Medida busca adequar o uso de antimicrobianos às normas europeias e evitar a suspensão das exportações brasileiras ao bloco a partir de setembro.
O Ministério da Agricultura alterou os controles relacionados à exportação de carnes e derivados para atender à legislação da União Europeia sobre uso de antimicrobianos, com o objetivo de evitar uma suspensão dos embarques ao bloco a partir de setembro.
Segundo ofício circular da pasta, datado desta semana, estabelecimentos habilitados para exportação à União Europeia devem implementar “controles auditáveis capazes de demonstrar o atendimento aos requisitos relativos ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia”.
Esses controles devem assegurar, no mínimo, a rastreabilidade das matérias-primas, animais ou produtos recebidos, bem como a manutenção de evidências documentais utilizadas para demonstrar a elegibilidade das matérias primas, animais e insumos empregados na produção dos lotes destinados à certificação, entre outros requisitos.
Estão previstas ainda adequações para exportação de carnes e derivados ao Reino Unido, também no âmbito da restrição a uso de antimicrobianos.
O governo brasileiro e o setor de carnes vinham buscando apresentar garantias e adequações ligadas aos antimicrobianos desde que as autoridades europeias divulgaram, em maio, que o Brasil não estava na lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal ao bloco.
A ausência na lista estaria relacionada a regras sobre o suposto uso de antimicrobianos com a finalidade de promover crescimento ou aumentar a produção em animais, prática que não é permitida pela União Europeia.
Caso não se adeque, o Brasil não poderá mais exportar à UE produtos (tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados), como bovinos, equinos, aves, ovos, produtos aquícolas, mel e tripas, a partir de 3 de setembro.
A UE é importante destino de carnes do Brasil, especialmente de produtos de valor agregado, como peito de frango. No caso dos produtos de frango, os totais exportados à UE somaram cerca de US$800 milhões em 2025. Em bovinos, as exportações ao bloco superaram US$1 bilhão.
Procurada, a Abiec, associação que representa os produtores de carne bovina do Brasil, disse que não iria comentar.
Já a ABPA, que representa produtores de carne de frango e suína, não respondeu imediatamente ao pedido de comentários.
Fonte: Reuters
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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