R$ 345/@: Frigoríficos querem paralisar os abates

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Foto: @joaopedrodiasnc

O cenário continua com oferta restrita de animais e demanda aquecida no mercado de exportação, o que segura a arroba em patamares elevados; Confira!

O mercado físico de boi gordo registrou preços acomodados nesta quarta-feira, 26, com baixa concretização no número de negociações informadas ao longo do dia. O perfil das negociações ainda mantém animais padrão China muito demandados neste momento, carregando ágio de até R$ 10/@ em relação a animais destinados ao mercado doméstico, porém, o pecuarista segue reticente em vender seus lotes neste valor!

Por isso, relata a consultoria, já é possível observar plantas frigoríficas que cogitam paralisar as suas operações durante este período do ano, em função do grande descompasso entre oferta e demanda. Mas será que as margens estão tão apertadas que as indústrias não podem ofertar mais para estimular os pecuaristas a disponibilizar um maior volume de animais?

A menor demanda pela vaca gorda resultou na queda de R$3,00/@ na comparação feita dia a dia. Para o boi gordo e novilha gorda, as cotações ficaram estáveis. Com isso, o boi gordo está sendo negociado em R$337,00/@, a vaca gorda em R$303,00/@ e a novilha gorda em R$325,00/@, preços brutos e a prazo, apontou a Scot Consultoria.

Já a referência para o “boi China” está firme em R$345,00/@, sendo que esse preço é composto por um ágio de até R$ 10,00/@. Os pecuaristas de Lavínia, no estado de São Paulo, informaram negociações de até R$ 335,00/@ com pagamento à vista e o abate programado para o dia 02 de fevereiro. Veja a imagem abaixo com os detalhes da negociação.

Sendo assim, em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 333,31/@, na quarta-feira (26/01), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 334,06/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 312,03@. E em Mato Grosso, a média fechou cotada a R$ 331,91/@.

O preço do Indicador do Boi Gordo/CEPEA, fechou com leve desvalorização, se mantendo praticamente estável nesta quarta. Sendo assim, os preços da arroba do boi gordo na média paulista saltaram de R$ 343,10/@ para o valor de R$ 342,30/@, com isso o boi gordo acumula uma alta positiva neste mês de 1,72%. Confira o gráfico abaixo, onde é possível observar que os valores do Indicador estão acima de R$ 330,00 desde o início do ano.

“O fato é que o ambiente para os frigoríficos que operam apenas no mercado interno é ruim, trabalhando com maior ociosidade neste momento, buscando mitigar os efeitos da alta dos preços da carne bovina. Algumas unidades alertam para a possibilidade de ofertar férias coletivas, enquanto os preços da carne em queda a partir da segunda quinzena de janeiro acentuam os problemas operacionais no início de 2022”, disse Iglesias da Agência Safras.

O panorama geral no mercado brasileiro do boi gordo é de negócios lentos e pontuais entre pecuaristas e frigoríficos, uma vez que a oferta de animais terminados ainda segue restrita em grande parte do País, enquanto a demanda doméstica pela carne bovina continua bastante fraca, informa a IHS Markit.

Paralisação entra na mira das indústrias

Por isso, relata a consultoria, já é possível observar plantas frigoríficas que cogitam paralisar as suas operações durante este período do ano, em função do grande descompasso entre oferta e demanda.

“As indústrias que atuam exclusivamente no mercado interno devem passar por momentos conturbados nos próximos meses”, alertam os analistas da IHS Markit.

Em contrapartida, os frigoríficos que atuam no mercado de exportações têm melhores chances de sucesso, mesmo enfrentando o problema de escassez de oferta de boiadas gordas e, consequentemente, de preços altos da arroba.

Nos primeiros 15 dias úteis de janeiro, o Brasil exportou 107,4 mil toneladas de carne bovina in natura, o que representa um ritmo de embarques de 7,16 mil toneladas/dia, um avanço de 30% comparado ao desempenho de dezembro de 2021, e 33% acima do volume registrado em janeiro de 2021.

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Foto Divulgação.

Neste ritmo, prevê a IHS Markit, as exportações em janeiro devem alcançar volume total de 150 mil toneladas, o que será um recorde para o mês.

Expectativa e Mercado Futuro

Os olhos se voltam para a virada do mês de fev/22, momento que o consumo da proteína bovina pode apresentar uma melhora devido ao recebimento dos salários e o final das férias escolares. A cotação do boi gordo encerrou o dia com média de R$ 337,00/@. Na B3, o contrato com vencimento para fev/22 encerrou o dia a R$ 342,60/@, valorizando em 0,31% no comparativo diário.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 336, ante R$ 340 na terça-feira.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 319, estável.
  • Em Cuiabá, o preço pago foi de R$ 316, estável.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 340 por arroba.
  • Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 320 para a arroba do boi gordo inalterada.
Foto Divulgação.

Atacado

O mercado atacadista registrou preços estáveis nesta quarta-feira. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por pouco espaço para reação, considerando os padrões de consumo presentes no Brasil durante o primeiro bimestre. O consumidor médio inicia o ano descapitalizado.

“A tendência é que a preferência do consumo recaia sobre as demais proteínas de origem animal, principalmente sobre a carne de frango. Com isso, o quarto traseiro seguiu precificado a R$ 23,50, por quilo. Quarto dianteiro segue no patamar de R$ 15,80, por quilo. Ponta de agulha segue no patamar de R$ 14,50, por quilo.

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