Luto no campo: morre Marconi Malagoli, liderança rural em Minas Gerais

Produtor rural morreu aos 73 anos na madrugada desta terça-feira (3), deixando uma trajetória ligada à cafeicultura, à pecuária e à defesa dos produtores do município mineiro.

Patrocínio amanheceu de luto nesta terça-feira, 3 de novembro, com a morte do produtor rural Marconi Malagoli, aos 73 anos, presidente do Sindicato Rural de Patrocínio, no Alto Paranaíba mineiro. Sua partida deixa uma lacuna na representação dos produtores e na vida de uma família cuja história foi construída em torno da terra, do trabalho e da continuidade entre gerações.

O falecimento foi confirmado nas redes sociais pelo filho, Thiago Malagoli, atual secretário municipal de Obras de Patrocínio. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, Marconi estava internado em Uberlândia após sofrer uma ruptura da aorta e passar por uma cirurgia de emergência. Ele não resistiu às complicações posteriores ao procedimento.

Na despedida, Thiago expressou a dimensão da perda com palavras que traduzem a proximidade entre pai e filho: “Descanse em paz, meu pai. Meu herói, meu irmão, meu amigo, meu ídolo”. A homenagem também recordou os ensinamentos e o companheirismo ao longo de 44 anos de convivência.

Para os produtores que acompanharam sua atuação, fica a memória de uma liderança presente nas discussões sobre o futuro do campo. Para familiares e amigos, permanece a saudade do homem que dividiu sua vida entre a produção rural, a família e o compromisso com a comunidade.

Uma trajetória de representação e trabalho pelo produtor

Marconi exercia seu terceiro mandato consecutivo à frente do Sindicato Rural de Patrocínio. Reeleito em 2025, foi reconduzido ao cargo em uma solenidade realizada em 1º de agosto daquele ano, durante as comemorações dos 60 anos da entidade. Na ocasião, apontou a necessidade de ampliar a participação dos associados e conscientizar os produtores sobre a importância da representação sindical na defesa de seus interesses.

Entre as iniciativas de sua gestão esteve a recuperação de uma estrutura que havia permanecido inacabada por anos no parque de exposições. O espaço passou a receber as secretarias municipais de Agricultura e Meio Ambiente, dentro da proposta de transformar o local em um complexo de atendimento e integração de instituições ligadas ao meio rural. Marconi também defendia a continuidade das obras para acolher outras entidades e ampliar os serviços disponíveis ao produtor.

A segurança nas propriedades foi outra preocupação concreta. Em dezembro de 2021, o Sindicato Rural doou um drone à Patrulha Rural de Patrocínio para auxiliar o monitoramento e a fiscalização de áreas de difícil acesso, inclusive durante a noite. Ao comentar a entrega, Marconi destacou a expectativa de que a tecnologia contribuísse para oferecer mais segurança às famílias do campo.

Sua atuação também passou pela formação profissional e pela assistência técnica. Em parceria com o Sistema Faemg Senar, o sindicato promoveu treinamentos para produtores e trabalhadores, abrangendo operação de máquinas, segurança no trabalho e aprendizagem rural.

Na cafeicultura, essa aproximação se refletiu no acesso ao conhecimento e à gestão das propriedades. Em setembro de 2022, durante um dia de campo que reuniu aproximadamente 300 cafeicultores, Marconi informou que o sindicato mantinha três turmas do programa ATeG Café+Forte, atendendo 90 produtores. O encontro abordou temas como fertilizantes, rentabilidade, cultivares e práticas de produção.

Em outra manifestação, durante o Seminário do Café de 2023, resumiu o propósito desse trabalho: “Estamos proporcionando conhecimento e desenvolvimento para os produtores de Patrocínio e região. Somos referência e queremos continuar evoluindo”.

Da pecuária leiteira ao café: uma história construída em família

A ligação de Marconi com as demandas do produtor vinha também de sua própria experiência nas fazendas. Sua trajetória reuniu a pecuária leiteira, a cafeicultura e a criação de gado de corte. Mais recentemente, conforme as informações repassadas ao CompreRural, as atividades estavam concentradas no café e na pecuária de corte, com parte das terras arrendada para o cultivo de milho e soja.

Um dos capítulos dessa história está na Fazenda Boqueirão, em Patrocínio. Segundo reportagem sobre a trajetória da família, Marconi e a esposa, Flaida Oliveira Malagoli, iniciaram suas atividades na pecuária leiteira em 1984. O leite permaneceu presente durante décadas, com a participação do filho Marcelo na condução dos trabalhos.

O café chegou à propriedade em 2000, com o plantio inicial de 45 hectares da variedade Mundo Novo. Ao longo dos anos, a cultura ganhou espaço até se tornar a principal atividade da fazenda. Após a morte de Marcelo, em 2021, Thiago e Fernanda passaram a atuar diretamente na continuidade da produção, com investimentos em irrigação, tecnologia e assistência técnica.

Essa caminhada alcançou reconhecimento além do município. Em 2026, foi noticiada a seleção de um café especial da Fazenda Boqueirão para integrar uma edição de cafés de cooperados da Expocacer destinada à apresentação em Bruxelas, na Bélgica. Uma conquista que conecta o trabalho iniciado por Marconi e Flaida à continuidade da atividade pelos filhos.

É também nas lavouras, nos rebanhos e no conhecimento transmitido à família que permanece parte de seu legado.

A despedida de um pai, avô e bisavô

Marconi deixa a esposa, Flaida Oliveira Malagoli, os filhos Fernanda Malagoli, advogada, e Thiago Malagoli, além de nove netos, uma bisneta e demais familiares e amigos. Era também pai de Marcelo Malagoli, já falecido. A bisneta havia nascido cerca de 20 dias antes de sua partida, marcando a chegada de uma nova geração à família.

Até a conclusão desta reportagem, os locais e horários do velório e do sepultamento ainda não haviam sido divulgados.

Sua despedida deixa saudade entre aqueles que compartilharam sua vida e seu trabalho, das propriedades rurais às atividades do sindicato.

Toda a equipe do portal CompreRural lamenta profundamente a perda de Marconi Malagoli e se solidariza com sua esposa, filhos, netos, bisneta, demais familiares e amigos. Sabíamos que Marconi era um leitor assíduo de nossas notícias, vínculo que guardamos com carinho e gratidão. Neste momento de dor, prestamos nossa homenagem à sua memória e à trajetória que construiu junto à família e ao campo.

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