Com 18 animais em pista, Haras CASS aposta em sua genética consolidada, celebra o legado de Batistuta CASS e reforça confiança no crescimento da raça rumo ao centenário da associação
A 48ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga acontece entre os dias 4 e 12 de julho, no Centro Hípico de Tatuí (SP), reunindo criadores, expositores, treinadores, competidores e investidores de diversas regiões do país. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), a Nacional é o principal evento do calendário oficial da raça e se consolida como a maior vitrine da genética, da funcionalidade e da tradição do cavalo Mangalarga, considerado o verdadeiro cavalo de sela brasileiro.
Entre os protagonistas desta edição está o Haras CASS, de São José dos Campos (SP). Sob o comando de Cassiano Terra Simão e com a gestão técnica do zootecnista Thom D’Angieri, o criatório consolidou-se como uma das maiores referências da equinocultura nacional. Reconhecido pela produção de animais de alto desempenho e pela consistência de seus resultados, o haras desembarcou na Nacional disposto a manter sua tradição de protagonismo.
Para esta edição, o Haras CASS levou uma expressiva tropa composta por 18 animais, todos preparados para disputar espaço entre os melhores exemplares da raça.
Segundo Thom, o objetivo vai muito além da conquista de troféus. “A expectativa é sempre a maior possível. Viemos com 18 animais para brigar forte nas competições. Esperamos que seja um grande julgamento e que vençam os melhores. Não precisam ser necessariamente os nossos. O importante é que os animais vencedores contribuam para a evolução da raça Mangalarga. Essa sempre foi a filosofia do Haras CASS” – ressaltou o gestor.
A declaração resume um posicionamento que acompanha o criatório ao longo dos últimos anos: competir em alto nível, mas sempre priorizando o desenvolvimento genético da raça.

Uma trajetória marcada por campeões
A história recente do Haras CASS na Nacional do Mangalarga impressiona.
Com apenas 15 anos de criação, o haras construiu uma sequência difícil de ser igualada dentro da raça.
Entre 2017 e 2023, conquistou sete temporadas consecutivas como Melhor Criador e Melhor Expositor Nacional. Em 2025, optou por não disputar o ranking oficial, deixando de pontuar. Agora, retorna com força total para buscar o oitavo título.
“São 15 anos de criação e vários grandes campeões nacionais. A partir de 2017 fomos sete anos consecutivos Melhor Criador e Melhor Expositor. No ano passado não concorremos ao ranking e este ano voltamos muito fortes para buscar novamente esses títulos”, afirma Thom.
Essa regularidade consolidou o Haras CASS entre os maiores programas de seleção da raça Mangalarga, fruto de um trabalho contínuo de planejamento genético e criteriosa escolha de acasalamentos.
Animais que marcaram época
Ao longo dessa trajetória, diversos exemplares ajudaram a construir a reputação do criatório.
Entre eles estão Bavária CASS, Bilara CASS, Batistuta CASS, Típica do Otnacer, além de outros grandes campeões nacionais que fizeram história nas pistas.
A nova geração também já demonstra enorme potencial.
Entre os destaques aparecem Mistério CASS (T.E.), cavalo que vem despertando grande interesse entre criadores; Manchete CASS, campeã Nacional de Marcha Potranca Menor e primeira Reservada Campeã Potra Menor; e MBAPPÉ CASS (T.E.), que conquistou o título de Campeão Nacional de Marcha Potro Maior Geral durante a Nacional de 2026. Segundo Thom, esses animais representam a continuidade de uma linha genética construída ao longo dos anos.

Batistuta CASS: um fenômeno da reprodução
Se existe um nome que simboliza a força genética do Haras CASS atualmente, esse nome é Batistuta CASS. Considerado hoje o maior produtor de cavalos de marcha da raça Mangalarga, o garanhão vem escrevendo um capítulo especial na história da criação nacional.

