Prejuízos do estresse térmico em cordeiros adaptados

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Foto: Divulgação

Saiba qual é a melhor época para iniciar o confinamento de cordeiros.

O cordeiro confinado na fase de terminação durante o verão em ambiente quente, lança mão de mecanismos fisiológicos para perder calor para o ambiente, de modo a permanecerem por mais horas em pé

O confinamento de cordeiros na terminação não é uma novidade, mesmo em regiões tropicais com elevadas temperaturas e intensidades de radiação solar durante a maior parte do ano, principalmente na primavera e no verão. Assim muitos criadores de ovinos optam por raças ou cruzamentos entre raças mais adaptadas ao calor, como por exemplo, o cruzamento de ovinos Dorper com ovinos Katahdin, para a produção de carne nessas condições de desafio térmico.

Para responder essa pergunta um estudo foi realizado na Universidade Autônoma de Baja California, localizada em Mexicali Valley, noroeste do México uma região de clima seco e árido com cordeiros machos Dorper × Katahdin, ambas as raças deslanadas com aptidão a produção de carne e muito adaptada as condições climáticas da região. Os pesquisadores observaram o desempenho zootécnico, a qualidade da carne e as características de carcaça de cordeiros confinados no verão (temperatura máxima maior que 40 ºC) e no inverno (temperatura de conforto térmico).

Durante o período de estudo todas as condições experimentais eram idênticas com exceção das estações do ano, onde as condições ambientais de estresse térmico predominaram durante o verão, já no inverno as condições termoneutras há levemente frio prevaleceram. Portanto os resultados obtidos são frutos da interação do ambiente térmico com o comportamento do animal durante o período de confinamento.

Neste estudo foi observado que os animais adaptados ao ambiente quente não alteram a ingestão de alimentos mesmo sob estresse por calor, mas apresentam mudanças comportamentais e consequentemente prejudica o peso final, ganho de peso diário e total, bem como reduz a eficiência alimentar. Além disso cordeiros confinados no verão apresentam modificações nos locais de deposição de gordura, bem como no crescimento de alguns cortes de carne, regiões corporais e vísceras.

Estas alterações se devem pela associação das mudanças de postura dos cordeiros e do fluxo sanguíneo no corpo do animal em decorrência da temperatura ambiental no qual ele se encontra exposto. Portanto mesmo raças adaptadas a condições de ambiente térmico desfavoráveis perdem desempenho produtivo, qualidade final da carne depositada na carcaça, apresentam maior deposição muscular nos membros anteriores (paleta) e pescoço, ou seja, uma maior produção de cortes de menor valor de mercado agregado.

O cordeiro confinado na fase de terminação durante o verão em ambiente quente, lança mão de mecanismos fisiológicos para perder calor para o ambiente, de modo a permanecerem por mais horas em pé, frequentemente com a cabeça baixa e com respiração ofegante características de estresse térmico. Possivelmente os nutrientes adquiridos via dieta são deslocados para essas atividades, juntamente com o maior fluxo sanguíneo destinados a essas partes do corpo possibilitando um maior desenvolvimento dessas musculaturas, maior deposição de gordura visceral e uma menor deposição de gordura subcutânea.

Portanto a carne produzida no verão apresenta uma coloração mais escura, textura mais seca e uma maior dureza após o cozimento, além de menor rendimento de cortes nobres como o lombo em comparação com a carne produzida no inverno. Consequentemente a taxa de crescimento geral e a eficiência alimentar quando se compara raças adaptadas terminadas em clima árido no verão são inferiores as taxas obtidas no inverno, podendo assim impactar diretamente no faturamento do produtor, pois o consumo de matéria seca não foi afetado pela estação do ano.

Por fim o confinamento de ovinos em regiões de clima quente durante o outono e inverno seria uma boa alternativa para minimizar os efeitos negativos do estresse térmico sobre a carcaça produzida. Associado ainda ao investimento em ambiência, ou seja, investir em instalações que abriguem os animais da luz solar proporcionando o conforto térmico.

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