Primavera de 2026 começa em setembro; veja o que muda no clima e no campo

Estação começa em 22 de setembro e terá El Niño como um dos principais fatores de atenção para lavouras, pastagens e implantação da safra 2026/27

A primavera de 2026 começa no Brasil em 22 de setembro, às 21h05 pelo horário de Brasília, no momento do equinócio de setembro. Para o campo, a mudança de estação coincide com uma fase decisiva: o retorno gradual das chuvas em parte do Brasil Central, a elevação das temperaturas e o avanço do plantio da safra de verão.

Neste ano, um componente aumenta a atenção dos produtores. O El Niño, confirmado em junho, deve permanecer ativo durante a primavera. O boletim mais recente elaborado por INMET, INPE, Cemaden e outros órgãos federais aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

Primavera de 2026 terá diferenças marcantes entre as regiões

A primavera marca a transição para o período mais quente do ano no Hemisfério Sul. No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, também costuma representar a retomada mais consistente das precipitações após os meses secos, condição fundamental para recuperar a umidade do solo.

O cenário projetado para 2026, porém, não é uniforme. Para setembro, o INMET prevê chuvas acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto setores do Norte e Nordeste podem registrar volumes inferiores ao padrão histórico.

Quando considerado todo o trimestre de setembro a novembro, o Painel El Niño sinaliza maior possibilidade de excesso de chuva na Região Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Já áreas do Norte, Nordeste, Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo apresentam tendência de precipitação abaixo da média. As temperaturas também devem ficar acima do normal em grande parte do país.

Plantio da safra 2026/27 entra no período mais sensível

A chegada da primavera coincide com a abertura das janelas de semeadura da soja em importantes estados produtores. Em Mato Grosso, por exemplo, o plantio está autorizado desde 7 de setembro, mas a disponibilidade de água no solo continua sendo determinante para a entrada das máquinas.

Esse ponto ganha importância porque as primeiras chuvas não significam, necessariamente, que o período úmido esteja estabelecido. Sem precipitações regulares após a semeadura, sementes e plântulas podem enfrentar déficit hídrico justamente nas fases iniciais de desenvolvimento.

No Sul, o risco é diferente. Chuvas acima da média podem favorecer a disponibilidade de água, mas volumes excessivos também aumentam a possibilidade de encharcamento, doenças fúngicas e dificuldades para realizar operações agrícolas. O comportamento do El Niño exige, portanto, estratégias diferentes conforme a região.

A situação já influencia as decisões relacionadas ao [plantio da soja em Mato Grosso, onde o clima exige cautela mesmo após o fim do vazio sanitário]Fim do vazio sanitário libera plantio da soja em MT, mas clima exige cautela.

Calor e irregularidade das chuvas também afetam pastagens

Os impactos da primavera não ficam restritos aos grãos. Em áreas onde a estação chuvosa demorar a se estabelecer, pastagens podem levar mais tempo para recuperar vigor e capacidade de suporte, principalmente quando o calor elevado aumenta a perda de água do solo.

No Norte e em parte do Centro-Norte, a combinação de temperaturas superiores à média e menor precipitação também pode elevar o risco de deficiência hídrica e incêndios. O Cemaden já vinha apontando essas condições como fatores de atenção para áreas agroprodutivas.

Para reduzir exposição ao risco, o Ministério da Agricultura recebeu da Embrapa 163 medidas de gestão de riscos climáticos, elaboradas com participação de cerca de 50 especialistas. Entre as recomendações estão acompanhamento de previsões meteorológicas, uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, diversificação das épocas de produção, manejo do solo, drenagem, irrigação e planejamento operacional.

A primavera de 2026 começa, portanto, com um cenário que exige acompanhamento mais localizado. Mais do que observar se haverá chuva ou seca em determinada região, o produtor precisará avaliar quando a chuva chega, por quanto tempo permanece e como ela se distribui ao longo das semanas — fatores que podem definir o sucesso do estabelecimento das lavouras e a recuperação das pastagens.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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