Vacas produzem leites diferentes. Mas um é bom e outro é ruim? Ainda existem muitas dúvidas na população quanto aos tipos de leite produzidos.
Antes de responder essa pergunta, vamos falar de um conceito da genética básica: o gene. Este é o grande responsável por armazenar as informações que serão herdadas dos pais. Pode-se comparar como um manual de instruções, no qual estão contidas as características que irão ser expressas, como: cor do pelo, cor dos olhos e volume e componentes do leite.
A composição do leite pode variar em função de diversos fatores genéticos e ambientais. Por exemplo: podemos facilmente aumentar o teor de gordura do leite alterando a dieta. “Eu acho isso incrível!”, mas é assunto pra outro momento.
Bom, dentro dos componentes regulados por fatores genéticos, podemos citar a β-caseína, umas das várias proteínas do leite. Um processo de mutação natural gerou uma forma diferente do gene que codifica essa proteína. Antigamente, as vacas só produziam leite com β-caseína do tipo A2, depois começaram produzir o tipo A1.
E o qual a importância disso?
O leite A2 oferece benefícios a saúde humana, pois não tem a presença de beta-casomorfina-7 bovina (BCM-7) que é um fator que contribui para desconfortos e inflamações intestinais em algumas pessoas. Logo, o tipo A2 possui maior facilidade de digestão para esses indivíduos.
Os bovinos com gene para o leite A1 são mais comuns nas raças taurinas, de origem europeia. Felizmente, as raças zebuínas possuem alta frequência alélica dos genes tipo A2. Diante disso, deveríamos explorar essa vantagem para atingir nichos específicos de mercado como já é realizado na Europa, EUA e Austrália.
E no Brasil? Por enquanto, o mercado é incipiente. Os produtores, estimulados pela demanda de consumo, poderiam realizar, junto às universidades e as instituições de pesquisas, ações para genotipar os animais (saber quem é portador do gene) e incluir essa informação dentro do processo de seleção e acasalamento. Porém, só teremos uma maioria de vacas a2a2 se toda cadeia produtiva estiver disposta a fazer dar certo.
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Afinal, quem vence a luta?
O A2 vence a luta por nocaute, se pensarmos no bem-estar de todos os consumidores: ele serve para aqueles que tem o desconforto e para os que não tem. E o melhor de tudo: temos os melhores animais para isso! Afinal, nossa base é zebuína.
É sempre bom lembrar que o leite A2 não é recomendado à todas as pessoas que têm alergia às proteínas do leite, somente àqueles que têm alergia à β-caseína A1.
Por @gestaopec / adaptado Milk Point