Mercado árabe continua ávido por boi brasileiro

Mercado árabe continua ávido por boi brasileiro

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Confira o quanto os países desse bloco vêm aumentando as importações de animais vivos e de carne bovina. A mais recente é a maior importação da história do Rio Grande do Sul.

Começou no sábado, 28/3, com previsão do navio zarpar na quarta, o embarque de 22 mil bovinos vivos para a Jordânia. O carregamento está sendo realizado no porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, pela empresa Sagres Agenciamentos Marítimos e viagem a deve durar até 23 dias

De acordo com a superintendência do porto, este é o maior embarque de gado vivo da história no Rio Grande do Sul. Em sua maioria, os bovinos vendidos são de raças europeias, como angus e hereford e suas cruzas.

Em tempo de coronavírus, a administração do porto estabeleceu que a tripulação não desembarca, permanecendo no navio durante toda a operação. “Estamos ajudando na segurança alimentar, e prova disso são as exportações de gado e soja”, diz Paulo Fernando Curi Estima, diretor superintendente do Porto de Rio Grande.

Para Ali Saifi, diretor executivo da Cdial Halal, certificadora de produtos halal para esses países, e que consumidos pela população hislâmica, o setor não deve parar. 

“Haverá ajustes ou mesmo trocas, mas o comércio continua”, diz ele. O executivo lembra que nesse período, os povos islâmicos começam a se preparar para o hamadã, que neste ano começa na noite do dia 23 de abril e termina em 23 de maio.

O hamadã é a principal celebração desse povo, que neste mês jejua durante todo o dia e à noite se reúne em volta de pratos especiais para a ocasião. “As compras estão ocorrendo agora”, afirma Saifi. “Embora não saibamos como será o comportamento do povo islâmico neste ano, por causa do coronavírus, a celebração permanece.” 

De acordo com o executivo, não por acaso a certificação de produtos tem crescido para esses países. “Há  um movimento em busca de um monitoramento em toda a cadeia, como acontece hoje com a logística.” Para ele, esse é o próximo movimento no mercado das certificações aos países do mundo árabe.

MERCADO EM ALTA

O mercado de animais vivos para os países árabes tem crescido de forma consistente nos últimos cinco anos. Em 2015, o envio de bovinos vivos rendeu ao País US$ 73,9 milhões. No ano passado foram US$ 236,9 milhões (confira o quadro abaixo).

Igualmente, o mercado de carne também tem crescido. No ano passado foram 360,3 mil toneladas por US$ 1,2 bilhão, ante 280,1 mil toneladas por US$ 1 bilhão em 2015.

O mundo árabe é constituído por dezenove países, doze dos quais são asiáticos (Jordânia, mais Síria, Líbano, Iraque, Arábia Saudita, Iêmen, Iêmen do Sul, Sultanato de Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait) e outros sete africanos (Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia, Sudão).

Confira os números dos últimos cinco anos

Venda de carne bovina para o mundo árabe

2015: 280,1 mil ton., por US$ 1 bilhão

2016: 284,0 mil ton., por US$ 981,3 milhões

2017: 271,4 mil ton., por US$ 1 bilhão

2018: 343,7 mil ton., por US$ 1,1 bilhão

2019: 360,3 mil ton., por US$ 1,2 bilhão

2020*: 37,1 mil ton., por US$ 141,6 milhões

Fonte: Secex. *janeiro e fevereiro

Receita com a exportação de bovinos vivos

2015: US$ 73,9 milhões

2016: US$ 89,1 milhões

2017: US$ 129,5 milhões

2018: US$ 153,4 milhões

2019: US$ 236,9 milhões

2020*: US$ 8,7 milhões

Fonte: Secex. *janeiro e fevereiro

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