Honrando o slogan do Haras CASS, “Sela de Ouro”, Batistuta foi um dos grandes expoentes desta Nacional ao se destacar como principal progenitor da exposição. Filhos do garanhão conquistaram resultados expressivos em praticamente todas as categorias disputadas.
Para Thom, o legado de Batistuta representa a consolidação de uma seleção genética consistente. “O mais importante é a consolidação como criador. Estamos deixando um legado e uma linha de criação muito interessante. O Batistuta vem fazendo história na raça com seus filhos. É um cavalo jovem que já foi bicampeão geral e hoje já chega à quinta geração de descendentes produzindo campeões. Em praticamente toda Nacional ele coloca um grande campeão ou um animal brigando pelo grande campeonato” – revelou Thom.
Apostas do Haras CASS para a Nacional
Entre os animais que chegaram como apostas do Haras CASS nesta edição estão alguns nomes que vêm se destacando durante toda a temporada. A égua Jandaia CASS aparece entre as principais candidatas nas provas de marcha.
Outro forte nome é Gatuzo CASS, primeiro Reservado Grande Campeão em sua categoria, além das jovens Manchete CASS e Maria Clara CASS, duas potrancas apontadas como promessas do criatório.
Já Mistério CASS, que também figurava entre os favoritos, acabou sofrendo uma lesão pouco antes do início das disputas e ficou fora das apresentações.
“Esses são os cavalos nos quais estamos apostando firme. Infelizmente o Mistério teve uma lesão ontem e não conseguirá entrar em pista, mas temos um grupo muito competitivo”, explica Thom.
Nacional amplia horizontes com muares e modalidades funcionais
Uma das grandes novidades desta 48ª Nacional é a valorização dos muares, Ranch Sorting e das provas funcionais, segmentos que vêm ganhando cada vez mais espaço dentro da raça. Para Thom, esse movimento representa um caminho natural para o crescimento do Mangalarga.
Segundo ele, o próprio Haras CASS já investe na produção de mulas marchadoras e enxerga enorme potencial comercial nesse mercado.
“Nós fizemos várias mulas, vendemos muito bem e acredito que seja um mercado gigantesco. As éguas Mangalarga estão produzindo muares extraordinários de marcha. Acho que é um caminho sem volta. Todo grande criador precisa olhar para esse segmento.”
O entusiasmo também se estende às modalidades funcionais.
“O Ranch Sorting é fantástico. Ainda não conseguimos competir porque falta tempo para nos dedicarmos, mas tanto o Ranch Sorting quanto a Mangalargada e o Poeirão são segmentos nos quais o Mangalarga precisa investir cada vez mais. Nós acreditamos muito nisso.”
Um olhar para o futuro da raça
Com a associação caminhando para seu centenário nos próximos anos, Thom avalia que a raça vive um momento de crescimento consistente. Na sua visão, a evolução técnica dos animais e o fortalecimento do mercado nacional demonstram que o trabalho realizado pelos criadores vem produzindo resultados concretos.
“O Mangalarga vem evoluindo muito, principalmente no andamento. A procura pelos nossos animais cresce no Brasil inteiro, e acredito que outros criatórios também estejam percebendo isso. A qualidade da marcha evoluiu bastante e está conquistando cada vez mais espaço. É apenas uma questão de tempo para a raça crescer ainda mais” – finalizou o gestor.
Para ele, a combinação entre seleção genética, funcionalidade e versatilidade deverá impulsionar uma nova fase do Mangalarga, fortalecendo a raça tanto nas pistas quanto no campo.

Estrutura sólida sustenta os resultados
Os resultados alcançados pelo Haras CASS são consequência direta de uma estrutura produtiva planejada e de um intenso trabalho de seleção genética.
Hoje, o criatório abriga aproximadamente 180 animais, entre garanhões, matrizes, potros e animais em desenvolvimento. Sua base genética é formada por seis garanhões principais e um seleto grupo de 28 doadoras, responsáveis pela produção anual de aproximadamente 30 a 35 produtos.
Essa consistência reprodutiva, aliada ao rigor na seleção dos acasalamentos e à busca permanente pelo aprimoramento da raça, explica a impressionante sequência de conquistas obtidas pelo haras ao longo da última década.
Mais do que acumular títulos, o Haras CASS consolidou uma identidade própria dentro da criação do Mangalarga, formando uma linhagem reconhecida nacionalmente pela qualidade da marcha, funcionalidade, morfologia e capacidade de transmitir essas características às gerações seguintes. Em uma Nacional que reúne os principais criatórios do país, o CASS mais uma vez demonstra que sua maior conquista talvez não esteja apenas nos campeonatos, mas na construção de um legado genético que ajuda a moldar o futuro da raça Mangalarga.
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