O “boom” da reposição pode estar próximo do fim

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Foto: L. M Nieto / @lmnieto

A tendência é que o movimento de retenção de fêmeas leve ao aumento de animais de reposição e machos no médio prazo; E agora pecuarista, o que fazer?

A relação de troca entre o boi gordo e o bezerro encerrou o mês de março com uma queda de 2,69% frente ao início do mês, segundo os dados dos pecuaristas no sul mato-grossense. A menor oferta de animais para a reposição também tem ajudado a sustentar os atuais preços da reposição no país. Mas, segundo alguns analistas, o “boom” da reposição pode estar próximo do fim!

“Agora com um boi gordo é possível comprar 1,61 unidade de bezerros, sendo que antes estava em 1,67 unidade de bezerros.  Na primeira quinzena de abril essa relação foi pressionada pela maior valorização do bezerro em relação à arroba e no dia 14/04 fechou em “1 boi gordo para 1,60 unidade de bezerros”, reportou a IAGRO. 

Mato Grosso abateu 612,14 mil bois no primeiro trimestre de 2021, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Esse é o menor volume dos últimos dois anos. Também foram abatidas 452 mil fêmeas. No comparativo com janeiro-março do ano passado, as quedas são de 5,1% e 26,61%, respectivamente.

Para o Imea, a atenção se volta para as fêmeas que, além de comandar o ciclo pecuário – fator estrutural determinante para a cadeia da bovinocultura de corte – apresentaram o menor resultado, ponto favorável para o mercado da terminação, que deve observar uma melhora na oferta de animais ao decorrer do ano!

“Esse resultado demonstra que, se este cenário de retenção mais intensa das fêmeas se perdurar, a tendência no médio prazo é de que a oferta de animais de reposição seja elevada. Já no curto prazo, essa oferta escassa de animais aptos para o abate vem influenciando e ditando o mercado físico do boi gordo”, aponta o analista.

O Indicador do Bezerro, segundo o Cepea, voltou a bater recorde para os animais nas praças paulistas. Segundo o fechamento da ultima sexta-feira, 16, o valor do animal teve uma valorização diária de 1,29% e atingiu o patamar de R$ 3.176,47 por cabeça. Esse é o maior valor dos últimos 30 dias e representa uma valorização de R$ 455,00 por cabeça – veja gráfico abaixo!

Queda nos preços da reposição

Levantamento do Cepea indica que os preços do boi e do bezerro são recordes e seguem em alta, mas os do animal de reposição sobem com mais intensidade que os do animal para abate. Com isso, muitos terminadores consultados pelo Cepea mostram cautela na compra de novos lotes de bezerro, mesmo diante dos elevados preços da arroba do boi gordo. 

Esse movimento, em conjunto com a pressão da safra do boi que vem derrubando os preços da arroba, os preços da reposição já começaram a ceder em algumas praças pecuárias, com uma desvalorização do bezerro na casa de R$ 110,00/cab.

E um grande desafio do pecuarista será trabalhar com os também recordes preços do milho e do farelo se soja, importantes insumos da alimentação. Esse contexto exige que produtores sigam avaliando com cautela seus custos de produção.

Retenção de fêmeas causa reflexo nas exportações de proteína

Naturalmente, o menor abate de animais entre janeiro e março deste ano causou recuo nas exportações de carne bovina. No primeiro trimestre, segundo o Imea, foram embarcadas 101,91 mil toneladas, queda de 1,58% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas, em março, as exportações começaram a reagir. O estado embarcou 40,45 mil toneladas em Equivalente de Carcaça. Esse é o maior valor mensal de 2021 até o momento e representa alta de 37,37% frente ao resultado de fevereiro e de 7,78% em relação ao mesmo mês de 2020.

De acordo com o Imea, vale destacar que os parceiros internacionais que apresentaram um aumento mais expressivo nas compras foram os países do Oriente Médio e a China, somada a Hong Kong, com incrementos de 43,51% e 40,6%, respectivamente.

“Esse cenário foi justificado pelo retorno dos embarques após as festividades do Ano Novo chinês. Além disso, o gigante asiático ainda sofre com as consequências geradas pela peste suína africana e, por isso, continua demandando grandes volumes de carne bovina”, pontua.

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