Listamos 5 mitos sobre o cruzamento industrial

Listamos 5 mitos sobre o cruzamento industrial

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Foto: Lygia Pimentel

O cruzamento industrial é uma forma de melhoramento genético que deve ser feito de forma séria e criteriosa; faça escolhas certas para permitir excelentes ganhos

Com o objetivo de melhorar a produtividade do rebanho, o cruzamento industrial – sistema planejado de acasalamento entre raças distintas, no qual o reprodutor possui raça definida -, tornou-se grande destaque na pecuária nacional. De acordo com o Gerente de Produto Corte Taurino da Alta, Miguel Abdalla, a prática, feita de forma planejada e complementar, permite ganhos produtivos de até 20% a mais, em um menor espaço de tempo, comparado aos acasalamentos entre animais puros da mesma raça.

“Para obter sucesso, é fundamental que se faça um plano genético micro e macro do sistema de produção antes de identificar qual a raça ideal e, dentro dela, o touro adequado. O cruzamento industrial é uma forma de melhoramento genético que deve ser feito de forma séria e criteriosa. Portanto, fazer as escolhas certas permitem excelentes ganhos, em contra partida não as executar podem causar resultados desastrosos. De nada vale um planejamento adequado para as escolhas dos reprodutores que serão utilizados, se os outros pilares (sanidade, nutrição e manejo) forem deixados de lado”, explica.

Heterose ou vigor híbrido nada mais é que a superioridade média de um animal cruzado em relação à média dos desempenhos dos pais. Complementaridade é a combinação das qualidades desejáveis entre as raças formadoras do produto cruzado, buscando assim, a superioridade do mesmo. Portanto, quanto maior a complementaridade das características produtivas nas raças utilizadas, melhor será o resultado dos produtos.

Os programas de cruzamentos podem ser de 4 tipos, buscando em todos a otimização máxima da heterose:

Rotacionado – em que se usam somente duas raças, segurando as fêmeas para reprodução, sendo essas acasaladas com os animais da raça da mãe ou do pai (retrocruzamento);
Terminal – entre duas raças, onde todos os produtos são destinados ao abate;
Rotacionado-terminal – no qual são utilizados duas raças para produzir o F1, e em seguida, cruzam-se as fêmeas F1 com uma terceira raça (seus filhos, machos e fêmeas, serão destinados ao abate);
Cruzamento para formação de uma nova raça, conhecido como animais compostos e sintéticos – estes cruzamentos visam agregar características desejáveis ao produto (adaptação, precocidade, ganho de peso, resistência a ectoparasitas etc.).

Para entender melhor sobre o tema, Abdalla listou 5 mitos mais comentados no setor. Confira abaixo!

“Basta eu cruzar animais de raças diferentes sem planejamento que vou ter resultado, já que a heterose resolve tudo”.

Como sabemos a heterose tem um grande efeito nos animais cruzados, porém, somente quando esse cruzamento for feito de forma planejada e analisando todo o sistema de produção para identificar a raça e o touro mais adequado àquele ambiente.

Fonte: Autor
“Existe a melhor raça”.

A verdade é que existe a raça mais adequada para determinado sistema de produção e objetivo de seleção. Há diversas raças no mercado que são utilizadas para fazer o cruzamento industrial e boa parte delas, possuem ótimos resultados. Contudo, o que faz uma raça ter ou não sucesso é a análise prévia de todo o sistema para ver se ela está de acordo com o planejamento genético preestabelecido.

“Existe um touro bom pra tudo e pra todos”.

É preciso entender que existem diversos critérios de seleção, mesmo dentro de uma determinada raça. Isso faz com que haja variedades de produtos que darão diferentes resultados, dependendo do cenário que elas forem utilizadas. “O sistema de produção brasileiro é bastante heterogêneo, portanto, um touro que se sairá bem em um determinado ambiente poderá não corresponder em um outro”, ressalta.

“Vou ter bons resultados no cruzamento mesmo que eu não faça seleção da minha base”.

A heterose e a complementaridade entre as raças ajudam diretamente os animais oriundos de cruzamento, porém, é preciso lembrar que o vigor híbrido é caracterizado pela superioridade média dos produtos cruzados em relação à média dos desempenhos dos pais e a complementaridade é a combinação das qualidades desejáveis das raças paternais. Ou seja, uma base ruim sempre puxará esse valor para baixo. Se a ideia é ter ótimos resultados quando for feito o cruzamento industrial, é necessário se preocupar com a seleção adequada das matrizes também.

Foto: Agropecuária Maragogipe
“Tenho bons resultados com a minha F1, portanto vou seguir cruzando os produtos dela que certamente terei ótimos resultados”.

Cuidado! O cruzamento industrial visa ganhos maiores através da multiplicação de características desejáveis, mas é fundamental buscar o ponto de equilíbrio de produção x adaptação para cada sistema de produção. A continuidade do cruzamento nos produtos já cruzados requer muita atenção e orientação técnica, pois é quando há um grande risco de perder, não apenas heterose, como também a complementaridade, características essas fundamentais nesse processo. Por isso, fazer uma análise geral, bem como planejar e determinar quais são os seus objetivos, garante o sucesso nesta ferramenta.

Via Alta Genetics

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