Produção nacional de lúpulo em pellets mira cervejeiros artesanais

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Foto: © Jag_cz / Fotolia

A venda de lúpulo em pellets é um fato inédito para o grupo cervejeiro Petrópolis, o terceiro maior do país e dono das marcas Itaipava, Crystal e Petra.

Até o final do ano, o Grupo Petrópolis deve colocar no mercado lúpulo em pellets e de produção própria, destinado a um público bem específico: cervejarias artesanais e cervejeiros que produzem a bebida por hobby ou mesmo como negócio.

Junto com os grãos de cereais (normalmente cevada ou trigo) o lúpulo e as leveduras são os principais ingredientes das cervejas. Funciona como o tempero da bebida, conferindo aroma e amargor. A venda de lúpulo em pellets é um fato inédito para o grupo cervejeiro Petrópolis, o terceiro maior do país e dono das marcas Itaipava, Crystal e Petra.

“A venda do lúpulo produzido pelo grupo, no Rio de Janeiro, é um passo gigante para o avanço da indústria cervejeira nacional”, diz Diego Gomes.

Diretor industrial do Grupo Petrópolis, controlado pelo empresário Walter Faria, um dos bilionários da lista Forbes 2022. O grupo investe no cultivo da planta desde 2018 e representa um esforço da indústria da bebida em busca de produção da matéria prima, assim como faz outras gigantes do setor, entre elas a Ambev.

A companhia informou que a venda do lúpulo em pellets será realizada por meio do site da companhia, assim como já ocorre para a bebida pronta. O lúpulo em pellets, que é a flor seca em estufa, depois triturada inteira e comprimida, é a forma mais prática de comércio da mercadoria.

O lúpulo também pode ser vendido em flor, como já ocorre para algumas variedades da planta. Mas, com os pellets, a aposta é ganhar mercado porque, na comparação, eles carregam uma maior eficiência em transmitir amargor à bebida, oxida mais lentamente e por isso têm um maior tempo de armazenagem, além de render mais na elaboração de uma receita, o que gera um melhor custo benefício aos cervejeiros.

A oferta de lúpulo nacional também contribui para uma menor dependência de importações, embora este ainda seja um longo caminho, a começar pelo clima. A planta se desenvolve melhor em temperaturas entre 5°C e 22°C, daí a necessidade de adaptação ao país. “Hoje, ainda importamos toneladas do insumo da Alemanha, Estados Unidos, República Tcheca, Austrália e outros países”, afirma Gomes. “Mas estamos incentivando a produção nacional de lúpulo de qualidade.” No ano passado, o Brasil importou 3.500 toneladas de flores de lúpulo, volume 66,2% acima de 2020, por US$ 49,3 milhões, valor 71,4% maior, de acordo com o Agrostat (Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro).

O Grupo Petrópolis já investiu cerca de R$ 5 milhões para desenvolver uma plantação de lúpulo adaptada às condições brasileiras. Atualmente, são cultivadas em Teresópolis (RJ), cinco hectares de lúpulo, com 21 mil pés da planta divididos em 15 cultivares diferentes.

Para os pellets serão utilizadas cinco variedades: chinook, zeus, cascade, comet e triple pearl. Podem parecer nomes estranhos, mas, para os cervejeiros cada uma das variedades traz diferentes atributos na produção da bebida. A variedade chinnok, por exemplo, apresentada ao mercado global em meados dos anos 1980, foi desenvolvida no estado de Washington, por meio de um programa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Está entre os melhores lúpulos para amargor.

Fonte: Forbes

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