Rebanho do Adir é modelo para a pecuária nacional

Rebanho do Adir é modelo para a pecuária nacional

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touros do grupo adir
Foto: Grupo Adir

Afirmação foi feita pela ABCZ, exemplares da Estância 2L deram referência para mais de 200 jurados das raças zebuínas.

A evolução genética do rebanho bovino que sustenta a atividade pecuária do Brasil tem, na raça Nelore, um de seus melhores exemplos de sucesso. Durante décadas, a identificação de animais superiores com base em caracterização racial foi um processo exclusivo para a seleção e considerado altamente eficiente. Mas, com o modismo dos índices, os métodos visuais perderam importância e, em muitos plantéis, foram abandonados e tiveram uma perda de padronização e piora de carcaça, levando a raça a um momento delicado. Não é o caso da Estância 2L, do Grupo Adir, que nunca deixou de imprimir pressão por critérios de morfologia e produtividade.

A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) realizou recentemente um curso de atualização de técnicos e jurados das raças zebuínas para reforçar conceitos e alinhar as tendências entre os profissionais que atuam na base da seleção dentro das fazendas e nas pistas de julgamento. A palestra do Diretor Técnico da entidade, Valdecir Marin, foi sobre balancear a busca por um animal equilibrado e que atenda às necessidades do modelo nacional de criação de bovinos. A exibição de um lote de animais da Estância 2L, de Paulo e Adir do Carmo Leonel, para quase 200 participantes do evento, serviu para demonstrar a importância da caracterização racial e da padronização na evolução do gado. “A base desse rebanho é da importação de 62. O Adir nunca perdeu o foco na parte racial e funcional de sua seleção, agregando valor genético a cada indivíduo e melhorando a qualidade da carcaça em seus descendentes. Conseguimos ver um gado extremamente caracterizado, padronizado e muito produtivo”, disse o Diretor.

O lote da marca 2L, que foi perfilado com exemplares de mais duas fazendas, recebeu elogios da maioria dos técnicos e jurados. “Tanto o olho quanto a avaliação são ferramentas de melhoramento mas, no exercício prático, o Valdecir mostrou um gado do Adir do Carmo Leonel de excepcional equilíbrio que é selecionado por critérios visuais. Os animais longevos, com características produtivas de altíssima eficiência e padrão racial impecável, exemplificam a consistência genética junto com a parte funcional. Acredito que esse seja o conceito que nós, jurados, devemos procurar nos animais da pista de julgamento e, também, nos nossos trabalhos de campo. Coisa que, sem dúvida, o Adir tem feito de forma fantástica dentro do Nelore. Mesmo utilizando touros considerados antigos que, dentro da metodologia de avaliações, às vezes, é negativo pelas baixas DEPs, a gente viu que os produtos deles são superprodutivos. Isso prova que realmente a seleção baseada no olho ainda é fundamental”, afirma Carlos Marino.

Na concepção geral, os participantes foram desafiados a pensar os caminhos de condução do processo de melhoramento genético. “O Diretor Técnico afirmou no curso que o gado no geral está piorando e, por isso, temos que mudar para voltar a melhorar. Essa colocação já nos deixa animados porque muita gente esqueceu que a ezoognósia, a seleção visual por morfologia, também é ciência e, hoje, estão se baseando só em números. No final do dia, foram apresentados os animais do Adir e eu fiquei muito feliz porque, no meu trabalho de campo, esse é o tipo de gado que dá certo. O Adir nunca abriu mão do racial. O rebanho tem raça, tem tipo frigorífico, musculatura, carne, aprumos perfeitos, linha de dorso plana e vacas que parem bem”, explicou o consultor pecuário João Bonifácio.

Adir do Carmo Leonel, que atuou como jurado por 20 anos, ficou satisfeito com os desafios propostos pela ABCZ aos participantes. Ele reforçou o conceito que prega desde os tempos em que era um dos principais julgadores das raças zebuínas. “Aprendi a selecionar com o olho com o ‘seu’ Torres e o ‘seu Rubico’ e sou seguidor desse trabalho que deu tanto sucesso para a pecuária do Brasil. Nós não compramos ideia. Nós seguimos a busca da raça pura pois, sem pureza racial e sem as qualidades que a raça lhe mostra, não há como fazer gado e nem como construir um rebanho. Sem o olho, você não seleciona nada. E o gado perfeito é aquele que dá resultado. O gado tem que tratar do fazendeiro e não o fazendeiro tratar do gado. Como jurado, eu procurei sempre escolher um animal útil ao criador”, disse Adir.

Paulo Leonel, que acompanhou o evento realizado na Fazenda Experimental “Orestes Prata Tibery Junior”, no Triângulo Mineiro, ficou bastante satisfeito com os exemplares do seu plantel de 59 anos de seleção exibidos como referência aos representantes de todo o Brasil. “Os profissionais que trabalham com melhoramento das raças zebuínas em todo o Brasil tiveram a prova de que um rebanho construído com olhar criterioso e conceitos sólidos de valorização dos aspectos raciais pode representar o ápice de uma grande evolução genética”, disse.

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