Na Alemanha, Jochen Hartmann combina galinheiros móveis, áreas arborizadas e venda direta de ovos em uma criação que começou com apenas 40 aves.
As alpacas ganharam uma função incomum na fazenda do alemão Jochen Hartmann: ajudar a proteger as galinhas contra ataques de aves de rapina. Elas dividem espaço com uma criação de aproximadamente 2.800 poedeiras, manejadas em galinheiros móveis e piquetes com árvores.
O sistema reúne produção de ovos, plantio diversificado e comercialização próxima do consumidor. No lugar de concentrar toda a atividade em uma instalação fixa, o produtor distribui as aves pela propriedade e muda os abrigos de posição durante o manejo.
A experiência foi apresentada em vídeo pelo canal Agroforstwirtschaft in Deutschland, dedicado à agrofloresta na Alemanha, e relatada no material que serve de base para esta reportagem.
Das 40 galinhas ao primeiro abrigo móvel
A atividade começou com 40 galinhas em um jardim. Com a expansão, Hartmann chegou a considerar a construção de um galpão para 15 mil aves, mas a proximidade da fazenda com a cidade e os possíveis incômodos à vizinhança pesaram na decisão.
Em 2013, ele adquiriu seu primeiro galinheiro móvel, com capacidade para 250 animais. A escolha abriu caminho para uma criação em que o abrigo acompanha a utilização das áreas externas.
A inspiração também veio do comportamento das ancestrais selvagens das galinhas domésticas, que encontram proteção na vegetação. As árvores passaram, assim, a fazer parte do planejamento produtivo.


Árvores e rodízio organizam a criação
O primeiro plantio reuniu aproximadamente 1.500 álamos em 5,5 hectares, com participação de 45 clientes. Um comerciante local que comprava os ovos ajudou a financiar as mudas.
Depois, o produtor acrescentou outras espécies, incluindo amoreiras, ameixeiras e arbustos. A vegetação oferece sombra e abrigo, além de ampliar os espaços em que as galinhas podem explorar o terreno.
Em 2020, a área do projeto foi ampliada para 10,5 hectares. Na estrutura descrita no relato, são sete galinheiros móveis e 19 piquetes, utilizados em rodízio.
Os abrigos mudam de lugar semanalmente. Bovinos da raça Dexter também passam por determinadas áreas antes da entrada das aves.


Alpacas ajudam a afastar aves de rapina
A arborização integra a proteção do ambiente, mas as alpacas são o elemento que mais chama atenção. Os cercados foram organizados para permitir que esses animais observem o terreno ao redor.
Segundo Hartmann, os ataques de aves de rapina diminuíram entre 80% e 90% após a introdução das alpacas. O percentual corresponde à experiência relatada pelo produtor; o material não apresenta um estudo controlado que permita reproduzir essa estimativa em outras propriedades.
O caso mostra uma estratégia complementar de proteção, cuja aplicação depende das condições de cada criação e dos predadores presentes na região.
Venda de ovos aproxima fazenda e consumidor
A comercialização também sustenta o modelo. Mais da metade dos ovos é vendida diretamente na propriedade, em uma loja instalada no espaço de uma antiga criação de suínos.
O estabelecimento recebe, conforme o relato, cerca de 120 visitantes por dia e oferece ovos, batatas e outros produtos regionais. O restante da produção abastece supermercados, padarias e outros comércios próximos.


A experiência também teve dificuldades. Uma tentativa de controlar plantas espontâneas com lascas de madeira trouxe problemas de drenagem e perda de algumas árvores, exigindo ajustes no manejo.
Entre acertos e correções, Hartmann construiu uma atividade que conecta criação ao ar livre, arborização e mercado local. Para o produtor, a expansão veio acompanhada de mudanças no uso da terra e na forma de vender os ovos.
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