Desenvolvida pela Embrapa, a cultivar BRS 401 combina maior concentração de carotenoides, boa produtividade e menor tempo de cozimento
A nova mandioca alaranjada desenvolvida pela Embrapa surge como alternativa para ampliar o valor nutricional de um dos alimentos mais consumidos no Brasil. Batizada de BRS 401, a cultivar apresenta maior concentração de carotenoides e reúne características que podem favorecer tanto o consumidor quanto o produtor rural.
Obtida por meio de melhoramento genético convencional, a variedade faz parte dos programas de biofortificação da Embrapa. A estratégia busca desenvolver alimentos com mais vitaminas, minerais e compostos benéficos à saúde, sem recorrer à modificação genética.
Nova mandioca alaranjada tem mais carotenoides
A coloração diferenciada da BRS 401 está relacionada à presença de carotenoides, pigmentos naturais com ação antioxidante. Entre os compostos encontrados está o licopeno, conhecido por ajudar na proteção das células contra os danos provocados pelos radicais livres.
Tecnicamente, a Embrapa classifica a cultivar como mandioca de polpa rosada, embora ela também seja divulgada como alaranjada devido à aparência interna das raízes.
Segundo dados da instituição, a concentração de carotenoides da BRS 401 é superior à encontrada em variedades tradicionais de polpa branca ou creme. A característica aumenta o potencial de uso da mandioca em programas de alimentação e na produção de alimentos com maior apelo nutricional.
Cultivar também interessa ao produtor rural
Além da qualidade nutricional, a BRS 401 apresenta características agronômicas importantes. A cultivar possui bom potencial produtivo, ciclo precoce e moderada resistência à bacteriose, uma das principais doenças que atingem as lavouras de mandioca.
Em avaliações realizadas pela Embrapa no Distrito Federal e em áreas próximas, a produtividade média chegou a cerca de 29 toneladas por hectare. O resultado pode variar conforme as condições de solo, clima e manejo adotadas em cada propriedade.
A recomendação dos pesquisadores é que o plantio seja realizado em canteiros ou camalhões, prática que pode facilitar a retirada das raízes durante a colheita.
Nova mandioca alaranjada cozinha mais rápido
O menor tempo de cocção é outro diferencial da nova mandioca alaranjada. Nos testes conduzidos pela Embrapa, as raízes ficaram prontas em menos de 30 minutos, característica valorizada pelo mercado de mandioca de mesa.
A polpa colorida também pode ser aproveitada pela agroindústria na fabricação de purês, massas, salgados, chips e produtos minimamente processados. A aparência diferenciada pode contribuir para agregar valor e despertar o interesse de consumidores.
Biofortificação amplia valor dos alimentos
A Embrapa também desenvolve pesquisas de biofortificação com culturas como feijão, milho, arroz, trigo e batata-doce. O objetivo é oferecer alimentos mais nutritivos sem alterar os hábitos alimentares da população.
Com a BRS 401, a pesquisa brasileira busca unir nutrição, produtividade e oportunidade de mercado. A expansão da cultivar, porém, dependerá da oferta de manivas-sementes, da adaptação regional e da adesão de agricultores e consumidores.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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