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Dentre os vários problemas de cascos em bovinos têm-se como muito importantes a alimentação e o desgaste que ocorre principalmente em animais confinados.

Por Glauber Melo

As lesões podais são responsáveis por 90% das claudicações (mancar) em bovinos, um bovino que “manca” será responsável por prejuízos econômicos com queda na produção, custo com profissionais para realizar o tratamento e descarte de leite por resíduos de antibióticos quando necessários no tratamento. Antes é bom compreender os nomes das regiões anatômicas externa do casco, o tamanho e o ângulo ideal do casco bovino, como mostra a imagem a baixo.

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Imagem 1 – Anatomia externa dos cascos / Fonte: Do Autor
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Imagem 1.2 – Altura da parede do casco 7,5cm (a), Altura do talão 4,5cm (b), Ângulo do casco de 45º (c) / Fonte: Da autor

Os problemas podais são mais comuns no confinamento de gado de corte, e encontrados em maior numero na produção leiteira, isso devido à intensificação da produção e confinamento constante dos animais, como no free stall, compost barn e sistemas de linhas de cocho em terrenos abrasivos. Mas isso não é regra, o dejeto (barro e fezes) acumulado em sistemas de piquetes rotacionados é um vilão ao produtor leiteiro. Independente do sistema têm um tripé responsável pelos fatores de risco nos problemas podais.

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Fatores de risco nos problemas podais / Fonte: Compre Rural

Uma vaca de leite que apresenta uma lesão de casco, pode reduzir o consumo de matéria seca e de ingestão de agua, levando a perda de peso e queda da produção (de 5 a 100%) e reduz sua taxa de concepção.

Genética nos problemas de cascos

A Genética do gado leiteiro sempre foi desenvolvida para aumentar a produção de leite, a seleção não envolveu a qualidade do casco, necessário para suportar um maior peso corporal, hoje no rebanho leiteiro uma das características que tem chamado a atenção dos produtores é a longevidade produtiva do animal, os aprumos e histórico de lesões podais de um determinado animal já começam a entrar nessa seleção. Um animal confinado tende a sofrer maior desgaste do casco em relação a pasto, e logo um maior crescimento; um animal a pasto em geral apresenta um crescimento de 5 a 6mm/mês, já um confinado de 3 a 9mm/mês.

Quando não se tem um casqueamento preventivo é inevitável as lesões em determinados animais da propriedade, lembrando que alguns animais necessitam de uma melhor conformação do casco para sustentar sua evolução genética. Uma vaca com aprumos irregulares ira transferir essas características a suas filhas, e os aprumos já podem ser corrigidos na fase jovem desses animais com características genéticas negativas.

Problemas nos cascos relacionado ao ambiente

O Ambiente abriga fatores como bactérias, umidade, agentes químicos presentes na urina e nas fezes, em principal nos confinamentos o casco tende a ser mais úmido e apresentam menor dureza em relação aos animais a pasto. Um animal com a sola mole e parede fina, pode ser penetrado por pedras, pregos e etc., abrindo espaço para bactérias agravando as lesões. Outro ponto é o estresse térmico que faz com que o animal fique mais tempo em pé, assim permite aumentar sua respiração e troca de calor, amentando o numero de lesões na região da sola e da linha branca.

O pedilúvio também é essencial para melhorar o manejo, que independente do sistema de produção é um modo preventivo e de baixo custo, quando comparado a sua eficácia. A superlotação dos currais e condições de sanidade em má qualidade favorece infecções e lesões especificas, como Dermatite Digital Papilomatosa, Dermatite Interdigital e Flegmão Interdigital.

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Dermatite digital / Foto: Glauber Melo
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Flegmão Interdigital / Foto: Glauber Melo

Nutrição

A Nutrição é a ferramenta para aumentar a produção, o produtor sempre quer aumentar o consumo diário dos animais para maior ganho de peso ou maior produção de leite. Animais confinados recebem alto volume de concentrados (Alimentos com baixo teor de fibra e alto valor energético) e muitas vezes uma baixa quantidade e qualidade de volumosos (Alimento que tem alto teor de fibra e baixo valor energético). As vacas de alta lactação são mais exigidas e exigentes, necessitam de melhor equilíbrio entre carboidratos estruturais (fibra vegetal) e não estruturais (grãos), os grãos contêm mais açúcares e amido e alta fermentação no rúmen.

Alta ingestão de grãos como o milho pode ser responsável pela Laminite (Processo inflamatório agudo que atinge as estruturas sensíveis da parede do casco) que afeta mais de 60% das vacas em confinamento, e como causa secundaria as Ulceras de Sola, que em alguns casos é necessário a retirada de boa parte ou completa do casco para realizar a limpeza da lesão.

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A lesão da ulcera de sola proliferou na parede do casco ate a borda coronária. / Foto: Glauber Melo

A silagem de milho é alimento básico nas vacas leiteiras, é recomendado que ao menos 25% tenha fibras maiores de 5cm, e as forragens devem corresponder a 40% da matéria seca e o nível de concentrados não exceder 60% da dieta. Dentro da dieta do animal também vale lembrar a importância de serem encontrados os micro minerais, na mineralização do gado, e em núcleos para a formulação da ração, como Zinco, Cobalto, Cobre e Manganes, além da importância da Biotina que ajuda no fortalecimento e queratinização do casco. A dieta mal manejada pode levar a acidose ruminal, afetando a circulação hepática com bactérias circulantes que irão se depositar nas extremidades da corrente sanguínea, os cascos.

O Casqueamento Preventivo deve fazer parte do planejamento da propriedade ao menos 2 vezes ao ano, a intensificação do rebanho não poupara as lesões podais, estudos mostram que de 5 a 20% das vacas em regime de confinamento, apresentaram lesões nos cascos ao longo de um ano. Muitos proprietários resolvem chamar um especialista quando os animais já apresentam claudicação. O casqueador irá aparar as pinças, igualar a altura dos talões, realizar aprumos e entender o início das lesões. Um profissional especializado na área da Podologia Bovina ira cercar os problemas e sempre analisar todos os fatores citados no texto, evitando descarte precoce de animais e prejuízos financeiros significativos.

Lembrando que: o aprendizado de uma técnica baseado simplesmente em um texto é insuficiente sem a prática, procure sempre profissionais capacitados.

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Graduando em Medicina Veterinaria, no 7º período, pela faculdade Anhanguera de Leme-SP. Estagiário da empresa DG Torres Assistencia Veterinária e cursos com foco em reprodução de bovinos. Atua como Técnico em Podologia de bovinos de leite, no controle das principais lesões de bovinos em sistemas intensivos e na correção de aprumos e principais lesões. (19) 99859-2753