Veja como o manejo na chegada do boi ao confinamento, a adaptação, água, dieta TIP e observação da equipe influenciam os resultados
Quando falamos em confinamento, é comum pensarmos em dieta, ganho de peso, conversão alimentar, custo da arroba e desempenho. Mas existe um momento que antecede todos esses indicadores e que pode fazer muita diferença no resultado: a chegada do boi à fazenda.
O primeiro dia parece apenas mais uma etapa da operação. O caminhão chega, os animais são desembarcados, passam pelos procedimentos necessários e seguem para a próxima fase. Mas, para quem está no campo, é nesse momento que começa uma das etapas mais importantes do confinamento.
E existe muita coisa que não aparece na planilha.
O BOI CHEGOU. E AGORA?
O animal que chega à propriedade não chega simplesmente “pronto para produzir”.
Ele acabou de passar por transporte, mudança de ambiente, novos cheiros, novos sons, novos animais e uma rotina diferente daquela que conhecia. Dependendo da origem, também pode estar vindo de longas distâncias e enfrentado diferentes condições durante o deslocamento.
Por isso, as primeiras horas exigem muito mais do que simplesmente colocar o animal em um espaço e esperar que ele se adapte.
É PRECISO OBSERVAR.
Como esses animais estão se comportando? Estão procurando água? Estão se alimentando? Estão muito agitados? Há animais isolados? Algum demonstra dificuldade para caminhar? Existe algum animal que claramente não está acompanhando o restante do lote?
São perguntas simples, mas que fazem parte da rotina de quem está acompanhando o confinamento de perto.
AQUI NA FAZENDA, O CONFINAMENTO COMEÇA ANTES DA BAIA
Na nossa realidade, os animais não chegam à fazenda e vão diretamente para o confinamento.
Eles chegam a pasto e permanecem, em média, 15 dias nessa fase antes de subir para o manejo de entrada e posteriormente adentrar ao confinamento.
Esse período também faz parte do processo de adaptação.
Durante esses dias, os animais já recebem uma dieta TIP(Terminação intensiva a pasto), justamente com o objetivo de iniciar uma adaptação alimentar antes de receberem a dieta de adaptação propriamente dita no confinamento.
Ou seja, quando pensamos no primeiro dia do boi no confinamento, precisamos entender que a adaptação não começa necessariamente quando ele entra na baia.
ELA PODE COMEÇAR ANTES.
Essa estratégia permite que o animal tenha um período para se ambientar à propriedade e, ao mesmo tempo, tenha contato progressivo com uma nova realidade nutricional.
Depois desse período, os animais sobem para o manejo, onde passam pelo protocolo de entrada e seguem para o confinamento, iniciando uma nova etapa.
Essa é uma particularidade da nossa rotina e mostra como cada propriedade pode estruturar seu processo de entrada de acordo com sua realidade, seus objetivos e seu sistema de produção.
Nem todo boi reage da mesma maneira
Uma das coisas que aprendemos no campo é que não existe um comportamento exatamente igual para todos os animais.
Enquanto alguns chegam e rapidamente começam a explorar o ambiente, outros podem permanecer mais retraídos. Alguns procuram água imediatamente. Outros demoram mais para se adaptar.
É justamente por isso que a observação individual e do lote é tão importante.
Um animal que está quieto demais, que não acompanha os demais ou que não demonstra interesse pela água e pelo alimento pode estar sinalizando que precisa de atenção.
E muitas vezes o primeiro sinal de um problema não aparece em um relatório.
Ele aparece no comportamento do anima.
A ÁGUA PODE SER MAIS IMPORTANTE DO QUE PARECE!
Quando pensamos em adaptação, é natural falar muito sobre alimentação. Mas o acesso à água é um dos primeiros pontos que precisam ser observados.
Depois de um período de transporte, o animal precisa encontrar rapidamente um ambiente em que tenha acesso adequado à água.
Não basta existir um bebedouro.
