Leite: Crise leva produtores à falência e o governo nada!

Leite: Crise leva produtores à falência e o governo nada!

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O produtor Gerôncio Antônio de Souza lamenta o valor que recebeu da indústria pela entrega feita em abril. Foto: Divulgação

Produtores deixa a atividade! As pesquisas que ainda estão em andamento apontam que a tendência de queda deve permanecer nos próximos meses.

O preço do leite captado em dezembro de 2020 e pago aos produtores em janeiro deste ano registrou queda de 4,3% na Média Brasil, chegando a R$ 2,03 por litro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A média nacional de preços do litro de leite pago ao produtor, que em outubro de 2020 atingiu R$2,16 chega em fevereiro a R$2,03, segundo dados do Cepea. “Essa redução está vinculada a maior produção no período de safra e a uma diminuição geral na demanda por produtos lácteos pela população”, diz o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, João César Resende.

A instituição afirma que a desvalorização do leite no campo se deve ao enfraquecimento da demanda por lácteos, devido a diminuição do poder de compra do brasileiro, com o fim do auxílio emergencial. As pesquisas que ainda estão em andamento apontam que a tendência de queda deve permanecer nos próximos meses.

Apesar de os valores do leite estarem em patamares considerados altos para o período do ano, não significa que o produtor está conseguindo rentabilidade. A valorização dos grãos, que são os principais componentes dos custos de produção, tem comprometido a margem do produtor e limitado o potencial de crescimento da atividade.

Levantamento do Cepea mostra que, em janeiro, o pecuarista precisou de, em média, 41,2 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, alta de 16,3% em relação a dezembro de 2020.

Custo de produção disparou

Além da redução de demanda, o que tem preocupado o setor são os custos de produção, que estão em alta. Glauco Carvalho, também pesquisador da instituição, informa que, em relação a 2019, a alta média no custo de produção atingiu 10,7%. Nos últimos dois anos, esse índice chega a 24,6%.

O que tem puxado os custos é, principalmente, a alimentação à base de concentrados para o rebanho. Durante a reunião mensal de conjuntura do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, realizada na segunda semana de fevereiro, pesquisadores e analistas apontaram que o custo do saco de 60 quilos da mistura milho/soja (70% de milho e 30% de farelo de soja) mais que dobrou em dois anos: em janeiro de 2019, era vendido a R$50,37, chegando a R$ 115,79 no mesmo mês, em 2021.

Buscando soluções

A Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) discutiu na quarta-feira, 24, ações e medidas de auxílio ao setor de lácteos.

No início do mês, a entidade já tinha apresentado sete propostas ao Ministério da Agricultura. Segundo a superintendente técnica da entidade, Fernanda Schwantes, entre as ações, estão: redução de tributos sobre insumos usados na ração e suplementação animal, crédito e prorrogação de financiamentos.

Cenário pessimista para o setor de leite

Benedito Rosa, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e produtor de leite, afirma que não há como ser otimista neste momento. Segundo ele, as perspectivas são muito ruins para os pequenos e médios produtores.

“Medidas paliativas não resolvem o problema, elas já foram tomadas no passado. Aguardamos que a ministra tenha alguma novidade, mas acredito que não. O ministério tem sido irrelevante para o setor de leite, apesar da vontade da ministra”, diz Benedito Rosa.

Além de o preço dos grãos continuar com tendência de alta, o setor leiteiro projeta novas quedas nas cotações da bebida.

“Apenas os grandes produtores, com mais de 10 mil litros por dia e que produzem silagem com custo baixo, têm um bom futuro. Os pequenos e médios tendem a desaparecer em uma carnificina a céu aberto. Os agricultores familiares que contam com programas de auxílio continuarão existindo”, finaliza. 

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