Boi gordo chega ao fim da semana com negócios a R$ 400/@ e oferta curta

Escalas de abate recuam, pecuaristas mantêm firmeza nas negociações e expectativa de melhora no consumo em novembro sustenta o mercado.

O mercado do boi gordo chega ao último dia útil de outubro com negócios a R$ 400 por arroba no interior de São Paulo, redução nas escalas de abate e resistência dos pecuaristas em aceitar preços menores. O cenário mantém a pressão de alta no mercado físico, embora o consumo doméstico mais lento no fim do mês limite a capacidade dos frigoríficos de absorver novos reajustes.

Na quinta-feira, 29 de outubro, os melhores negócios reportados pelo Agrobrazil ocorreram em Lucélia e Mococa, ambas em São Paulo, com a arroba negociada a R$ 400,00. São operações pontuais, que mostram a disputa por determinados lotes, mas ainda não representam a referência predominante do mercado paulista.

Ao mesmo tempo, a proximidade do pagamento dos salários e a expectativa de recuperação das vendas de carne no início de novembro entram no radar. Para as consultorias, o comportamento da demanda será decisivo para determinar a intensidade dos próximos movimentos da arroba.

Escalas de abate recuam e reforçam disputa por animais

No levantamento do Agrobrazil, a média das escalas de abate caiu de 6,79 para 6,51 dias úteis, ficando exatamente no mesmo nível da média móvel dos últimos 15 dias.

A redução indica menor cobertura das programações industriais. Com menos animais comprados antecipadamente, frigoríficos podem precisar retornar ao mercado com maior frequência para preencher os abates.

A disponibilidade limitada de bovinos terminados segue como principal sustentação dos preços. Segundo as avaliações de Scot Consultoria e Agrifatto, a postura mais firme dos pecuaristas também dificulta o avanço das compras.

As chuvas acrescentam dois componentes a esse quadro: em algumas regiões, dificultam o transporte dos animais; em outras, melhoram as pastagens e dão ao produtor condições de manter o gado por mais tempo na propriedade.

São Paulo avança a R$ 389,05 e Goiás ganha destaque

No Indicador do Boi informado no fechamento de quinta-feira, São Paulo registrou alta de 0,04%, para R$ 389,05 por arroba.

A maioria das praças acompanhadas também apresentou valorização. Goiás avançou 0,49%, encerrando o dia em R$ 370,65 por arroba, destaque positivo do levantamento.

Essas referências devem ser diferenciadas dos negócios de maior valor. Enquanto um indicador reúne operações conforme sua metodologia, uma venda a R$ 400/@ pode envolver condições específicas de localização, padrão dos animais, prazo de pagamento e necessidade de compra do frigorífico.

Os R$ 400/@ mostram o patamar alcançado em determinados negócios, mas não significam que todos os lotes estejam sendo remunerados nesse nível.

Menor participação de fêmeas chama atenção

Outro sinal acompanhado pelo mercado vem da composição dos abates. Conforme análise da Scot Consultoria, a participação de fêmeas nos abates sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) ficou em 26,9% na parcial de outubro, próxima da média de 26,6% dos últimos cinco anos para o mês.

O dado ajuda a contextualizar a oferta, mas exige cuidado: participação menor não equivale, necessariamente, à mesma redução no número absoluto de fêmeas abatidas.

Para avaliar a intensidade de uma eventual retenção de matrizes, também é necessário acompanhar o volume total de abates e a evolução desse movimento nos próximos meses.

Preço da carne limita ritmo dos reajustes

A dificuldade para repassar a valorização do boi gordo continua sendo um ponto de atenção para a indústria.

Segundo o Cepea, a carne bovina no atacado da Grande São Paulo tem apresentado avanço mais moderado que o observado na compra dos animais. No levantamento apresentado, a carcaça casada bovina estava em R$ 26,15 por quilo, com valorização semanal de 0,4%.

Esse descompasso pressiona as margens industriais e pode tornar os frigoríficos mais seletivos nas compras.

A Agrifatto avalia que a entrada dos salários na primeira semana de novembro tende a favorecer o escoamento da carne e ampliar a necessidade de reposição das escalas. Trata-se, porém, de uma expectativa: a confirmação dependerá das vendas efetivas no atacado e no varejo.

B3 tem sessão mista, com dezembro a R$ 403/@

Na B3, o penúltimo pregão de outubro terminou com resultados mistos para os contratos futuros do boi gordo e volume de negócios abaixo da média.

O contrato BGIZ26, com vencimento em dezembro de 2026, recuou 0,20%, encerrando a sessão a R$ 403,00 por arroba.

Mesmo com a queda diária, o vencimento permaneceu acima dos R$ 400/@. A cotação expressa as expectativas e negociações do mercado futuro, sem garantir que esse será o preço recebido pelo pecuarista na venda física.

No câmbio, o dólar avançou 0,76%, para R$ 5,3875. Uma moeda americana mais valorizada pode favorecer a receita em reais dos exportadores, embora o efeito sobre a compra de gado dependa também dos preços internacionais, dos custos e dos contratos de cada indústria.

O que observar na virada para novembro

O mercado entra em novembro com oferta restrita, escalas menores e pecuaristas mais firmes nas negociações. Esses fatores sustentam a arroba, mas a continuidade das altas dependerá da capacidade de escoamento da carne.

Para o produtor, o ponto central é comparar a proposta efetiva do frigorífico com o custo de manter os animais, considerando alimentação, desempenho, prazo de pagamento e reposição. O melhor negócio precisa ser medido pela margem da operação, além do valor da arroba.

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