É necessário avaliar se os animais conseguem chegar até ele, se há espaço suficiente, se a vazão atende à demanda e se a água apresenta condições adequadas.
Parece básico, mas no confinamento são justamente os detalhes básicos que podem fazer diferença.
O PRIMEIRO TRATO NÃO É APENAS COMIDA
Outro ponto importante é entender que o primeiro contato do animal com a dieta faz parte de um processo de adaptação.
O boi não conhece apenas uma nova comida. Ele está entrando em uma nova rotina alimentar.
Por isso, manejo, frequência dos tratos, qualidade da dieta, leitura de cocho e adaptação precisam estar alinhados.
No nosso sistema, esse processo começa ainda antes da entrada no confinamento, com a dieta TIP durante o período em que os animais permanecem a pasto.
Depois, já no confinamento, vem a dieta de adaptação, respeitando uma evolução planejada até que o animal esteja preparado para a dieta seguinte.
É nesse momento que o trabalho da equipe começa a fazer diferença.
O trato não é simplesmente colocar alimento no cocho.
Existe todo um processo por trás: observar o consumo, acompanhar as sobras, identificar alterações e entender como os animais estão respondendo.
O olho do profissional ainda faz diferença
Hoje temos cada vez mais ferramentas para acompanhar o confinamento. Planilhas, softwares, indicadores e tecnologias ajudam a tomar decisões e tornam a gestão muito mais precisa.
Mas existe algo que nenhuma planilha consegue substituir completamente: estar presente e observar o animal.
É possível ter números excelentes e, ainda assim, existir um animal dentro do lote que está mostrando que alguma coisa não está bem.
Por isso, acredito que uma das principais habilidades de quem trabalha com confinamento é aprender a enxergar além dos números.
O INDICADOR MOSTRA O RESULTADO.
O animal muitas vezes mostra o que está acontecendo antes que o resultado apareça.
O primeiro dia também é responsabilidade da equipe
Existe ainda um fator que nem sempre recebe a atenção necessária: as pessoas.
Um confinamento pode ter uma excelente estrutura e uma dieta muito bem formulada, mas se a equipe não estiver alinhada, os resultados podem ser comprometidos.
QUEM ESTÁ NO CURRAL PRECISA SABER O QUE OBSERVAR.
Quem está no trato precisa entender a importância daquele manejo.
Quem acompanha os animais precisa saber quais alterações devem ser comunicadas.
E quem está na gestão precisa transformar essas informações em decisões.
No final, o confinamento é uma operação de equipe.
O CONFINAMENTO COMEÇA ANTES DA BAIA!
No fim, o primeiro dia do boi no confinamento não é apenas sobre desembarcar, manejar, alimentar e colocar o animal em uma baia.
É sobre entender que cada animal chega carregando uma história, passou por uma viagem, por mudanças e precisa de tempo para se adaptar a uma nova rotina.
Na nossa realidade, esse cuidado começa ainda antes da entrada no confinamento. Os animais chegam a pasto, permanecem em média 15 dias nessa fase e já recebem uma dieta TIP antes de seguirem para o manejo de entrada e, posteriormente, para a dieta de adaptação no confinamento.
Esse processo reforça algo que a rotina do campo ensina todos os dias: resultado não acontece de uma hora para outra. Ele é construído em cada detalhe do manejo.
Antes de pensar em quanto aquele boi vai ganhar de peso, quanto vai consumir ou qual será sua conversão alimentar, precisamos olhar para o começo: como ele chegou, como está se adaptando e, principalmente, o que ele está nos mostrando.
Porque os números são fundamentais para tomar decisões.
Mas existe algo que vem antes deles: o olhar de quem conhece o animal e entende que, muitas vezes, o boi mostra primeiro aquilo que a planilha só vai revelar depois.
No confinamento, quem aprende a olhar o boi antes de olhar apenas para o número, não está apenas cuidando melhor do animal, está tomando decisões melhores para o resultado.
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