Carga com 32 ovos de aves silvestres estava escondida em incubadoras improvisadas e roupas de passageiros; entre os filhotes estão tucanos e uma ave da família dos papagaios e araras.
Uma operação da Receita Federal em Foz do Iguaçu, no Paraná, revelou um caso de tráfico de animais silvestres que chamou a atenção pelo valor da carga e pelas circunstâncias da apreensão. Dos 32 ovos encontrados em um ônibus interestadual, oito já eclodiram, dando origem a filhotes de aves nativas brasileiras. Segundo estimativas da Receita Federal, a carga poderia alcançar R$ 10 milhões no mercado ilegal internacional.
A apreensão aconteceu no sábado (24), durante uma fiscalização de rotina em um ônibus que seguia para o Rio de Janeiro. Os ovos estavam escondidos em caixas térmicas adaptadas como incubadoras e até nas roupas de uma passageira.
De acordo com as autoridades, um casal de chineses transportava os animais clandestinamente e teria informado que receberia R$ 3 mil para levar a carga até o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Filhotes nasceram um dia após a apreensão
O que mais surpreendeu as equipes responsáveis foi o nascimento dos primeiros filhotes no domingo (25), apenas um dia depois da fiscalização.
Segundo informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sete filhotes pertencem à família dos ranfastídeos, que inclui os tucanos, e um à família dos psitacídeos, que reúne papagaios e araras. As espécies exatas ainda não foram identificadas.
O nascimento logo após a apreensão indica que os animais poderiam ter saído dos ovos durante o transporte clandestino, possivelmente dentro de uma aeronave.
Ovos poderiam valer até R$ 50 mil euros cada
A Receita Federal informou que cada ovo poderia alcançar 50 mil euros no mercado europeu. Considerando as 32 unidades, a estimativa de valorização chega a 1,6 milhão de euros, aproximadamente R$ 10 milhões.
As caixas utilizadas no transporte possuíam circuitos eletrônicos, ventiladores e sensores para controle de temperatura e circulação de ar. Entretanto, parte dos equipamentos estava desligada ou não funcionava no momento da fiscalização, aumentando os riscos aos embriões.

Ibama acompanha os animais e Polícia Federal investiga
Após a apreensão, os ovos foram encaminhados ao Ibama, responsável pela identificação das espécies e pelos cuidados necessários à sobrevivência dos filhotes.
Até a divulgação das informações, oito ovos haviam eclodido, enquanto a situação dos outros 24 permanecia indefinida.
Os dois passageiros foram encaminhados à Polícia Federal para os procedimentos cabíveis. A Receita Federal também informou que encaminharia representações fiscais ao Ministério Público Federal para apuração de possíveis crimes relacionados ao transporte clandestino de animais silvestres.
O episódio evidencia a dimensão econômica do tráfico de fauna brasileira e os riscos impostos aos animais retirados ilegalmente da natureza.
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