“Não é esse ano que nós vamos comer picanha barata, não é em 2026 e também não é em 2027”

A afirmação é do analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, em entrevista ao Radar Rural, do Canal Rural, onde ressaltou ainda que o consumidor brasileiro ainda deve conviver com carne bovina, inclusive a picanha, valorizada em 2026 e 2027, enquanto China, União Europeia e o ciclo pecuário seguem sustentando o mercado.

A expectativa de uma queda significativa no preço da carne bovina ainda está distante. Embora o consumidor espere um alívio após meses de preços elevados, os fundamentos do mercado continuam apontando para um cenário de oferta restrita e demanda firme, tanto no Brasil quanto no exterior.

Essa é a avaliação de Fernando Iglesias, coordenador de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, apresentada durante entrevista concedida ao programa Radar Rural, do Canal Rural. Segundo o analista, os efeitos do ciclo pecuário e das mudanças no comércio internacional devem impedir uma redução relevante dos preços da carne nos próximos anos.

“Não é esse ano que nós vamos comer picanha barata, não é em 2026 e também não é em 2027 pela questão do ciclo pecuário.”

A declaração reforça a percepção de que a recuperação dos rebanhos, após anos de retenção de matrizes e mudanças no ciclo da pecuária, continuará sustentando a arroba do boi gordo em patamares remuneradores.

Carne deve continuar pressionando o orçamento das famílias

Durante a entrevista ao Radar Rural, Iglesias destacou que a carne bovina tende a permanecer menos acessível, principalmente para consumidores de menor poder aquisitivo.

Segundo o analista, o orçamento apertado deve continuar direcionando parte das famílias para proteínas de menor valor agregado, como carne de frango, suína, ovos e produtos processados.

“A classe C e D vai apresentar essas dificuldades de consumo muito mais aparentes. A escolha dessas famílias vai recair sobre proteínas mais baratas.”

China continua sendo o principal fator para o mercado brasileiro

Outro ponto destacado por Fernando Iglesias durante a entrevista foi o impacto das novas regras chinesas para as importações de carne bovina.

Na avaliação do especialista, mesmo com a limitação das cotas tarifárias, a China continuará sendo o principal destino da carne bovina brasileira e dificilmente será substituída por outros mercados.

“Não é o volume europeu que vai substituir a China. A China é metade da exportação brasileira e vai seguir sendo o nosso carro-chefe.”

A análise vai ao encontro do cenário observado pelo setor exportador, que acompanha atentamente a evolução das compras chinesas e seus reflexos sobre a formação dos preços da arroba.

União Europeia amplia exigências sanitárias

Além do mercado chinês, Iglesias também chamou atenção para as novas exigências da União Europeia relacionadas à rastreabilidade dos animais e ao controle do uso de antimicrobianos.

Segundo ele, a estrutura da pecuária brasileira — baseada em diferentes fases de cria, recria e engorda realizadas em propriedades distintas — torna esse processo mais complexo.

“O mesmo animal pode ter vários donos ao longo da vida dele dentro das etapas de cria, recria e engorda. Isso torna a cadeia fragmentada e mais difícil de ter essa rastreabilidade.”

Confinamento segue rentável, mas exige mais gestão

Mesmo diante das incertezas, o coordenador da Safras & Mercado afirmou, durante a entrevista ao Canal Rural, que o confinamento ainda apresenta viabilidade econômica, embora com margens menores do que as registradas no ano passado em razão da valorização da reposição.

Para o último trimestre, Iglesias também considera possível uma nova valorização da arroba caso se confirmem fatores como oferta restrita, retomada das compras chinesas, demanda internacional aquecida e fortalecimento do consumo interno.

Planejamento será decisivo

Na avaliação do analista, o cenário atual exige cada vez mais profissionalização da atividade.

“Planejamento tem que virar um mantra dentro dos grandes confinamentos.”

Ele também ressaltou que informações confiáveis, gestão de risco e estratégias de comercialização serão fundamentais para preservar margens em um ambiente de elevada volatilidade.

“O pecuarista precisa trabalhar com informação de qualidade. Uma notícia errada pode induzir ao erro e gerar prejuízo.”

Com informações do Radar Rural, do Canal Rural

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM