Pureza racial do zebu é uma simples convenção

Pureza racial do zebu é uma simples convenção

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Foto: Divulgação / Reprodução Facebook

Zootecnista fala sobre a pureza racial do gado Bos indicus, analisando o DNA animal sabe-se que não é 100% zebu

Por José Otávio Lemos*

A grande maioria do gado Bos indicus fora da Índia e até dentro dela (hoje), se analisado pelo DNA cromossômico, não seria 100% Zebu. Se feita a pesquisa pelo DNA mitocondrial, os traços do cruzamento por absorção estariam estampados sem desmerecimento aos indivíduos examinados.

Um dos primeiros casos que este autor se lembra como surpresa quanto a isso está relacionado com um Grande Campeão Nacional Brasileiro (1986) da raça Ongole (Nelore). O filho da Rupia POI, Vasuveda POI CS, não é de fato um POI (Puro de Origem Importada). Um estudo feito na Texas A.M. University, no Texas, EUA, mostra que ele tinha no DNA mitocondrial traços de “taurus”, mesmo que bem distante. Impossível de detectar pelos olhos humanos. O que não o desmerece também como reprodutor, pois até nos nossos dias, considerado um touro atual e que transmite muita musculatura para seus descendentes.

Não existe um animal de raça zebuína mocha que não tenha genética taurina, se conferido o DNA mitocondrial. Em todas elas, o caráter mocho foi adquirido por absorção em cima de uma base taurina mocha.

Alguns sinais em animais classificados como zebuínos e que indicam a participação de taurinos na sua constituição genética são: pelos da vassoura da cauda subindo até mais alto em direção da base da mesma; pelos mais grossos; olhos mais redondos; cupim não muito característico quanto à forma e posição. Mas esses pontos somente quando o cruzamento original tauríndico é mais recente na genealogia real.

De todo o exposto até aqui, uma possível conclusão de muita importância: se entrarmos em uma máquina do tempo em busca dos antepassados do nosso gado atual, os genes deles parecerão com os de indivíduos muito próximos deles na aparência. Que se tenha em mente que na expressão “gado atual” estão incluídos taurinos e zebuínos. Os ancestrais genéricos deles de 50 mil anos atrás seriam postos no mesmo envelope de variabilidade de que vemos pelo mundo atualmente.

Na prática da pecuária nem interessa a exata classificação por espécie (Bos indicus) ou subespécie (não importando se Bos taurus indicus ou Bos primigenius namandicus). Em tal atividade, o tempo de parceria entre homem e gado bovino, mostrou que o zebuíno é um grupamento com muitas distinções sobre os seus semelhantes de gênero e espécie, independentemente de um conceito de classificação unânime por cientistas. Realmente um grupamento biológico com características bem próprias, fértil, e com muitas qualidades que a fizeram bem próxima da convivência da espécie humana.

Ah! Isso vale até para nós humanos.

*O Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.