Tereza Cristina, Alceu Moreira, Rogério Marinho e Marcel van Hattem questionaram decisão de Zanin; TSE esclareceu que extensão até as 19h valia apenas para seções ainda abertas
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação do segundo turno neste domingo (25) provocou críticas de parlamentares ligados ao agronegócio e de aliados de Flávio Bolsonaro (PL). Tereza Cristina, Alceu Moreira, Rogério Marinho e Marcel van Hattem questionaram a medida, com manifestações sobre a atuação do Judiciário e os efeitos da determinação no encerramento do pleito.
A ordem ampliou o prazo para recebimento dos votos até as 19h, pelo horário de Brasília. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a extensão se aplicava somente às seções onde a votação ainda não havia sido encerrada às 17h. As reações reunidas nesta reportagem são individuais; não foi localizada uma manifestação institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Tereza Cristina cobra reforma do Judiciário
Em manifestação reproduzida no material encaminhado à reportagem, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) criticou a demora do TSE na análise dos pedidos e a intervenção do Supremo.
“2026 ficará como uma mancha para o nosso sistema eleitoral. Criada pela demora do TSE em analisar pedidos e agravada pela interferência indevida e intempestiva do STF. Que mais uma vez não observa os limites institucionais. Lamentável tudo isso. É realmente urgente a reforma do Judiciário!”
A senadora concentrou sua crítica na condução do episódio pelas duas cortes. Ao defender uma reforma do Judiciário, também questionou o que considera uma extrapolação dos limites institucionais pelo STF.

Alceu Moreira classifica decisão como intervenção
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) também reagiu em tom duro. Na imagem de uma publicação de seu perfil verificado no Instagram, o parlamentar classificou a determinação como uma intervenção.
“Decisão ABSURDA e sem precedentes na história da democracia brasileira. O que acaba de acontecer não tem outro nome: é INTERVENÇÃO a mando de Lula, com o canetaço de um ministro indicado por ele!”
A afirmação de que a decisão teria ocorrido “a mando de Lula” é uma acusação política do deputado. O material consultado não apresenta comprovação de que o presidente tenha ordenado a medida. O pedido judicial apresentado por uma campanha, por si só, não demonstra uma ordem ao magistrado.
Os recortes das manifestações de Moreira e Tereza Cristina enviados à reportagem não exibem data nem endereço das publicações originais.
Rogério Marinho questiona atuação de ministros do STF
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, também publicou críticas nas redes sociais. Segundo manifestações reproduzidas pela imprensa, o parlamentar questionou o grau de intervenção de integrantes do Supremo.
“Impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF.”
Na mesma reação, Marinho afirmou esperar que prevalecesse o bom senso e empregou as expressões “golpe judiciário” e “chicana administrativa” para criticar possíveis interferências no processo eleitoral.
Em outra declaração reproduzida pela revista Veja, o senador classificou a determinação como “vergonhosa e intempestiva” e acusou o ministro de tumultuar a eleição. As expressões representam a avaliação política do parlamentar sobre o episódio.
Marcel van Hattem cobra reação do presidente do TSE
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) também criticou a prorrogação. Conforme declaração reproduzida pela Folha de S.Paulo, ele classificou a decisão de Zanin como um “golpe” e cobrou uma reação do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques.
O parlamentar afirmou que o presidente da Justiça Eleitoral deveria “enquadrá-lo imediatamente”, em referência a Zanin.
A acusação de golpe expressa a posição do deputado. As declarações reunidas não constituem comprovação de fraude ou de alteração irregular dos votos.
As duas campanhas solicitaram ampliação do prazo
A controvérsia ocorreu em meio a pedidos das duas candidaturas para ampliar o horário de votação em localidades afetadas por dificuldades de acesso às urnas.
A campanha de Lula (PT) apresentou solicitações relacionadas a problemas no transporte público. Já a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu extensão do prazo em determinados municípios, citando condições climáticas adversas.
Os pedidos tinham abrangências e justificativas diferentes. Esse contexto ajuda a compreender a discussão: ambas as campanhas recorreram à Justiça para ampliar o tempo de votação, enquanto as críticas dos parlamentares se dirigiram à decisão de Zanin, ao momento de sua aplicação e ao alcance da medida.
TSE esclareceu que urnas encerradas não seriam reabertas
Após a determinação inicial, o TSE informou que a continuidade da votação estava restrita aos locais onde o procedimento ainda não havia sido encerrado às 17h. A prorrogação não significava a reabertura generalizada de urnas já fechadas.
O tribunal também anunciou que o recebimento dos boletins de urna, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados seriam retomados após as 19h.
As manifestações registram críticas de representantes do agro e de outros parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro. Não foi localizada, na apuração realizada, uma nota oficial da FPA nem uma declaração verificável de Pedro Lupion sobre a prorrogação.
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