Novembro foi o mês do boi gordo

Novembro foi o mês do boi gordo

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Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

A volatilidade chegou ao topo no próprio mês de novembro, quando o escoamento da carne, no mercado interno, perdeu velocidade e a cotação do boi gordo esbarrou no repasse do varejo para o consumidor. 

O mercado do boi gordo foi destaque em novembro. Apesar da menor quantidade de negócios na última semana de novembro, e até mesmo do recuo de 4,4% na cotação no último dia do mês, a alta acumulada foi de 29,5%. 

A valorização era esperada, mas a intensidade foi histórica. 

Variações de novembro 

A variação da cotação da arroba do boi gordo, em novembro, foi o maior desde 2004, e, de longe, maior que a variação de novembro de 2007, onde alcançou seus 14,4% logo após a forte queda de preço de 2005 e 2006 marcados pelo episódio do surto da febre aftosa em Mato Grosso do sul. 

Em retrospectiva, houve outros momentos em que o mercado ficou sem referência, vale lembrar episódios como a operação da Carne Fraca e a delação dos irmãos Batistas, mas nada que se comparasse a novembro de 2019. 

Alguns vetores foram responsáveis por dar sustentação às cotações, entre eles a dificuldade dos frigoríficos em compor as escalas de abate, a melhoria do consumo no mercado doméstico, típico de final de ano, e, principalmente, à exportação em alta, sobretudo para a China. 

Tabela 1. Variação da cotação da arroba do boi gordo nos meses de novembro – 2004 a 2019.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Demanda chinesa

Os consumidores brasileiros têm pagado mais pela carne. As compras chinesas, para preencher o ‘’buraco’’ deixado pela peste suína africana, que dizimou metade do rebanho de suínos da China, foi e tem sido uma das razões deste quadro. Quarenta indústrias frigoríficas foram habilitadas para exportar e atender o mercado chinês, aumentando a procura por boiadas.

De janeiro a novembro, a exportação foi de 1,40 milhão toneladas de carne bovina in natura, desse montante 29,2% foram para os chineses, ou 410,41 mil toneladas segundo o MDIC*.

No intervalo de 1997 a 2019, 2019 foi o ano em que a exportação de carne bovina esteve acima de 100 mil toneladas em todos os meses.  Em outubro e novembro apurou-se os maiores volumes, e isso se deve ao incremento de plantas que foram habilitadas para exportar para a China no período.

A maior demanda, associada à baixa disponibilidade de bovinos terminados, enxugou os estoques , provocando a elevação das cotações do boi gordo em todas as praças pecuárias. 

Sazonalidade

A melhora do consumo doméstico é comumente prevista para o final do ano, devido as contratações temporárias e o recebimento do décimo terceiro salário, o poder aquisitivo melhora, com isso o consumo de carne é melhor nesse período, especialmente com a proximidade das festas de fim de ano, fatores que contribuem positivamente com o mercado o boi gordo 

Considerações finais 

A volatilidade chegou ao topo no próprio mês de novembro, quando o escoamento da carne, no mercado interno, perdeu velocidade e a cotação do boi gordo esbarrou no repasse do varejo para o consumidor. 

No entanto, a demanda chinesa deve continuar firme, já que a crise oriunda da peste suína africana deve se estender para 2020, e, portanto, a procura por carne, não só brasileira deverá continuar. 

A oferta curta de boiadas também deverá continuar, amenizada apenas pela safra, e em função disso a cotação do boi gordo permanecerá apresentando firmeza, com ajustes naturais decorrentes das estações do ano.

Fonte: Scot Consultoria

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