Novas cultivares de algodão da Embrapa chegam a 7,6 t/ha e resistem a doenças

BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF, as novas cultivares de algodão da Embrapa combinam potencial produtivo, proteção contra lagartas e resistência a problemas que comprometem o rendimento das lavouras.

A Embrapa, em parceria com a empresa Lyntera, desenvolveu duas novas cultivares de algodão que combinam alto potencial produtivo e resistência a doenças e nematoides. Os materiais BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF incorporam biotecnologia para proteção contra lagartas e tolerância ao herbicida glifosato, ampliando as ferramentas disponíveis para o manejo da cultura.

Segundo informações divulgadas pela instituição, o potencial produtivo chega a cerca de 7,6 toneladas por hectare na primeira safra e supera 5,3 toneladas por hectare na segunda, dependendo da cultivar. Além do rendimento, os materiais apresentam características distintas para atender áreas com pressão de nematoides e sistemas que buscam qualidade de fibra e estabilidade produtiva.

Resistência a doenças que provocam perdas expressivas

As duas cultivares apresentam resistência ao nematoide das galhas (Meloidogyne incognita), que compromete o sistema radicular e o desenvolvimento das plantas. Conforme a Embrapa, esse organismo pode provocar perdas de até 50% na produtividade do algodão.

Os materiais também possuem resistência à bacteriose, à doença-azul e à mancha de ramulária, causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines. Presente nas principais regiões produtoras brasileiras, a ramulária pode ocasionar perdas de 25% a 35%, chegando a superar 70% em situações de alta severidade, segundo a instituição.

Para Camilo Morello, pesquisador e coordenador do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa Algodão, as novas cultivares podem contribuir para reduzir perdas por nematoides, melhorar o controle de lagartas e facilitar o manejo de plantas daninhas.

“Enfim, uma melhoria da sanidade geral da lavoura, reduzindo riscos produtivos e, potencialmente, os custos com defensivos”, destaca o pesquisador.

Ambas apresentam adaptação a solos arenosos, mas suas diferenças devem orientar a escolha conforme as condições de cada propriedade.

BRS 510 também resiste ao nematoide reniforme

A BRS 510 B2RF tem como diferencial a resistência ao nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis), além da proteção contra o nematoide das galhas.

Em áreas com altas infestações, o nematoide reniforme pode causar prejuízos superiores a 60% na produtividade do algodão, de acordo com a Embrapa. Esses organismos parasitam as raízes e estão entre os principais desafios fitossanitários da cotonicultura brasileira.

A instituição informa rendimento de cerca de 7,6 t/ha na primeira safra e acima de 5,3 t/ha na segunda para a BRS 510. A cultivar é indicada para áreas comerciais de alto rendimento, inclusive onde há histórico de pressão por nematoides e doenças.

Sua indicação abrange os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.

BRS 810 se destaca pela qualidade da fibra

A BRS 810 B3RF reúne resistência à bacteriose, à doença-azul, à mancha de ramulária e ao nematoide das galhas. Outro destaque é a qualidade da fibra, que, segundo a Embrapa, supera as exigências da indústria têxtil.

A produtividade informada para o material é de aproximadamente 7,3 t/ha na primeira safra e 5,2 t/ha na segunda.

A cultivar é indicada para plantio na primeira safra ou na abertura da segunda safra no Cerrado e em outras regiões consideradas aptas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Entre as localidades mencionadas estão Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Paraná. O material também é indicado para cultivo irrigado no Semiárido.

Veja as principais diferenças entre as cultivares

CaracterísticaBRS 510 B2RFBRS 810 B3RF
Tecnologia incorporadaBollgard 2 RFlexBollgard 3 RFlex
Produtividade informada na primeira safraCerca de 7,6 t/haCerca de 7,3 t/ha
Produtividade informada na segunda safraAcima de 5,3 t/haCerca de 5,2 t/ha
Resistência ao nematoide das galhasSimSim
Resistência ao nematoide reniformeSimNão informada no material
Resistência à ramulária, bacteriose e doença-azulSimSim
Diferencial destacadoResistência adicional ao nematoide reniformeQualidade da fibra e estabilidade produtiva

Os resultados apresentados não representam garantia de rendimento em todas as propriedades. A produtividade depende das condições de cultivo, do clima e do manejo adotado.

Biotecnologia amplia a proteção contra lagartas

As duas cultivares são transgênicas e incorporam tecnologias da Bayer para proteção contra as principais lagartas do algodoeiro e tolerância ao glifosato.

A BRS 510 utiliza a tecnologia Bollgard 2 RFlex (B2RF). Já a BRS 810 incorpora a Bollgard 3 RFlex (B3RF), que acrescenta um mecanismo de ação e amplia a proteção contra lagartas.

A tolerância ao herbicida também facilita o manejo de plantas daninhas dentro do sistema de produção.

Cultivares resistentes reforçam o manejo integrado

Nelson Suassuna, fitopatologista da Embrapa Algodão e um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos materiais, explica que a ramulária ocorre em todo o Brasil e está entre os problemas que mais demandam aplicações de fungicidas. Segundo o pesquisador, o controle pode exigir de oito a dez aplicações por safra.

Já os nematoides, embora disseminados em quase todas as regiões produtoras, apresentam impacto maior em áreas específicas do Cerrado, como o oeste da Bahia e Mato Grosso.

“Essas cultivares podem ser aliadas importantes nessas regiões de alta pressão de nematoides e doenças”, afirma Suassuna.

O uso de materiais resistentes deve integrar um conjunto de medidas. Entre as estratégias citadas pela Embrapa estão:

  • Rotação de culturas com plantas não hospedeiras, no manejo dos nematoides.
  • Aplicação de nematicidas e fungicidas químicos ou biológicos, conforme a necessidade.
  • Limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas, para evitar a disseminação de nematoides para novas áreas.

Comercialização das sementes

As sementes das novas cultivares são comercializadas pela Lyntera, empresa parceira da Embrapa, localizada em Formosa, Goiás.

O material foi divulgado pela instituição em 22 de setembro de 2026, com apresentação das cultivares prevista na programação do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte.

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