Milho fecha desvalorizado no mercado físico brasileiro

Milho fecha desvalorizado no mercado físico brasileiro

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Foto: Kenia Santos/ Canal Rural

Chicago cai mais de 1% após progresso no plantio americano; Milho fecha a terça-feira desvalorizado no mercado físico brasileiro.

A terça-feira (09) chega ao final com os preços do milho no mercado físico brasileiro caindo. Em levantamento realizado, não foram percebidas valorizações em nenhuma das praças.

Já as desvalorizações apareceram em Pato Branco/PR (1,29% e preço de R$ 38,20), Marechal Cândido Rondon/PR e Ubiratã/PR (1,33% e preço de R$ 37,00), Londrina/PR (1,35% e preço de R$ 36,50), Eldorado/MS (1,41% e preço de R$ 35,00), Cândido Mota/SP (1,91% e preço de R$ 41,00), Campinas/SP (2,02% e preço de R$ 48,50), Itapetininga/SP (2,08% e preço de R$ 47,00), Palma Sola/SC (2,30% e preço de R$ 42,50), Cascavel/PR e Cafelândia/PR (3,90% e preço de R$ 37,00).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, aos poucos mais ofertas de milho surgem no mercado. “A pressão de baixa é vigente com o recuo do dólar e a grande safra americana. Nas próximas semanas, a colheita mesmo que de forma incipiente pode disponibilizar mais cereal no mercado interno”.

Nos últimos 30 dias as cotações do milho nos portos brasileiros caíram cerca de R$ 9,00 saindo do patamar de R$ 53,00 para os atuais R$ 44,00. Segundo análise da Brandalizze Consulting, o grande fator que ocasionou este movimento foi a desvalorização do dólar ante ao real, que saiu de aproximadamente R$ 6,00 para algo próximo dos R$ 4,85.

Mesmo com essas baixas, as cotações seguem elevadas ante a média histórica para o cereal e devem garantir boa rentabilidade aos produtores brasileiros, que já negociaram cerca de 50% desta próxima produção aproveitando os momentos de altas nos preços.

O analista de mercado Vlamir Brandalizze destaca que, apesar de estes momentos mais altos de preços já terem passado, ainda existe espaço para novas valorizações no mês de agosto, com o mercado de olho nas movimentações cambiais e em possíveis valorizações do cereal na Bolsa de Chicago.

O segundo semestre inclusive deve representar uma retomada para as exportações brasileiras de milho, que são estimadas em mais de 30 milhões de toneladas neste ano. Brandalizze acredita que os volumes voltem a te força entre agosto e outubro, já que a soja vai abrir espaço para o milho nos portos para o escoamento das quantidades que já foram negociadas antecipadamente.

A retomada da demanda interna de milho também deve ser aquecida no segundo semestre. O mercado interno de carnes deve retomar espaço se aliando as exportações do setor que estão em alta. Além disso, o etanol de milho, que verificou queda de até 40% no consumo neste momento de pandemia, deve voltar a crescer rapidamente na visão da consultoria.

B3

A Bolsa Brasileira (B3) operava com perdas para os preços futuros do milho. As principais cotações registravam movimentações negativas entre 0,14% e 2,02% por volta das 16h28 (horário de Brasília).

O vencimento julho/20 era cotado à R$ 43,43 com baixa de 0,14%, o setembro/20 valia R$ 42,41 com perda de 0,68%, o novembro/20 era negociado por R$ 45,20 com queda de 0,22% e o janeiro/20 tinha valor de R$ 46,05 com desvalorização de 2,02%.

As cotações sentiam a influência de duas forças distintas, por um lado os trabalhos de colheita que seguem avançando no país e por outro lado o dólar retoma terreno subindo ante ao real.

O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) aponta que os produtores mato-grossenses já retiraram dos campos 4,35% do total cultivado até a última sexta-feira (05) e a estimativa de produtividade média estadual é de 105,46 sacas por hectare, número menor do que as 110,68 da safra passada.

Já a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná divulgou, por meio do Departamento de Economia Rural (Deral), seu o relatório de plantio e das principais safras do estado.

O relatório semanal apontou que 3% das lavouras estaduais foram colhidas até a última segunda-feira (08). As áreas restantes se dividem com 22% já em maturação, 55% estão em frutificação, 22% em floração e 1% ainda em descanso vegetativo.

No câmbio, a moeda americana subia 1,08% por volta das 16h42 (horário de Brasília) e era cotado à R$ 4,87.

Mercado Externo

A Bolsa de Chicago (CBOT) fechou as operações desta terça-feira (09) caindo para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registravam movimentações negativas entre 3,75 e 6,25 pontos ao final do dia.

O vencimento julho/20 foi cotado à US$ 3,27 com desvalorização de 6,25 pontos, o setembro/20 valeu US$ 3,33 com perda de 5,25 pontos, o dezembro/20 foi negociado por US$ 3,43 com baixa de 4,25 pontos e o março/21 teve valor de US$ 3,55 com queda de 3,75 pontos.

Esses índices representaram desvalorizações, com relação ao fechamento da última segunda-feira, de 1,80% para o julho/20, de 1,48% para o setembro/20, de 1,15% para o dezembro/20 e de 1,11% para o março/21.

Segundo informações da Agência Reuters, os contratos futuros de milho em Chicago caíram nesta terça-feira, devolvendo alguns ganhos de comícios recentes, após o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) fazia uma avaliação das condições das safras que os analistas consideravam favoráveis.

“Não foram quedas inesperadas hoje quando você olha para os fatores climáticos e onde está essa safra”, disse Chuck Shelby, presidente da Commodities de Gerenciamento de Riscos.

O relatório semanal de condições de safra do USDA, divulgado após o fechamento do mercado na segunda-feira, classificou 75% da safra de milho dos EUA como boa a excelente, acima dos 74% da semana passada e alinhado com as estimativas médias dos analistas em uma pesquisa da Reuters.

Enquanto isso, os comerciantes estavam antecipando os relatórios de estimativa e demanda agrícola e produção agrícola do USDA na quinta-feira.

“Se conseguirmos passar por esse relatório sem nenhuma surpresa chocante, acho que continuaremos a retomar a tendência de alta sazonal, mas esse relatório sempre tem o potencial de esmagar o quadro técnico”, disse Ted Seifried, estrategista-chefe de mercado agrícola do The Zaner Ag Hedge Group.

Fonte: Notícias Agrícolas

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