Margem de lucro da cria bate recorde; e a troca como fica?

Margem de lucro da cria bate recorde; e a troca como fica?

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troca de gado gordo por magro
Montagem / Fotos: Fazenda ELGE

Margem de lucro da cria está chegando em patamares recordes; ágio do bezerro frente ao boi gordo no 1° semestre de 2020 foi o segundo maior ao longo dos últimos 10 anos

Com o preço do bezerro em patamares e recordes histórico, o poder de compra do pecuarista no momento de repor o rebanho foi um dos menores da história e isso tem colocado um ponto de atenção e interrogação importante para os recriadores, que chegam a questionar a viabilidade do negócio. Rogério Goulart, fundador da Carta Pecuária divulgou alguns gráficos interessantes – “Registrar o óbvio, mas são dados que quase ninguém tem. Margem de lucro da cria está trabalhando próxima dos seus picos anteriores. Desnecessário dizer o que ocorreu após. Quem é criador atente-se para o momento. Valores já levam em conta a inflação.”

Margem de lucro da cria / Fonte: Carta Pecuária / Rogério Goulart
Preço do bezerro / Fonte: Carta Pecuária / Rogério Goulart

Pois é, para ter uma melhor ideia do que estamos falando, o preço do bezerro em 2020 tem superado as expectativas de alta e na parcial de julho o valor médio opera mais de 60% acima do valor observado em 2019. E, embora os preços do boi gordo acumulem alta em 2020 e estejam nos maiores patamares nominais, a valorização do bezerro tem sido muito acima da observada para os animais destinados ao abate. Clique aqui e confira os dados da relação de troca de bezerros por boi gordo ao longo da primeira metade de 2020.

Fonte: Cepea

A Tabela mostrada acima apresenta os dados médios mensais do preço, em valores nominais, do boi gordo e do bezerro, segundo indicador Cepea, entre o 1° semestre de 2011 a 2020. O fato é que na primeira metade de 2020 o ágio do bezerro em relação ao foi boi gordo foi de 37,5%, perdendo apenas para o ágio de 2015, de 42,6%.

Vale destacar que na última década em apenas 3 oportunidades o ágio do bezerro ficou acima de 30% e isso aconteceu nos anos de 2015, 2016 e 2020, considerando a média entre janeiro a junho de cada ano. E a média do ágio no 1° semestre ao longo desses 10 anos foi de 29,5%.

Claro, o resultado desse ágio reflete em um menor poder de compra do pecuarista e um reflexo perigoso para o pecuarista, especialmente daqueles que se dedicam a atividade de recria e engorda, pressionados por índices de eficiência produtiva e controle de custos cada vez mais apurados.

Foto: Fotografias Cardoso

No milho também não melhora

A relação de troca de milho por boi gordo alcançou, em setembro, sequência de 5 meses consecutivos acima de 4,0 sacas por arroba. Vale destacar que no dia 24 de setembro, o preço do milho, em valor nominal, renovou o recorde histórico segundo indicador Cepea, a R$61,28 por saca e, superando a máxima anterior, observada no final de agosto (R$61,25 por saca). Esse movimento de alta em setembro tem impulsionado inclusive o preço do grão no mercado futuro do milho que, rompeu a barreira de R$62,0 por saca para março de 2021. Pois é, com isso, o milho passou a acumular alta de 26,5% no ano, uma vez que iniciou 2020 cotado a R$48,43 por saca.

Será que chegamos ao limite de preços? Esse bezerro negociado acima da casa dos R$ 2,2 mil reais dará lucro? Há muitos questionamentos na cabeça do pecuarista.

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