Proteína artificial que mudará a pecuária, veja!

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Foto Divulgação

Afinal de contas, o que é o Proton, a revolucionária proteína artificial com a qual se busca alimentar animais em todo o mundo e é derivada do monóxido de carbono?

Pesquisadores chineses dizem ter descoberto uma maneira de produzir uma proteína para alimentar criações com monóxido de carbono, o que está sendo louvado como um avanço que poderia ajudar a diminuir a dependência do país dos grandes volumes de soja importada. Processo promete mudar a situação climática e também a nutrição de animais em todo o planeta. Confira abaixo!

A China é, de longe, a maior compradora mundial de soja, importando cerca de 100 milhões de toneladas por ano para transformá-la em ração rica em proteína para criações de animais que são fonte de proteína na alimentação da população. Mas uma porção desta soja um dia pode ser substituída por proteína sintética.

Baseado em um processo de fermentação de gás em que os micróbios se alimentam de dióxido de carbono, hidrogênio produzido por eletrólise e água. Isso gera como material excedente a proteína proton.

O Instituto de Pesquisa de Ração da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (Caas) diz que trabalha com a Tecnologia Biológica Shoulang de Pequim para acelerar um processo de fermentação de gás de forma a criar uma proteína de célula única que poderia alimentar os animais, de acordo com um relatório publicado no domingo em um site aos cuidados do Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais.

A equipe começa a operar uma instalação na província de Hebei, no norte chinês, para transformar um gás de produção de aço em cinco mil toneladas de proteína por ano, segundo o Diário do Povo.

A proteína criada foi aprovada pelo Ministério da Agricultura como ração para os animais, segundo o relatório. Não foram divulgados detalhes sobre os custos de produção.

Ao menos 10 outras startups de todo o mundo também estão usando uma biologia sintética para criar ração animal empregando gases de queima como matéria-prima para bactérias ou outros microrganismos ricos em proteínas. Entre estas se encontra a britânica Deep Branch, que almeja transformar o dióxido de carbono emitido por uma usina elétrica em proteína para peixes e aves.

DEEP BRANCH
Legenda da foto,Peter Rowe é CEO da empresa de biotecnologia Deep Branch

Sediada nos Estados Unidos, uma Calysta tem uma parceria com um gigante agrícola Cargill para uma usina de produção de célula única de 200 mil toneladas no Tennessee.

Os esforços chineses ser uma solução para a “dependência externa de proteína para ração, uma das maiores limitações da agricultura da China”, disse o tabloide de apoio estatal Global Times.

O que se sabe até o momento

Por meio de um projeto chamado “React First”, que recebeu 3 milhões de libras (cerca de R$ 21 milhões) em financiamento da Innovate UK, uma agência pública britânica dedicada a promover a inovação, seus cientistas estão trabalhando para reduzir a pegada poluente dos alimentos para animais.

Além da Deep Branch, o projeto envolve acadêmicos e empresas como a Drax, maior produtora de energia renovável do Reino Unido, e a rede de supermercados Sainsbury’s.

Agora está produzindo quase do zero um alimento rico em proteínas que foi apelidado de “proton”.

É baseado em um processo de fermentação de gás em que os micróbios se alimentam de dióxido de carbono, hidrogênio produzido por eletrólise e água. Isso gera como material excedente a proteína proton.

O maior desafio para os produtores de proteínas de uma única célula é fazer com que sejam fabricadas em escala comercial, diz Laura Krishfield , pesquisadora associada da empresa de análises Lux Research.

“As proteínas unicelulares carregam um enorme custo de investimento”, diz ela. “Vimos que as instalações para isso custarão mais de US$ 100 milhões, então não serão baratas. E muitas delas trazem outros desafios importantes, como o acesso aos gases que são usados como matéria-prima”.

Foto: Deep Branch que criou uma proteína a partir de dióxido de carbono e hidrogênio

No caso de Deep Branch, as emissões industriais fornecem a fonte de dióxido de carbono (CO2), tanto para o projeto de pesquisa no Reino Unido, quanto para o centro mais desenvolvido que possuem no Brightlands Chemelot Campus, na Holanda.

“Achamos grande valor na parceria com empresas como Drax, e o motivo é que eles estão trabalhando em um processo pelo qual todo o CO2 que eles criam seja armazenado e retido sob o Mar do Norte”, diz Rowe.

“Eles estão se esforçando muito para colocar a infraestrutura, para que tenhamos acesso ao nosso CO2 da mesma forma que no nível residencial você tem acesso ao gás natural e à eletricidade. Basicamente, torna-se um serviço para nós. E o mesmo acontece com o hidrogênio, que é o outro ingrediente de que precisamos.”

Como resultado desse processo, a pegada de carbono da proteína é reduzida em 90% em comparação com os métodos tradicionais. E isso, Rowe diz, reduz a pegada do próprio salmão, incluindo transporte e embalagem, em até um quarto.

SCOTTISH SEA FARMS
Legenda da foto,Rory Conn diz que ração para salmão à base de plantas está se tornando mais comum

Proteínas do futuro?

Rory Conn, gerente de negócios da Scottish Sea Farms, uma empresa escocesa de criação de salmão, diz que nos últimos anos o uso de rações à base de plantas na criação de salmão se tornou generalizado.

“Mas acho que, em geral, fomos o mais longe que podíamos”, diz ele.

“As proteínas unicelulares são interessantes e acho que as vemos como a direção do futuro, o que permitirá melhorar a sustentabilidade da alimentação do salmão”, acrescenta.

Joshua Haslun, analista da Lux Research, aponta que há outra questão que está alimentando o interesse nas proteínas de uma única célula: a segurança alimentar nacional.

“Em países como Cingapura, onde você está falando sobre agricultura vertical e aquicultura e como você pode começar a reduzir os riscos em torno da segurança alimentar.”

Por enquanto, a produção de proteínas unicelulares de todos os tipos é comparativamente pequena. A Lux Research prevê que só será financeiramente lucrativa quando atingir um volume próximo a 10 mil toneladas por ano.

Esta não é uma solução mágica que atenderá a todas as demandas mundiais de proteína, mas é uma boa maneira de oferecer suporte a fontes adicionais de proteína por aí”, diz Rowe.

As proteínas unicelulares também poderiam se tornar uma fonte para os humanos?

“Por enquanto, aqueles que estão desenvolvendo proteínas de uma única célula veem isso mais como uma estratégia de longo prazo. Acho que haverá obstáculos regulatórios a serem superados”, ressalva Laura Krishfield.

“Também depende se vai ter um gosto bom. Sempre há a questão da aceitação”, acrescenta.

Rowe, no entanto, é mais otimista. “Tem sabor e cor relativamente neutros, o que significa que será muito versátil para uso em uma ampla gama de produtos diferentes.”

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