Mesmo com produção em alta, o rebanho bovino australiano enfrenta declínio, impulsionado por abates recordes, de acordo com dados recentes divulgados pelo Australian Bureau of Statistics (ABS).
O rebanho bovino australiano entrou oficialmente em um ciclo de desestocagem, com taxa de abate de fêmeas (FSR) atingindo 52,2%, de acordo com dados recentes divulgados pelo Australian Bureau of Statistics (ABS). Esse número confirma que os pecuaristas estão vendendo vacas reprodutoras maduras, em um movimento que não está relacionado a seca ou preços baixos, mas à estabilização do rebanho após anos de reconstrução.
Os números analisados pela Meat & Livestock Australia (MLA) indicam que o último trimestre registrou o maior abate trimestral desde setembro de 2015, com 2.241.200 cabeças abatidas. A desestocagem é caracterizada por taxas consecutivas de abate de fêmeas acima de 47%, refletindo uma mudança estratégica nos rebanhos. Confira aqui como anda o levantamento do rebanho mundial.
“A capacidade do pasto é alta e, portanto, os produtores estão descartando vacas reprodutoras mais velhas,” explicou Stephen Bignell, gerente de informações de mercado da MLA. Ele destacou que o atual ciclo não é impulsionado por fatores externos como preços baixos ou condições climáticas adversas, mas sim por um ajuste natural após uma fase prolongada de reconstrução.
Nos últimos anos, a Austrália passou por condições climáticas favoráveis que ajudaram na recuperação de pastagens e no aumento do rebanho. Esse cenário permitiu que os pecuaristas expandissem a produção e alcançassem um equilíbrio sustentável, resultando em um rebanho que atingiu níveis de maturidade significativos.
Os abates de gado aumentaram significativamente: 6% em relação ao último trimestre e 17% comparado ao terceiro trimestre de 2023. Excluindo a Tasmânia, todos os estados australianos registraram crescimento no abate de gado.
Se essa tendência continuar, o abate deve alcançar a projeção de 8,18 milhões de cabeças no ano civil de 2024, conforme previsão da MLA. Esse volume reforça o aumento na produção de carne bovina, que no trimestre registrou 690.694 toneladas, o maior número já contabilizado.
Ao longo do ano, a produção de carne já acumulou 1.908.222 toneladas, o terceiro maior volume da história australiana, ficando atrás apenas de 2014 e 2015, quando os abates superaram 9 milhões de cabeças.
Um dos destaques do relatório é o peso médio das carcaças. Apesar de um leve declínio em relação a anos anteriores, devido ao maior número de fêmeas e animais alimentados com capim, o peso médio nacional permanece elevado, em 308,2 kg. No estado de Queensland, esse valor subiu para 323,7 kg, o maior do país.
Outro marco significativo é a receita gerada pelos pecuaristas. O setor alcançou um recorde de US$ 4,26 bilhões em receitas no trimestre, o maior valor já registrado para gado pronto para abate.
Impactos no mercado e perspectivas
A desestocagem do rebanho bovino na Austrália representa um ajuste estratégico que fortalece a sustentabilidade e a eficiência do setor. Com maior produção de carne bovina e receitas recordes, os pecuaristas estão aproveitando a maturidade do rebanho e as condições climáticas favoráveis para reposicionar sua atuação no mercado global.
Esses resultados destacam o compromisso da Austrália em manter sua liderança como uma das maiores potências mundiais na produção de carne bovina, priorizando qualidade e manejo sustentável em detrimento de aumento puramente numérico do rebanho.
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