Preço do milho quase batendo recorde

Preço do milho quase batendo recorde

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milho espiga
Foto: Divulgação

O Indicador do milho está próximo do recorde nominal da série do Cepea, o preço já chegou a quase R$ 52/sc. Afinal, o milho será a estrela de 2020!

O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do milho está próximo do patamar recorde nominal da série do Cepea, de R$ 53,91/sc, verificado no início de junho de 2016.

Na sexta-feira, 17, o Indicador fechou a R$ 51,77/sc de 60 kg, com avanço de 6,48% na parcial de janeiro. Segundo pesquisadores do Cepea, a disponibilidade doméstica ainda é baixa, apesar de a colheita da safra verão 2019/20 já ter sido iniciada no Sul do País.

A demanda, por sua vez, está ativa no mercado interno, contexto que mantém os preços do milho em alta no spot.

Milho será estrela em 2020

Os preços do milho ainda não atingiram o seu patamar em que se movimentarão em 2020 e poderão apresentar lucratividades semelhantes ou até maiores do que a da soja, por exemplo, por sua maior demanda. A projeção é dos analistas da T&F Consultoria Agroeconômica, segundo os quais o cereal será “a estrela de 2020” – um ano em que se espera “grande lucratividade para toda a agricultura brasileira”.

De acordo com os especialistas, até mesmo o trigo, com todos os seus problemas estruturais de cadeia produtiva, também tende a ter uma grande lucratividade no ano que vem. “Mas a estrela, sem dúvida, deverá ser o milho, devido à sua grande demanda”. E os motivos estão presentes hoje, no mercado:

a) grande demanda externa pelo produto, com o Brasil voltando a superar o seu alto volume de exportações de 2019 e por uma razão que nos orgulha, entre outras conhecidas: o milho brasileiro tem a melhor qualidade do mundo, devido à nossa extraordinária fotossíntese, além da necessidade de recuperação dos planteis de carne ao redor do mundo;

b) grande demanda interna, para a produção de carnes de aves e suínos, cuja demanda externa também está potencializada pela quebra da produção chinesa e asiática de carnes;

c) forte aumento da capacidade de produção de etanol no Centro-Oeste brasileiro, cuja produção deverá dobrar no próximo ano.

“O milho brasileiro em 2019 atingiu o status de grande commodity no mercado internacional, não apenas por seu volume expressivo, mas também por sua excelente qualidade. Os Estados Unidos, a Argentina e a Europa produzem o que se poderia chamar de milho soft, enquanto o Brasil produz um milho que pode ser chamado de hard, como o atestaram vários laboratórios ao redor do mundo”, comenta a T&F.

Além disso, dizem eles, nossa logística tanto interna, quanto externa está melhorando muito, e somos capazes de atingir mercados a preços competitivos. O frete internacional do Brasil para a Espanha, grande compradora de milho, é 2 dólares por tonelada menor do que o do milho americano. Para o Irã, 14 dólares menor (além de não termos os problemas políticos que os EUA tem) e para o Sudoeste da Ásia 8 dólares mais barato. 

“Em segundo lugar, temos volume. Na safra 2018/19 disponibilizamos 44 MT para a exportação e na próxima, poderemos atingir algo semelhante. Além disso, nosso preço FOB é o mais competitivo: cerca de US$165,20 em Paranaguá, contra US$ 174,20 do milho americano no Golfo e US$ 177,8 na Argentina. Hoje somos o segundo maior exportador mundial, mas estamos a caminho de superar os EUA, muito provavelmente já em 2020, porque a diferença é de apenas 2 milhões de toneladas, vai depender da nossa produção de milho Safrinha. E isto que usamos apenas entre 7% e 12% de nossa área agriculturável”, apontam. 

“Nenhum outro país dispõe, ao mesmo tempo, de tanta possibilidade de expansão de área, infraestrutura, mão de obra especializada, domínio de tecnologia e dinheiro para investir como o Brasil, sem falar do clima mais favorável do planeta para isto”, concluem.

Fonte: Cepea e Agrolink

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