Mesmo com ano adverso, Raça Devon celebra 2020

Mesmo com ano adverso, Raça Devon celebra 2020

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Foto: Alexandre Teixeira

ABCDB comemora realizações das raças Devon e Bravon em ano marcado por pandemia e incertezas; bom momento da pecuária deve repercutir positivamente em 2021

“2020 surpreendeu e exigiu muito de todos os criadores, principalmente trabalho e superação. Felizmente, encerramos o ano maiores e com resultados positivos”, resume Simone Bianchini, presidente da entidade agora denominada Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB). A mudança no nome é consequência de uma conquista importante: o registro oficial, em setembro, da raça Bravon junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, uma reivindicação antiga dos criadores.

“Arrisco dizer que foi a nossa principal realização este ano. Esses cruzamentos consistem na realização do acasalamento entre Devon e zebu, até que os animais cheguem às proporções desejadas de ambas as raças. No caso da raça Bravon, possui 5/8 de sangue Devon e 3/8 de sangue zebuíno, gerando mais heterose, ou seja, carne macia e com maiores ganhos de produtividade. A oficialização foi um grande passo para a expansão da raça Devon no Brasil’, comemora a dirigente.

O ano, completamente atípico, exigiu a reformulação de todas as atividades para atender às recomendações de saúde. “A partir de março, não tivemos participação presencial em eventos agropecuários e os nossos leilões oficiais, Top Devon Brasil e Top Devon SC, se tornaram virtuais. Os compromissos da Associação também aconteceram pela internet. A atuação da Devon na Expointer Digital foi diferenciada, tivemos o lançamento do Anuário da raça durante live na programação oficial do evento e fomos muito bem representados pela Cabanha Boeck, de Encruzilhada do Sul, no desfile de animais”, detalha Simone.

Por outro lado, assim como o agronegócio não parou durante a pandemia, os criadores permaneceram trabalhando em suas propriedades, fazendo o que sabem e gostam: produzindo animais. A Associação deu prosseguimento aos programas Carne Devon Certificada e de Certificação de Terneiros, assim como à campanha de Touros Registrados. E investiu em ações de incentivo aos associados. “O fomento à Ultrassonografia de Carcaça em animais avaliados pelo Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (PROMEBO) nos trouxe resultados muito bons. E a prova de Consumo Alimentar Residual, iniciada em outubro e que encerra no início de janeiro de 2021, é uma excelente oportunidade para termos um parâmetro atualizado de eficiência alimentar, para que os criadores possam aprimorar seus rebanhos em eficiência e qualidade”, avalia Simone.

2020 teve realizações ainda na área organizacional. Um novo estatuto, aprovado pelos associados, redefiniu o nome da Associação, que agora abraça também a raça Bravon. “O novo estatuto foi idealizado visando uma reorganização estrutural, para que possamos desempenhar nossas atividades com eficiência e vencermos os desafios da expansão das raças Devon e Bravon. Destaco também a criação do Núcleo Catarinense de Criadores de Devon dos Campos de Cima da Serra, que reúne cabanhas de quatro municípios daquela região. Isso representa a implementação de um objetivo estratégico, visando a descentralização das atividades da ABCDB e a criação de novos núcleos nos diversos estados brasileiros, objetivando dar apoio ao criador aproximando-os das atividades e projetos da Associação”, diz a dirigente.

Com o mercado estável, preço da arroba firme, em patamares elevados e uma boa remuneração aos produtores, as prioridades para 2021 estão nos projetos de crescimento das raças Devon e Bravon e ainda na retomada da certificação da carne no Rio Grande do Sul. Expectativa positiva também na continuidade dos programas técnicos em andamento e na torcida para o retorno dos eventos agropecuários presenciais. “Será muito bom se pudermos voltar à normalidade e, quem sabe, o Bravon estrear na Expointer”, projeta Simone. No mês de maio, as atenções estarão voltadas para assembleia da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), na França, para o reconhecimento internacional do Rio Grande do Sul como zona livre de aftosa sem vacinação. “A mudança de status sanitário será positiva tanto para o mercado de animais quanto de carne. Teremos a oportunidade de retomar os negócios entre os criadores de Santa Catarina com o mercado gaúcho. Será um grande avanço”, aposta.

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