações

Atualmente, as abóboras utilizadas no Halloween cumprem principalmente uma função decorativa, mas o vegetal continua presente na alimentação e na produção agrícola de diferentes países. Dependendo da variedade, pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, sopas, purês e outras receitas.

A popularização das lanternas também ajudou a consolidar a abóbora como um produto associado ao outono no imaginário norte-americano, período em que a colheita e as decorações sazonais ganham destaque.

No Brasil, onde o Halloween é celebrado principalmente por meio de festas, fantasias e decorações temáticas, as abóboras também aparecem em vitrines, eventos e ambientes residenciais. Embora a tradição não tenha a mesma dimensão cultural que possui nos Estados Unidos, o símbolo é facilmente reconhecido por quem acompanha filmes, séries e outras produções estrangeiras.

Assim, o que hoje parece apenas um enfeite típico do Dia das Bruxas reúne uma combinação de folclore, migração, história agrícola e cultura popular. Da antiga lenda irlandesa às plantações americanas, a abóbora percorreu um longo caminho até se transformar em uma das imagens mais marcantes do Halloween.

Conteúdo produzido pelo CompreRural com ajuda de IA.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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