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Estamos finalizando o período das chuvas e agora é a hora de começar a programação para confinar os nossos animais, entretanto a pergunta se faz é: Eu vou ter lucro?

Em várias rodas de conversa ou até mesmo em grupos de WhatsApp, a preocupação para o produtor de proteína animal é um só: Vale a pena confinar esse ano ou a instabilidade do mercado vai dar prejuízo?

“O confinamento deve dar prejuízo para o pecuarista brasileiro no primeiro semestre de 2018, afirma a Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon)“.

Enfim, a melhor resposta para essa pergunta é: Depende. Vamos nos atentar a alguns fatos para que possamos ter mais clareza para responder essa pergunta.

Pois bem, o que é necessário, o básico, para que possamos realizar um confinamento:

  • Animal
  • Insumos: Milho, soja, volumoso e outros substitutos que podem ser usados
  • Infraestrutura: Currais, balança, tronco e etc.
  • Mão de obra
  • Maquinários

Quem confina sabe que a lista das necessidades vai muito além disso. Mas para tentarmos não prolongar muito, vamos resumir nossa conversa a esses itens.

O mercado de reposição está travado com a baixa oferta, o que mantém o preço firme no primeiro trimestre do ano. Em março o boi magro registrou alta de 4,5%, em São Paulo, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Dessa forma, já começamos a responder a nossa pergunta. Mas calma, ainda temos outros temas a serem tratados.

A dificuldade em arrumar o boi magro é grande na maior parte das regiões e para valer a pena colocar o animal no cocho o preço de entrada não deve ser alto. Além disso, é necessário padronização dos animais, se não os problemas são maiores.

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Diante deste contexto, segundo a Scot Consultoria, a troca piorou mais para o pecuarista que compra animais de 9 a 12 arrobas do que para o pecuarista que compra animais de 6 a 7,5 arrobas. Em números, o poder de compra frente ao boi magro (12@) diminuiu 5,5% e para o bezerro desmama (6@) o recuo foi de 1,3%.

Seguindo nossa lista, vamos falar sobre os insumos. O mercado de grãos no Brasil esse ano, sofreu inúmeras mudanças. Tivemos o problema na safra do nosso vizinho, a Argentina, a guerra comercial entre EUA x China e o mercado externo aquecido. Essa semana, praticamente 60% da safra de soja já havia sido vendida. Bom para o agricultor e péssimo para o pecuarista.

O mercado está firme na comparação mensal. Em relação a abril do ano passado, o farelo de soja está custando 22,7% a mais este ano. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço médio nesta primeira quinzena de abril está em R$1.353,02 por tonelada em São Paulo, sem o frete.

Quando avaliamos o preço do milho, esse teve um aumento de mais de 30%, entre janeiro e março. O mercado que era para estar tomando rumo para menor preço, está seguindo um novo padrão, os preços trabalhados nas principais praças do Brasil é de alta e sem viés de baixa para os próximos dias.

Já conseguiu fechar a conta e visualizar algum lucro?

Como se não bastasse todo essa alta dos insumos e mercado ruim para reposição, a Petrobras anunciou essa semana o fechamento de fábricas de ureia na Bahia e Sergipe. Essa situação deverá causar sérios problemas de abastecimento no setor agrícola e pecuário. Uma opção barata para a proteína na dieta, está agora em falta no mercado.

Temos que ter uma visão ampla da cadeia, e pensarmos principalmente no consumidor final. O nível de desemprego e a instabilidade do mercado tem deixado o consumidor cada vez mais com menor poder de compra. Ou seja, a grande maioria da população tem buscados alternativas mais baratas para manter a proteína animal na mesa.

Quando revemos a nossa lista para falar de Infraestrutura, Mão de obra e Maquinários, esses pontos tomam uma proporção muito pequena diante da magnitude dos problemas que já foram supracitados. Mas bem, o mercado de maquinários está em queda, o que representa a cautela do produtor em adquirir novos maquinários para a propriedade.

A mão de obra é um grande problema em todo o Brasil. Apesar da alta no desemprego, não se tem achado tão facilmente pessoas qualificadas e com “vontade” de realizar as tarefas que lhe são designadas.

A infraestrutura é um problema com solução rápida de se resolver. A maior parte dos grandes confinadores tem a reserva deixada para manutenção das instalações. E de uma coisa sabemos, com tantas chuvas de norte a sul, água não será um problema.

Finalizo o nosso bate papo lembrando a todos os pecuaristas que o mercado do boi gordo segue extremamente travado. Frigoríficos estão travando as compras e até pulando os dias de abate para tentar controlar os estoques.

Além disso a ressalva é quanto ao período da entressafra que está chegando e o número de fêmeas disponíveis pode acarretar em preço abaixo da referência para as principais praças.

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Sócio-Diretor do Compre Rural. (35) 99894-0080 thiagorp100@gmail.com

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