Megaoperação mira grupo suspeito de furtar mais de 2 mil cabeças de gado e causar prejuízo de R$ 10 milhões no Paraná

Ação mobiliza cerca de 210 policiais e cumpre 64 mandados em 16 municípios do Paraná; investigação aponta estrutura com aproximadamente 40 pessoas e possível atuação criminosa desde 2019.

Uma operação de grandes proporções realizada nesta quarta-feira (9) colocou no centro das atenções um problema que há anos preocupa produtores rurais: o furto de gado. Polícia Civil do Paraná (PCPR) e Polícia Militar do Paraná (PMPR) mobilizaram cerca de 210 policiais para desarticular uma organização suspeita de furtar, transportar e comercializar ilegalmente bovinos no Noroeste do Estado.

A dimensão atribuída ao esquema chama atenção. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, as investigações indicam que o grupo pode ter atuado desde 2019, período em que teria furtado mais de 2 mil cabeças de gado, causando prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões somente em parte da região Noroeste. Mais de 340 boletins de ocorrência relacionados a esse tipo de crime foram registrados na área analisada nos últimos anos.

64 mandados e operação em 16 municípios

A ofensiva cumpre 64 mandados judiciais, sendo 17 de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pela Justiça e são cumpridas simultaneamente em Alto Paraná, Paranacity, Cruzeiro do Sul, Colorado, Itaguajé, Uniflor, Nova Esperança, Astorga, Jaguapitã, São João do Caiuá, São Jorge do Ivaí, São Geraldo, Luiziana, Campo Mourão, Araruna e Roncador.

Além do efetivo policial, a operação conta com cães de faro e apoio aéreo de helicópteros das duas corporações. Imagens divulgadas durante a ação mostram equipes da Polícia Civil e Militar durante o cumprimento das medidas, além de armas e munições apreendidas.

Foto: PCPR

Furto de 29 bovinos abriu caminho para investigação

O ponto de partida da apuração foi o furto de 29 cabeças de gado, ocorrido em 13 de agosto de 2025 em uma propriedade rural de Alto Paraná. A partir do caso, aproximadamente dez meses de investigação teriam permitido identificar uma estrutura organizada e com divisão de tarefas.

Segundo a apuração policial, cerca de 40 pessoas estariam envolvidas. Entre as funções atribuídas aos integrantes aparecem o reconhecimento prévio de propriedades rurais, execução dos furtos, transporte dos animais, apoio logístico e possível fraude documental.

Um dos pontos mais relevantes para a cadeia pecuária está justamente no possível destino dos bovinos. Conforme a investigação, os animais furtados seriam encaminhados posteriormente a receptadores e leilões, com a utilização de mecanismos que buscariam conferir aparência de legalidade ao gado.

Foto: PCPR

Polícia estima mais de R$ 10 milhões em prejuízos

O delegado João Lucas Vieira Caetano afirmou que os levantamentos indicam que as ações atribuídas ao grupo podem remontar a 2019.

“Verificamos que as ações criminosas remontam ao ano de 2019 e envolveriam o furto de mais de 2 mil cabeças de gado.”

A Polícia Civil ressalta que tanto o número de animais quanto o prejuízo de mais de R$ 10 milhões são estimativas relacionadas à área abrangida pela investigação e ainda poderão ser melhor dimensionados após a análise dos documentos, materiais e demais elementos recolhidos durante a operação.

Investigação alcança diferentes etapas do esquema

O caso vai além da suspeita de simples retirada clandestina dos animais das propriedades. A apuração busca identificar toda a estrutura que teria permitido furtar, transportar, dar aparência de legalidade e posteriormente comercializar o gado.

Os investigados poderão responder, conforme a participação individual que venha a ser comprovada, por crimes como organização criminosa, furto qualificado de semoventes, receptação, corrupção ativa e passiva, inserção de informações falsas em sistemas e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. A investigação também apura possíveis crimes contra a saúde pública.

Foto: PCPR

As prisões e demais medidas cautelares possuem caráter processual. A responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações, análise das provas e do devido processo legal.

Para a pecuária, a dimensão atribuída ao caso chama atenção não apenas pelo número de animais. Mais de 2 mil bovinos, prejuízo superior a R$ 10 milhões e uma possível estrutura funcionando durante anos mostram como o abigeato pode ultrapassar o furto isolado dentro de uma propriedade e assumir características de uma cadeia organizada, envolvendo diferentes etapas até a comercialização dos animais.

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