Com 273,1 mil toneladas produzidas em 2025, o Paraná ampliou a liderança nacional, concentrou 27% da piscicultura brasileira e alcançou um volume quase três vezes maior que o do segundo colocado.
O Paraná consolidou-se como a grande capital do peixe de cultivo no Brasil. Em 2025, o estado produziu 273,1 mil toneladas de pescados, volume suficiente para representar aproximadamente 27% de tudo o que saiu dos viveiros e tanques-rede do país.
Na prática, isso significa que mais de um em cada quatro peixes cultivados no Brasil foi produzido em território paranaense. O desempenho colocou o estado muito à frente dos demais concorrentes e reforçou a força de uma cadeia que reúne produtores rurais, cooperativas, frigoríficos, fábricas de ração, assistência técnica e indústria de alimentos.
Os dados integram o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, elaborado pela Associação Brasileira da Piscicultura. O levantamento mostra que a produção paranaense cresceu 9,1% em relação a 2024, quando havia alcançado 250,3 mil toneladas.
Paraná produz quase três vezes mais que São Paulo
A distância para o segundo colocado ajuda a dimensionar o tamanho da liderança paranaense.
Enquanto o Paraná produziu 273,1 mil toneladas, São Paulo, segundo maior produtor do país, registrou 93,7 mil toneladas. Isso significa que a piscicultura paranaense alcançou um volume equivalente a quase três vezes a produção paulista.
Na sequência do ranking aparecem Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas; Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas; e Maranhão, com 59,6 mil toneladas.
Somente a produção do Paraná também foi superior ao resultado individual de qualquer região brasileira, com exceção da própria Região Sul. O bloco formado por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul chegou a 360,8 mil toneladas, crescimento de 8,08% em um ano.
Tilápia explica quase toda a força paranaense
A liderança do Paraná está diretamente ligada à expansão da tilapicultura. Das 273,1 mil toneladas produzidas no estado, 267 mil toneladas foram de tilápia, o equivalente a quase 98% do volume estadual.
Os peixes nativos responderam por 2,6 mil toneladas, enquanto carpas, trutas, pangasius e outras espécies somaram aproximadamente 3,5 mil toneladas.
O avanço paranaense acompanha a transformação da tilápia na principal espécie da piscicultura nacional. Em 2025, o Brasil produziu 707.495 toneladas de tilápia, crescimento de 6,83% sobre o ano anterior. A espécie já representa praticamente 70% de todo o peixe cultivado no país.
Considerando apenas a tilápia, o Paraná respondeu por aproximadamente 38% da produção brasileira da espécie. Em outras palavras, quase quatro de cada dez quilos de tilápia produzidos no Brasil vieram do estado.
Cooperativas transformaram a criação de peixes
O crescimento não aconteceu apenas pela disponibilidade de água ou pelas condições naturais do estado. O Paraná desenvolveu uma estrutura produtiva semelhante àquela que o transformou em referência nacional na produção de frangos e suínos.
Grandes cooperativas passaram a organizar a piscicultura por meio de sistemas integrados. Nesse modelo, o produtor recebe assistência técnica, juvenis, alimentação, orientação de manejo e garantia de compra, enquanto a indústria coordena o abate, o processamento e a comercialização.
Segundo o anuário, a crescente participação das cooperativas vem dando novas proporções à atividade e atraindo investimentos para diferentes etapas da cadeia. A produção integrada também passou a ganhar espaço sobre o modelo independente, no qual o piscicultor mantém relação direta com frigoríficos menores.
Essa organização reduz parte dos riscos comerciais, facilita o acesso à tecnologia e permite que pequenos e médios produtores participem de uma cadeia industrial estruturada.
Capital do Peixe: Tecnologia e indústria ajudam a explicar a liderança
A posição do Paraná também está relacionada à presença de frigoríficos com capacidade para processar grandes volumes, produzir cortes padronizados e atender redes varejistas, restaurantes e compradores internacionais.
O filé de tilápia se tornou o principal produto da cadeia, mas o aproveitamento industrial vai além. Cabeças, peles, vísceras, espinhas e aparas podem ser transformadas em farinha, óleo, ingredientes para alimentação animal e outros produtos de maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a tecnificação chegou às propriedades com equipamentos para controle da qualidade da água, alimentadores automáticos, melhoramento genético, monitoramento sanitário e sistemas mais eficientes de manejo.
O resultado aparece tanto no crescimento da produção quanto na capacidade de entregar pescado em escala e com padrão constante ao mercado.
Toledo lidera em área de viveiros escavados
A força paranaense está concentrada principalmente em municípios do Oeste do estado, região marcada pela presença de cooperativas e agroindústrias.
Conforme o levantamento apresentado no anuário, Toledo possui a maior área de viveiros escavados do Paraná, com 576 hectares. Palotina aparece em seguida, com 510 hectares, acompanhada por Nova Aurora, com 438 hectares; São José dos Pinhais, com 435 hectares; e Marechal Cândido Rondon, com 380 hectares.
Já no cultivo em tanques-rede, o destaque é Itambaracá, com 1.564 estruturas. Alvorada do Sul ocupa a segunda posição, com 994 tanques-rede, seguida por Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Boa Esperança do Iguaçu.
Os dados mostram que a piscicultura paranaense não depende de um único sistema. A atividade combina viveiros escavados, especialmente fortes no Oeste, com estruturas instaladas em reservatórios e outras áreas adequadas ao cultivo.
Liderança cresce junto com a piscicultura brasileira
O avanço do Paraná ocorreu em um ano histórico para a piscicultura nacional. Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, chegando a 1.011.540 toneladas em 2025.
A produção brasileira cresceu 4,41%, mesmo diante de adversidades climáticas, desafios sanitários, oscilações de preços, concorrência de produtos importados e dificuldades no comércio internacional.
Nesse cenário, o Paraná não apenas manteve a primeira posição, como cresceu acima da média nacional e ampliou sua participação no mercado.
O desafio agora é continuar na ponta
A liderança, porém, também aumenta a responsabilidade do estado diante dos desafios do setor.
Para sustentar o crescimento, a cadeia precisará manter investimentos em sanidade, biosseguridade, genética, nutrição, automação e qualificação dos produtores. A abertura de novos mercados internacionais e a ampliação do consumo doméstico também serão fundamentais.
O fortalecimento da piscicultura exige ainda atenção à oferta de crédito, ao licenciamento ambiental, à infraestrutura elétrica, à logística refrigerada e à estabilidade das regras que orientam a produção.
O Paraná já construiu uma vantagem expressiva. Com quase 27% da produção brasileira, uma indústria integrada e uma tilapicultura altamente especializada, o estado transformou a criação de peixes em uma das novas forças do agronegócio.
Mais do que liderar um ranking, o Paraná mostra como organização, cooperativismo e tecnologia podem transformar a piscicultura em uma atividade de escala nacional.
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