Raças zebuínas passam por avaliação de qualidade de carcaça

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Atualmente o Programa Zebu Carne de Qualidade avalia o potencial das raças Brahman, Guzerá, Sindi e Tabapuã
Montagem CompreRural

Atualmente o Programa Zebu Carne de Qualidade avalia o potencial das raças Brahman, Guzerá, Sindi e Tabapuã; confira os detalhes da prova

Neste mês de junho os animais participantes da segunda edição do programa ‘Zebu: Carne de Qualidade’, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e parceiros, passaram por ultrassonografia de carcaça. As avaliações por imagens foram realizadas pela empresa DGT Brasil, referência neste tipo de avaliação.

“Identificamos animais com excelente produção de carne e boa área de olho de lombo, colocando este acabamento, ou seja, além de fazer um animal extremamente produtivo, com bom acabamento de carcaça e animais com marmoreio interessante, marmoreios de 3,5 a 4%, o que é muito superior à média nacional, que é de 1,5 a 2%, mostrando que as raças zebuínas têm potencial para fazer a melhoria na qualidade da carcaça”, ressalta Giovane Damineli, técnico de campo da DGT Brasil.

Programa Zebu Carne de Qualidade encerra Prova de Eficiência Alimentar com Ultrassonografia de carcaça na Fazenda OT
Foto: Divulgação

Atualmente o programa avalia o potencial das raças Brahman, Guzerá, Sindi e Tabapuã. Seguindo o regulamento do programa, a avaliação foi realizada por grupos de raças, pois embora elas participem simultaneamente, os resultados serão tratados individualmente, sem nenhuma abordagem comparativa. Os animais ainda permanecerão nos currais Fazenda Experimental Orestes Prata Tibery Júnior, em Uberaba (MG), por mais 30 dias para completar 120 dias para o abate técnico. O programa é dividido em três etapas: ganho de peso a pasto, ganho de peso em confinamento e abate técnico com classificação final dos animais. Os exemplares chegaram na propriedade rural da ABCZ há exatamente um ano, vieram de 20 estados brasileiros, doados por 93 criadores.

O manejo e a nutrição dos animais são acompanhados pelo pesquisador da Epamig, Leonardo Fernandes e pela pesquisadora da Embrapa Cerrados, Giovana Alcantara Maciel. “Os animais chegaram em junho, na época da seca, com suplementação de silagem e suplemento proteico energético, e permaneceram na pastagem de Brachiaria brizantha cv. BRS Paiaguás. A ideia principal de usar esse capim indicado para níveis tecnológicos médio e alto é justamente a facilidade do criador em adotar um sistema parecido e obter a produtividade semelhante à que observamos nessa etapa.”

“Todas as raças tiveram um bom desenvolvimento e na média geral ganharam cerca de 570 gramas, demonstrando, logo após a desmama um excelente potencial de desenvolvimento para o período. No final de outubro iniciamos a fase das águas, onde retiramos a silagem e os animais ficaram no pastejo, com suplemento proteico energético. As quatro raças apresentaram média próxima a 730 gramas e 650 gramas somando o período da seca e das águas. Pesaram no final da prova a pasto, em março, a média de 407 quilos, peso ideal para iniciarmos o confinamento. Hoje, após 84 dias de confinamento, os animais obtiveram média de 560 quilos. Todos os exemplares se desenvolveram muito bem neste pacote tecnológico desenvolvido pela ABCZ, juntamente com os parceiros, para recria e engorda de animais zebuínos”, comenta Leonardo Fernandes.

Durante a fase de confinamento, além da mensuração da eficiência alimentar (consumo alimentar residual – CAR), serão tomadas medidas de peso (PC) ajustado à idade média do grupo), ganho em peso (GP), ultrassonografia de carcaça para área de olho de lombo (AOL), espessura de gordura subcutânea (EGS), espessura de gordura na picanha (P8) e marmoreio (MAR). Todas as informações serão transformadas em índices, tendo como referência as suas respectivas médias e comporão o índice de eficiência alimentar (IEA) com as seguintes ponderações: IEA = 30% ICAR + 30% IPC +20%IGP + 10% AOL + 5% IEGS + 5% IP8.

Além da nutrição, o manejo dos animais também faz diferença para os resultados. “Temos uma ótima estrutura física e uma equipe técnica diferenciada, o que certamente auxilia no ganho de peso dos animais”, destaca Gilberto Prata, técnico da ABCZ.

O programa ‘Zebu: Carne de Qualidade’ ainda disponibiliza os custos de todo o processo para que os criadores saibam da economia e lucratividade possíveis dentro das raças zebuínas. A ABCZ tem a parceria da EMBRAPA, EPAMIG, ESALQ/USP, FAZU, Intergado, Premix, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Viçosa e Unicamp. A primeira etapa, em 2020, contou com a participação de 105 animais da raça Nelore. Ao final de quase um ano e meio de trabalho, os animais foram abatidos com mensurações de peso de carcaça, espessura de gordura, rendimento de abate, gordura intramuscular, carne aproveitável e maciez instrumental. os animais superaram as expectativas dos padrões exigidos pelo mercado, comprovando mais uma vez a superioridade da carne de Zebu.

“Tendo uma recria com volumoso em quantidade e qualidade durante a seca, um bom manejo das pastagens nas águas e um confinamento bem planejado com a genética zebuína, este protocolo pode ser replicado em todo o Brasil, gerando lucro e produzindo uma carne saborosa com sustentabilidade”, pontua Lauro Fraga, gerente de Melhoramento Genético da ABCZ.

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